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Jornalistas e marcas: casamento à vista?

A reflexão se faz necessária: quem melhor do que os jornalistas possuem o olhar crítico, capacidade de filtrar informações e habilidade para a produção e curadoria do conteúdo?

Por | 02/09/2015

pauta@mundodomarketing.com.br

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As demissões em massa nos veículos de mídia tradicionais afetam o status quo das agências de Relações Públicas, promovendo um retorno às raízes e uma atuação que coloque em prática outras ferramentas de comunicação e seja menos restrita ou dependente do trabalho de assessoria de imprensa pela diminuição dos espaços jornalísticos e redações enxutas. Outro viés relevante desta discussão paira sobre os caminhos de recolocação para tantos redatores, repórteres, editores-assistentes, editores, enfim, um volume alto de ótimos profissionais disponíveis no mercado.

Antes de aprofundar nas alternativas e oportunidades para os jornalistas é importante pontuar que elas têm se esgotado nos veículos tradicionais de mídia pela baixa capacidade destes grupos de comunicação em repensarem seus produtos, testarem novas fórmulas de financiamento de conteúdo, e proporem diferentes canais de relacionamento entre o conteúdo e a audiência. A estratégia para tornar a operação rentável por aqui tem sido o corte de custos, eliminando justamente a mão de obra capaz de gerar conteúdo e dar sobrevida à essas mídias. Perdem os jornalistas, a audiência e, claro, os próprios grupos de comunicação.

O gap entre a reinvenção dos veículos jornalísticos e contínua estratégia de corte de custo   manterá o fluxo de abastecimento do mercado com uma quantidade elevada de excelentes profissionais. A pergunta óbvia: como serão absorvidos? Alguns se recolocam em veículos aceitando reduções na remuneração ou cargo e outros optam por seguir carreira como frila - uma carreira com cada vez maior competição, diga-se de passagem. Surgem também iniciativas independentes de jornalismo com novos modelos de financiamento de conteúdo. As plataformas Brio e Ponte são bons exemplos. É louvável que brotem tais movimentos, pois o valor da comunicação social livre é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, ainda que os projetos levem tempo para a maturação, conquista de leitores dispostos a financiar o conteúdo e que se crie uma nova cultura de consumo de conteúdo jornalístico. O principal desafio, no entanto, ainda passa pela monetização desses projetos.

Por outro lado, não é de hoje que as marcas perceberam a possibilidade única do ambiente digital em criar um diálogo direto e até instantâneo com os consumidores, sem intermediários. Este movimento gera o direcionamento de uma considerável fatia dos investimentos em publicidade tradicional às mídias proprietárias, o que em parte já serviria de explicação para a decadência de veículos de comunicação tradicionais.  Há de se levar em consideração que as empresas também se atentaram para a necessidade de oferecer informações que sejam relevantes para a audiência e isso passa cada vez mais por deixar de "falar de si", tentando vender um produto ou serviço, para a produção de conteúdo muitas vezes com teor jornalístico, que atendam à expectativa e o perfil de uma audiência específica.

A reflexão se faz necessária, afinal quem melhor do que os jornalistas possuem o olhar crítico, capacidade de filtrar informações e habilidade para a produção e curadoria do conteúdo? É natural que as marcas recrutem e absorvam esses profissionais no intuito de gerar conteúdo que contem boas histórias, possibilitem diálogos e seja centrada no que importa para a audiência. No médio e longo prazo esse parece ser o caminho para a massa de jornalistas vítimas do enxugamento das redações e da falta ou inadequada estratégia dos veículos de comunicação. O desafio para muitos destes profissionais será entender que estar vinculado a uma empresa ou marca na produção de conteúdo não fará dele mais ou menos "puro" do que estar empregado aos tradicionais veículos de comunicação.

 

Por: Leonardo Stavale

Gerente de comunicação corporativa na Perspectiva Comunicação


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