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O ego é o maior risco para o sucesso do Clubhouse

Usuários precisam tomar cuidado com o conteúdo gerado e pensar em algo diferenciado para o ouvinte

Por Lucas Patrício - 25/03/2021

Uma rede social para áudios de WhatsApp? Não existe nenhuma pessoa do mundo capaz de convencer você que essa é uma boa ideia. E que bom que o Clubhouse, nova rede social sensação mundial, é tudo menos isso. Com mais de 3.5 milhões de downloads, o Clubhouse explodiu também no Brasil com o que há de melhor e pior nos debates virtuais. 

Criada por ilustres gurus do mundo da tecnologia, o objetivo da rede social é oferecer espaço para conversas apenas por áudio - sem opção de vídeo! Qualquer pessoa pode criar uma sala, convidar pessoas para falar e pronto. Em tempos de pandemia, é como se a internet pudesse se reunir em um grande congresso sobre todos os tipos de assuntos.

E assim como todo congresso, existem salas interessantes que nos prendem por horas e outras que nos fazem querer sair de fininho.

E não é por acaso. Um bom debate depende da combinação de vários aspectos, dos quais destaco: assunto de interesse do público; pessoas que possam colaborar para o assunto e um mediador. Quando uma sala do ClubHouse consegue oferecer tudo isso, a experiência é incrível. 

A rede social atraiu inicialmente CEOs, celebridades e figurões de diversas áreas, gerando debates inusitados que dificilmente uma empresa conseguiria bancar em um evento sem desembolsar alguns milhões. E a entrada, diferentemente do que é comumente praticada em palestras e talks desse nível, é gratuita. E isso, pra mim, fala muito sobre a euforia e sucesso exponencial.

O FOMO (Fear of Missing Out, Medo de Ficar por Fora) também é um elemento importante para explicar o sucesso da rede social, já que as conversas não podem ser gravadas. Se você não estava lá quando o astro da NBA falou sobre o que achou do último jogo do seu time em um relato muito mais orgânico do que em qualquer entrevista em toda a temporada, perdeu. E o mundo corporativo é cruel com a narrativa de exigência de aprendizado.

Ainda que seja espetacular acompanhar conversas entre pessoas extremamente interessantes, quanto mais populada a ferramenta, maiores são as chances de você cair em salas onde o ego dos participantes é tão aparente que pode até ser visto mesmo em áudio. Moderadores que autopromocionam seus interesses e, assim, deixam as conversas soltas com participantes pouco interessados em contribuir para o tema é a maior ameaça de uma rede que depende de bom conteúdo. Sem falar nos coachings que usam o palco e suas incríveis habilidades de persuasão para engajar quem procura por conhecimento.

No meio disso tudo o Brasil consegue, como sempre, dar novos sentidos para a rede social. Tatá Werneck, por exemplo, criou um conteúdo humorístico capaz de desbancar as principais produções do gênero em qualquer plataforma e formato. Ao mesmo tempo, salas que repercutem Big Brother Brasil trazem influenciadores variados e ex-participantes debatendo os assuntos quentes do programa que pauta discussões diárias da internet - e algumas até com a presença de figurões da Rede Globo.

A continuidade do sucesso do Clubhouse vai estar sempre conectada a capacidade da rede social em atrair, promover e destacar conversas bem moderadas com pessoas interessantes. E, para sorte de todos, que bom que boa parte delas por enquanto não se importa em fazer isso de graça. 

Clubhouse

Por: Lucas Patrício

CEO da GMD