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O que mais mudou o mundo: a máquina de lavar ou as redes sociais?

A televisão mudou o mundo, mas foi a transmissão via satélite que deu escala a essa mudança. Foi graças ao satélite que a gente começou a ver o futebol europeu e a viagem à lua

Por | 01/12/2015

pauta@mundodomarketing.com.br

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Li outro dia em um artigo do também publicitário Nizan Guanaes: a humanidade é péssima em previsões. Realmente. Veja o exemplo do Second Life. Talvez você, leitor, nem se lembre deste site onde as pessoas tinham um avatar e viviam em uma sociedade paralela, com lojas, cinema, lanchonete, trabalho, namorada, tudo. As previsões da época diziam - em vários veículos e corroborados por "especialistas" em tecnologia - que no futuro as pessoas ficariam enfurnadas em casa e viveriam através do Second Life. Empresas investiram em lojas virtuais no site, jornais eram distribuídos no site. Um ano depois, o Second Life acabou por falta de uso e as previsões foram para o espaço. RIP Second Life e mais ainda, RIP previsões.

Por outro lado, quando a máquina de lavar roupas surgiu, não tenho notícia de ninguém prevendo que ela ia mudar o mundo. Nem a propaganda falava nisso, no máximo prometia mais conforto e rapidez à dona de casa feliz com polegar para cima, sorridente, ao lado do mais novo modelo no reclame de revista feminina.Pois o economista Ha-Joon Chang levantou em artigo o quanto a máquina de lavar possibilitou as mulheres saírem de casa para trabalhar e ajudou a mudar para sempre as relações humanas e de trabalho.

O feminismo teve uma grande ajuda da máquina de lavar em sua arrancada, antes que os homens fossem - em parte pelo menos - convencidos a dividir com elas as tarefas domésticas. Sem a máquina de lavar trabalhando em casa enquanto a mulher saía para trabalhar fora de casa, as coisas teriam sido mais difíceis e lentas.

A televisão mudou o mundo, mas foi a transmissão via satélite que realmente deu escala a essa mudança. Foi graças ao satélite que a gente começou a ver o futebol europeu e a viagem à lua. As guerras são transmitidas ao vivo pela televisão e o Brasil passou a ser um país mais homogêneo por conta da TV Globo ter se tornado a Rede Globo. Se isso aconteceu na época da transmissão em micro-ondas (não o forno, que aliás teve papel parecido com a máquina de lavar na revolução feminina, mas o transmissor), foi depois do satélite que a imagem ganhou qualidade e a TV tornou-se rede, unindo o país e deixando o que era muito desigual, bem mais parecido.

Na entrevista do ator e diretor Daniel Filho ao excelente Roberto Dávila, ele dá o seu testemunho de como o Brasil era diferente quando ele era pequeno, seus pais eram artistas de circo e viajavam pelo país. O tempo passou e ele, já adulto e viajando pela Globo, testemunhou como o Brasil tinha se tornado um só, respeitando as particularidades de cada região, mas um só, com clara influência das novelas das oito. (hoje das nove, quase nove e meia).

Então agora pense: quanto do que se diz sobre como as redes sociais estão mudando o mundo é verdade e o quanto é propaganda?

 

Por: Gustavo Bastos

Carioca, formado em Comunicação Social pela FACHA, foi Diretor de Criação da DPZ, JWT e 100%, além de roteirista na Rede Globo de Televisão.É proprietário e diretor da agência 11:21


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