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O que seria do comércio sem o pecado

Como a sua loja pode pecar mais para vender mais?

Por | 19/07/2011

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Por Helga Silva*

O pecado… esse mal tão censurado que atormenta as consciências e nos faz sentir culpados, mas na verdade tão frequente que acaba por se tornar normal. Por que? Porque é parte da condição humana, parte integrante do que somos, que nos define tanto quanto as nossas qualidades. Mas estará esse pecado presente no nosso dia a dia de consumidores? E estará a sua loja a retirar o verdadeiro proveito dele?

Pecado no comércio é, nada mais, nada menos, que o motor de venda/compra que movimenta o dia a dia e que permite a sobrevivência de tantas lojas e tanta variedade de consumo, sendo, nesta ótica, prazer e satisfação. Então, como a sua loja pode pecar mais para vender mais?

Comecemos pela avareza: não há nada que faça o consumidor feminino se sentir mais poderoso do que uma bolsa da marca X ou uns sapatos da marca Y. Entrar numa festa cheia de pessoas conhecidas com aquele par de sapatos é muito mais que vaidade: é pura afirmação. É status, é poder… e esse poder é você, comerciante, que o vende.

Depois temos a inveja: aquelas imagens das celebridades que usam este ou aquele modelo ajudam (e muito) a vender determinadas peças, que prometem uma proximidade fácil e desejada àquele estado de glória! Quem vende essa glória? Você comerciante. Basta colocar o seu vestido junto a um cartaz da Beyoncé a usar um muitíssimo semelhante!

Soberba: não necessariamente por falta de humildade, mas todos adoramos nos sentir auto suficientes nem que seja por uns momentos. Como? Conduzindo aquele carro estrondoso que grita pelas ruas que temos o controlo da situação.

Ira: o que mais nos acalma naqueles dias em que o sentimento de raiva com o mundo é tão desesperante e incontrolável? Comprar um miminho, ser bem atendido numa loja e ainda ouvir um elogio da pessoa que nos atendeu. Ou então, ir à pastelaria da esquina e comer o bolo maior que lá existir - o que atrair mais à vista. Pensemos por um instante num restaurante de comida gourmet, com um dos maiores chefs do mundo, que trabalha diariamente para satisfazer os paladares mais exigentes. A que se apela aqui? Ao gosto pela comida, ao prazer de saborear um belo prato feito com conhecimento e paixão.

O que seria deste restaurante sem um pouco de gula, que permite aos que nas suas mesas se sentam, comer não pela necessidade de se alimentar, mas pelo prazer inigualável de sentir a textura de um belo petisco a lhes passar pela boca. Ou o que seria dos produtores de vinho, se não fossem aqueles que vêem numa taça de tinto um momento de paragem no tempo e puro deleite!

Segue-se a preguiça (muito associada nos dias de hoje à falta de tempo): aquele robot doméstico que limpa a casa praticamente sozinho, aqueles saquinhos do supermercado que já trazem as verduras todas cortadas e lavadas…

Por fim a luxúria: um spa e as suas massagens relaxantes, os cremes hidratantes de cheiro apetecível para provocar o companheiro lá em casa… ou o creme que promete deixar as suas pernas iguais às de uma super model, aspirando ao corpo perfeito…

Esta associação é uma pequena reflexão de como o viver em sociedade faz de nós seres que convivem com o pecado todos os dias. Não da forma condenável, mas sim de forma natural, humana e tão prazível! O que o consumidor espera encontrar numa loja de é nem mais nem menos a resposta a todos estes estímulos, a ajuda em responder a estas necessidades e caprichos, na maioria das vezes de forma inconsciente. Você como lojista é que tem de estar bem consciente de tudo isto!

Recorra ao seu lado de consumidor pecaminoso para ser um comerciante ainda mais próximo dos seus clientes. Torne a sua loja excitante. Ajude o seu consumidor a cometer os seus pecadinhos diários! Ele agradecerá, voltando!

* Helga Silva é Pós-graduada em Protocolo, Assessoria de Imprensa / Comunicação. É Consultora Formadora do Projeto Mais Comércio - projeto de apoio ao comércio tradicional desenvolvido pela empresa RHmais em parceria com a ACIF (Associação Comercial e Industrial do Funchal).

Por: Helga Silva




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