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Mercado

A falta de resultados como caminho

Se uma empresa não vende, ela tem em primeiro lugar um problema de caixa, mas costuma-se confundir o sintoma com a causa. Não vender não é um problema somente de vendas

Por Leonardo Barci - 11/11/2015

O que seria a doença para o Marketing? Na medicina tradicional chinesa, a doença é vista como caminho. Neste conhecimento humano os sintomas são indicativos de que pensamentos, emoções e ações represados ou excessivamente expressos são a direção para o caminho de cura e reequilíbrio pessoal.

A saúde é a base desta medicina. Isto é tão significativo que, antigamente, o “médico de família” era pago somente enquanto as pessoas estavam sadias. Se uma pessoa adoecesse, parava de pagar o médico. Talvez o equivalente a uma agência de marketing trabalhar somente com successfee!

Embora isso não seja tão próximo de nossa cultura é relativamente simples de compreender que uma raiva contida deverá trazer alguma repercussão para o fígado, a perda de alguém querido traz uma dor não localizada no coração, uma fala não expressa tende a trazer dores no estômago ou na garganta.

A saúde tem um primeiro grande desafio: o que é estar sadio? Embora exista um par de definições, em última análise elas são frágeis de uma ou de outra forma - não falo apenas de saúde física, ok? Minha referência é que esta análise só pode ser feita pela própria pessoa. Alguns exames e análises ajudam com referências externas, mas eles são somente isto, referências. Se eu lhe perguntar: “Como você está se sentindo?”, só existe uma pessoa capaz de responder isso: você!

Na minha visão pessoal, saúde significa estar física, mental, emocional e espiritualmente apto para expressar o melhor de cada um de nós.

A doença, em contrapartida, é extremamente (ou na maior parte das vezes) objetiva. A partir de um diagnóstico é relativamente simples identificar se uma pessoa está ou não com determinada doença. Eventualmente, um exame de sangue confirma se a doença contagiosa está presente. OK, se você assiste House talvez isso não seja sempre tão claro e objetivo.

No ocidente, o médico tem emprego se houver doença. Na referência que trouxe da medicina tradicional chinesa, o médico tem emprego praticamente vitalício com seus clientes. E no marketing, o que isso pode nos trazer de aprendizado?

A primeira referência que tenho é a da objetividade que tem se buscado nos últimos anos dentro das agências de comunicação. Quando uma agência não cria, ela não mais realiza o seu melhor. Ela está doente. Temos cada vez mais razão e menos sentimento e emoção. Cuidado, não falo de emotividade, mas de, verdadeiramente, tocar o coração das pessoas.

A segunda é a de que se uma empresa não vende, ela tem em primeiro lugar um problema de caixa, mas costuma-se confundir o sintoma com a causa. Não vender não é um problema somente de vendas, mas sim da empresa como um todo. Pode até ser de comunicação, mas isso é consequência e, novamente, não a causa.

Estamos tratando muito da doença e deixando a causa de lado. Tomar um remédio para dor de cabeça um dia é algo que pode ajudar a reduzir o sofrimento, mas tomar todo dia indica uma situação crônica.

Estamos, no marketing, buscando remédios diários de venda e esquecendo que a educação (conhecimento + prática adequada –combinação chamada de virtude por Gandhi) é a chave para uma vida plena.

Temos remédios para quase todas as doenças da empresa, mas poucos têm atentado para sua verdadeira saúde que é a felicidade e realização de cada empresa e das pessoas que lá trabalham.

Por: Leonardo Barci

Presidente da youDb, Formado em Administração de Empresas e pós graduado em Marketing pela FGV.