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Uma pequena cidade chamada Shopping Center

Por conta da possibilidade de planejamento prévio, um fator que chama a atenção é que um bom Shopping é um excelente exemplo de curadoria. Alguns contam até com espaço ecumênico

Por | 02/03/2016

leonardo@youdb.com.br

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Se os maiores Shopping Centers do País fossem cidades, eles teriam algumas características em comum. Seriam cidades: organizadas, bonitas, seguras, com um clima agradável. Bem, estas seriam apenas as primeiras características. A pergunta que me faço sempre que vou a um Shopping é: "Por que estes lugares são tão atraentes? " Sim, parece óbvio que eles são desenhados para serem exatamente assim, atraentes!

Alguns locais, porém, chegam a menosprezar a inteligência das pessoas. Feitos de maneira circular para que se perca a noção do tempo e do espaço. Mas hoje não quero falar daquilo que pode ser melhorado, mas daquilo que podemos aprender com estes locais que encantam pessoas de todas as idades. As informações que coloco a seguir não são fatos científicos, mas fruto da minha própria observação.

A primeira característica que é fundamental para qualquer local que irá receber pessoas, seja uma casa, um Shopping ou uma cidade é infraestrutura. Esta é a base e início de tudo. De partida, esta é a primeira vantagem competitiva que um Shopping pode oferecer. Se bem desenhado, ele terá estacionamento, área de circulação coberta, segurança e pessoas oferecendo informações, locais de coleta de lixo e banheiros acessíveis - quase uma cidade perfeita! Isto tudo pode parecer um tanto óbvio, mas é aí que começa a oportunidade dos aprendizados.

Pense por um instante em uma rua em uma cidade qualquer que foi preparada para o comércio. Por melhor que seja seu desenho, sem acesso fácil, seja a pé, de transporte público ou de carro, o cliente pensará duas vezes antes de se deslocar. O único motivo pelo qual as pessoas continuam indo em ruas como a 25 de março em São Paulo é qualquer outra coisa, menos acessibilidade e conforto.

Antes mesmo de um Shopping ser construído, há um extenso planejamento de arquitetura, distribuição de lojas, circulação etc. Por esta comodidade, os preços tendem naturalmente a crescer um pouco. Mas, calma, este é apenas o primeiro fator. Um Shopping pode ser o microcosmo de uma cidade - e alguns realmente são, com uma `população circulante´ que facilmente excede 10 mil pessoas.

Por conta desta possibilidade de planejamento prévio, o segundo fator que mais me chama a atenção é que um bom Shopping é um excelente exemplo de curadoria. Há normalmente algumas lojas âncoras, lojas secundárias, espaços de serviços, alimentação, lazer e eventualmente até cultura. Alguns Shoppings mais novos contam até com espaço ecumênico.

Na minha visão, quanto melhor for a combinação entre todos os fatores acima, melhor a possibilidade de movimentação no Shopping. Claro, localização é a base de tudo, mas mesmo com a melhor localização, o Shopping pode acabar enchendo somente a praça de alimentação.

O terceiro e último fator que vejo é a conexão que o Shopping estabelece com seus clientes. Isto inclui também um olhar para as pessoas que trabalham no Shopping. A forma que encontrei de fazer uma medição rápida desta conexão foi através da quantidade de flores que o Shopping distribui. Explico: se um investimento é feito com o principal objetivo de gerar resultado financeiro, ao longo do tempo aquilo que não gera valor diretamente começa a ser facilmente questionado e excluído da planilha. As flores não têm por si só uma função prática. Sim, as flores podem ser de plástico, e neste caso, o interesse nos clientes também acaba sendo `de plástico´.

Agora, e este é o grande convite que faço ao final deste artigo, pense por um instante todo este planejamento, todas estas características direcionadas para regiões específicas de cidade, ou mesmo para a cidade toda. Poderíamos aferir a partir destes aprendizados o quanto as cidades estão preocupadas com as pessoas que lá residem e trabalham ou somente com arrecadar mais impostos! 

Por: Leonardo Barci

Presidente da youDb, Formado em Administração de Empresas e pós graduado em Marketing pela FGV. Co-autor do livro Mind The Gap ? Porque o Relacionamento com Clientes vem antes do Marketing


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