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Empreendedorismo social por meio da visão do paciente

Empreender não estava nos meus planos e aconteceu não por uma necessidade criativa ou financeira, mas pela minha história de vida

Por Linda Rojas - 06/10/2020

Eu, Linda Rojas, fui diagnosticada com câncer de mama em 2012, aos 24 anos. Passei por desafios jamais imaginados, mas também tratei de transformar tudo isso em grandes aprendizados que direcionaram a minha vida até hoje.

Em 2016, fui convidada para fazer uma palestra em uma multinacional para contar minha experiência com a doença. Enquanto me apresentava, percebia os olhares atentos e expressões compenetradas cheias de emoção. Foi quando tive um insight: essa mensagem precisava continuar sendo espalhada.

A narrativa construída tinha impactado aquelas pessoas e notei o primeiro diferencial: a linguagem jovem e descomplicada sobre o tema.

A vontade de mudar a abordagem “quadrada” sobre o câncer e de levar esperança para as pessoas, transformou a causa que eu defendo no meu trabalho.

O projeto “Uma Linda Janela” foi criado naquele mesmo ano por mim e por meu marido (que era noivo na época). Estruturamos a comunicação como a base principal e assim, além das palestras, surgiu a ideia do blog, que no dia de seu lançamento, teve centenas de acessos orgânicos em vários lugares do Brasil e do mundo. Foi um sucesso!

Após esses primeiros passos, pude vislumbrar o potencial em alcançar cada vez mais pessoas.

Tudo ia bem, quando em 2017, recebi um segundo diagnóstico de câncer de mama, uma recidiva aos 29 anos que me levou para uma imersão profunda de autoconhecimento. Antes dos 30 já tinha passado por 2 cânceres e isso foi o suficiente para entender que não tinha tempo a perder.

Nessa altura, minha história já era pública, e agora a narrativa era no presente.

Comecei a me dedicar totalmente ao empreendedorismo social, que até então levava em paralelo com meu emprego formal, possibilitando assim novos objetivos e oportunidades para o projeto. O planejamento foi minuciosamente costurado para que conseguíssemos, através de algumas estratégias, realmente fazer a diferença nessa causa.
Existe ainda um certo tabu de que fazer o bem e ter lucro são fatores contraditórios, que pode soar como oportunismo até mesmo dentro da própria comunidade, do próprio nicho. Penso de forma diferente, pois é por meio da injeção de recursos como tempo, dinheiro e talento que grandes mudanças e evoluções são alcançadas.

Hoje, nos tornamos referência na causa, sendo reconhecidos pela nossa responsabilidade, autenticidade e pela forma como usamos os meios de comunicação para abordar e conectar pessoas à saúde. Essa mensagem de superação e de valorização das “Pequenas Felicidades” )o nome da minha palestra) é levada para centenas de colaboradores de diversas empresas. Além disso, estamos em multiplataformas, como o Instagram - com mais de 19 mil seguidores -, o blog com textos mais profundos, o grupo no Telegram exclusivo para troca entre pacientes e conteúdos dinâmicos pelo Youtube e podcast.

Entendemos a importância de levar a visão do paciente para o segmento da saúde e temos conseguido isso por meio da proximidade no relacionamento de respeitadas instituições como a Sociedade Brasileira de Mastologia, Instituto Oncoguia e Fundação Laço Rosa.

É fato que a responsabilidade social vem se tornando uma pauta fundamental entre os diferentes atores da sociedade, especialmente no atual contexto global.

Tenho certeza de que por termos, desde o início, desenvolvido o projeto “Uma Linda Janela” com um propósito tão verdadeiro, aliado a uma gestão profissional que nos trouxe solidez nos resultados. Isso capacita a expansão da mensagem para que mais pessoas entendam que o câncer de mama mudou, que ele não é mais “só” uma doença mortal do jeito que é retratada, que hoje há mais acesso a tratamentos que curam e proporcionam mais qualidade de vida.

É fundamental que nós, pacientes, sejamos protagonistas da nossa própria saúde.

Por: Linda Rojas

Linda Rojas é uma das mais importantes vozes e influenciadoras digitais no combate ao câncer de mama no Brasil.