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Comportamento do Consumidor

Um novo olhar sobre a diversidade no ambiente de trabalho

Pautas sobre gênero, raça e pessoas com deficiência, por exemplo, devem fazer parte da nossa rotina com mais frequência – e da agenda das organizações

Por Gustavo Turquia - 08/09/2020

Promover a diversidade no local de trabalho vai além da questão de obter justiça social. Claro, essa é a principal finalidade de apostar em políticas de inclusão, mas precisamos expandir nosso olhar sobre a causa e entender seus efeitos. Criar um ambiente corporativo plural é incentivar a sua empresa a ser mais inovadora, criativa, ágil e competitiva. É um caminho natural e uma demanda cada vez maior do mercado.

Um famoso estudo da consultoria McKinsey aponta a diversidade como uma importante alavanca para a performance. Na análise feita com mais de mil empresas de 12 países, aquelas que apostam mais em diversidade de gênero em suas equipes executivas são 21% mais propensas a ter lucratividade acima da média. Quando são examinados termos culturais e étnicos, esse percentual chega a 33%.

Ou seja, estimular o contraponto, o convívio entre pessoas diferentes, a troca de opiniões diversas e trazer outras perspectivas para o diálogo corporativo é saudável e dá resultado. Há um claro ganho de produtividade nessa atitude. Apesar de ver muitas empresas liderando movimentos, comitês e ações afirmativas para contribuir com esse processo, ainda temos um longo caminho a percorrer no Brasil, especialmente quando entendemos o verdadeiro significado da interseccionalidade, super presente em um país multicultural.

Pautas sobre gênero, raça e pessoas com deficiência, por exemplo, devem fazer parte da nossa rotina com mais frequência – e da agenda das organizações. Temos o desafio de entrar mais a fundo no debate, propor ações afirmativas e educacionais, questionar e flexibilizar regras dos processos seletivos vigente nas grandes empresas e, acima de tudo, entender a origem da nossa cultura.

Como parte da transformação nos processos seletivos, um bom primeiro passo é começar questionando a lista de exigências e pre requisitos minimos para as vagas ou posições. É muito comum ver multinacionais exigindo fluência em vários idiomas, lista de cursos e necessidade de intercâmbio por uma mera questão cultural, mesmo em posições que as vezes não requerem essas competências no dia a dia.

Um outro ponto super importante no combate ao racismo, machismo e à homofobia é a conscientização, pelo líder, do seu papel nesse movimento. A liderança deve, não só assumir a dianteira no combate a opressão e ao preconceito, mas principalmente fomentar a inclusão, através de ações afirmativas nos seus times com diálogos abertos e respeitosos, se tornando assim um grande protagonista desse movimento no mercado. Sua postura servirá de exemplo para o restante da equipe e esse é um dos principais motores da promoção de uma cultura verdadeiramente plural.

Muitas vezes, cometemos ou permitimos alguns deslizes de postura e comportamento por desconhecimento. Somos preconceituosos sem saber que estamos sendo. Mas o impacto de uma piadinha de mau gosto no corredor não pode ser ignorado. Por isso, a existência de comitês internos de inclusão & diversidade, que são responsáveis por discutir e educar os funcionários, é essencial para a transformação do ambiente de trabalho.

Na Visa, nosso comitê de inclusão & diversidade tem participação ativa com iniciativas que fomentam temas educacionais na organização. A frente de Pride, por exemplo, que trata dos temas da comunidade LGBTQ+, desenvolveu esse ano um projeto super inovador para comemorar o Mês do Orgulho LGBTQ+: o “Pride Everywhere”, um evento global que deu a volta ao mundo nos principais dos 200 escritórios da Visa, homenageando a comunidade com conteúdos educacionais focados na interseccionalidade. Foram 24 horas de programação on-line com sessões que debateram temas importantes com a participação especial de diversos convidados externos “de peso”, além das mensagens dos principais executivos da cia, reafirmando o apoio da organização para cada um ser quem é.

Painéis sobre a importância da comunidade LGBTQ+ no combate ao racismo, uma aula sobre o que é a interseccionalidade e um short documentário sobre a cena do Vogue, foram algumas das sessões lideradas pelo time do Brasil e apresentado para os mais de 25.000 colaboradores da Visa em todo o mundo.

Costumo dizer que, hoje em dia, as empresas precisam ter soluções, produtos e serviços cada vez mais plurais se quiserem satisfazer a demanda de clientes cada vez mais diversos. É uma nova dinâmica de mercado. Apesar de termos um caminho longo pela frente, vejo um considerável avanço nos últimos anos graças a iniciativas de algumas empresas que estão puxando esse movimento e a provocação que gostaria de deixar é: e você? Está contribuindo para esse movimento na sua empresa, no seu dia a dia?   

Por: Gustavo Turquia

Diretor Comercial da Visa do Brasil