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Falta de acesso ao consumo: um problema todo seu!

No Brasil, Marketing trabalha para apenas um terço da população – apenas 33% de pessoas têm poder aquisitivo para consumir o que é oferecido em grandes campanhas

Por | 28/08/2018

pauta@mundodomarketing.com.br

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Se o Marketing só existe em função do Consumidor - seja para gerar o desejo em quem ainda não é seu consumidor ou para gerar a satisfação de quem já é - então podemos dizer que Marketing só existe para quem pode consumir. E quem é que pode? Segundo o IBGE, aqui no Brasil, cerca de 4,5 milhões de pessoas sobrevivem com uma média de R$ 47,00 por mês - é isso mesmo, menos de 50 reais para sobreviver o mês inteiro. Mesmo se sairmos deste cenário de extrema pobreza e subirmos um pouquinho de nível, ainda assim, chegaremos à constatação de que 66% das famílias no Brasil sobrevivem com menos de R$ 2 mil reais por mês. Se uma família inteira ganha menos de R$ 2 mil para custear moradia, vestuário e alimentação, provavelmente estas pessoas não são foco da maioria das campanhas de marketing que estimulam o consumo além dos itens básicos de sobrevivência. Ou seja, o marketing trabalha para apenas um terço da nossa população. São apenas estes 33% de pessoas que têm poder aquisitivo para consumir as nossas campanhas. É assustador! Como achar aceitável que quase 70% da nossa população não tenha direito ao consumo?

Se você está lendo esta matéria, é provável que faça parte de uma minoria de 33% de pessoas que têm poder aquisitivo para consumir e, por isso, deve ter menos motivos para se preocupar, correto? Errado! Mesmo tendo acesso ao mercado, é justamente você quem deveria estar mais preocupado com quem está excluído dele. O problema é todo seu, seja você consumidor ou fornecedor. Vamos entender por que motivos.

O ser humano tem a inclinação de criar barreiras, fronteiras ou limites dentro dos quais se sente mais protegido. A gente se sente seguro por estar dentro de casa. Ou por pertencer a uma família. Ou por estar empregado dentro de uma empresa. Acontece que estas barreiras são ilusórias. Nada é isolado, tudo é conectado e interdependente. O que é uma empresa, por exemplo? A empresa não é um contrato social, nem um conjunto de regulamentos, nem um aglomerado de paredes, mas sim um grupo de pessoas que as fazem. Estas pessoas fazem parte de um mundo lá fora, de um núcleo familiar, de um sistema maior. Então, não há barreiras que as isolem. Não existem estas fronteiras imaginárias que nos tornam protegidos. O que existem, são trocas. O mundo todo é regido por trocas constantes. Então, se você é consumidor, mesmo que faça parte daquele um terço da população "privilegiada" que tem acesso ao mercado, você convive com as que não fazem parte. Há um ecossistema ao qual você pertence e não tem como se isolar dentro de uma bolha. O impacto desta disparidade social vai ficando cada vez mais insustentável e a barbárie que pode ser ocasionada a partir dela, inevitavelmente, afetará você.

Se você é empresário, fornecedor ou promotor destas campanhas de marketing, também tem motivos para se preocupar. Em um primeiro momento, pode parecer pouco importante o fato de que as campanhas excluam quase 70% da população, desde que haja consumidor o suficiente para manter a sua lucratividade. Ocorre que empresas mais antenadas no futuro já se deram conta de que não dá mais para medir o grau de sucesso unicamente pela lucratividade. O lucro ou faturamento de uma empresa não pode mais ser o fator exclusivo para mensurar o quanto ela é bem-sucedida. É preciso analisar outros impactos ambientais e sociais. Isto porque o mundo mudou. Hoje, as pessoas estão de olho nisso de forma cada vez mais crítica. Atualmente, existe quem paga mais caro por um produto que não agrida ao meio ambiente, por exemplo, bem como existe quem faça campanha negativa de boicote a organizações que maltratam animais ou que escravizem pessoas para aumentar sua margem de lucro. Se por muito tempo foi aceitável o enriquecimento de uma empresa às custas do desmatamento, hoje em dia não é mais. Este tipo de empresa não é mais aplaudido pela sociedade. Se as pessoas mudaram o seu olhar para as questões ambientais e sociais e, ao mesmo tempo, são essas pessoas que fazem as empresas existirem - seja porque são funcionários destas empresas ou por serem os consumidores de seus produtos ou serviços - então não tem mais para onde os empresários fugirem. Precisam olhar para isso.

Porém, o principal motivo pelo qual você deveria se preocupar com este tema não é nenhum dos apontados acima: nem por receio de ser afetado pelos futuros impactos da desigualdade social, nem pelo medo da crítica ou boicote de seus colaboradores ou consumidores. Estes motivos são, de certa forma, egoístas. O principal e maior motivo que deveria mover a cada um de nós para que todos tenham acesso ao consumo é o querer bem. O amor genuíno e desejo pelo bem-estar de cada um dos que estão do lado de lá deveria ser o maior mobilizador de cada um dos que estão do lado de cá. Assim, não haveriam mais lados.

Por: Jorge Barros

Formado em Gestão de Negócios pela Unesp, Pós-Graduado em Administração de Serviços pela USP, Gerente de Marketing e de Responsabilidade Social do Grupo Bridge


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