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Os olhos vorazes do século XXI

Na sociedade repleta de estupefacientes tecnológicos, sob o signo tirano da aceleração, o tempo, a atenção e a sensibilidade se encolhem e até paralisam

Por | 30/04/2015

pauta@mundodomarketing.com.br

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Olhos famintos, repletos de dentes, devorando a viralização de imagens que nos enroscam feito polvo com seus tentáculos promissores. Compre, sinta, se entregue, experimente.  Publicidade, ações urbanas, flash mobs nos engolindo a cada congestionada esquina de nossa atônita existência.

Brand experience, Brand sensations, Brand entertainment.  Eis o indivíduo da contemporaneidade. Imerso em sucessivos apelos do mercado e de onipresentes marcas, assolado por informações despejadas como avalanches, num mashup entre o real e o possível. O tempo, a atenção e a sensibilidade se encolhem e até paralisam, diante do vigente surto transmidiático.

Diversos pesquisadores da atualidade como Paula Sibília, Christoph Türcke, Massimo Canevacci, abordam este homem pós-orgânico. A sociedade excitada na qual ele mergulha, repleta de estupefacientes tecnológicos, sob o signo tirano da aceleração.  Necessidades-fake, demandas irrefreáveis se superpõem aos nossos instintos naturais, tornando-nos escravos compulsivos de novos devices e tendências.

Reféns de imagens exógenas, cuja multiplicação, na internet e nos espaços out-off-home, nos seduzem tanto quanto esvaziam nosso imaginário. Nossas capacidades únicas de fantasiar, construir e enriquecer nossas próprias storytellings.

Hoje somos cíbridos, multivíduos, almejando a divina ubiquidade. Estar here there and eveywhere num mesmo instante: #partiuonipresença. Candidatos a androides, fãs de próteses e tatuagens 3D, mescladas aos espaços da virtualidade. Criaturas para quem expressões como on e off  se esgotaram faz tempo.  Gente que trocou o ser pelo ter, nas últimas décadas. Dúvidas se proliferam: será que eu existo ou preciso ser autenticado pelo olhar alheio para sentir-me minimamente coeso? Selfies são a solução. É o que dizem.

Mais uma vez nos oferecemos à fúria das imagens, sempre mais customizadas. Rendemo-nos à Iconofagia, termo inaugurado pelo pesquisador Norval Baitello Junior.

A ânsia pelo consumo é desenfreada. Sobrevivemos e respiramos com dificuldade em úteros sociais-digitais. Retroalimentamos realidades e situações interseccionadas, louvando nossas gueixas transparentes - os gadgets-  simbolicamente ligadas a smartphones de todos os tamanhos e funcionalidades, agora confundidos com nossa própria pele.

Somos aficionados pelo newism (lançamentos em série), pelo firstism (sermos os primeiros a possuir wearables, objetos vestíveis, por exemplo, como smart whatches, para causar, como aponta a gíria da moda).

Buscamos incorporar o papel de Presumers - gente proativa, determinada a se envolver, ajudar, financiar e promover produtos, antes que eles existam. Novas plataformas, formas disruptivas de financiar, produzir e vender, como crowdfunding, se disponibilizam. Teenpreneurs, empreendedores muito jovens, inseridos na Geração Z, desenvolvem serviços, marcas e aplicativos de sucesso.

Nossa cabeça hoje é digital, passeando por multitelas dia e noite.  Assim, nos flagramos vazios de conteúdo, de conhecimento. Porque é impossível digerir e metabolizar toneladas de informações que esmagam ininterruptamente nossos neurônios aflitos. Atos vorazes refletem o FOMO, fear of missing out. Sentimos medo de perder as atrações que a sociedade do espetáculo nos oferece continuamente.

É quando a atualidade clama pela analogia, mais uma vez. Sensações naturais sem mascaramentos de realidades alternativas ou ciber-possibilidades.  Slow food, Slow life. Slow moments. Slow love. Tocar e palpabilizar pessoas e objetos. Sem qualquer pressa, bem entendido.

O corpo, considerado nestes tempos frenéticos anacrônico e fora de uso por muitos, como os adeptos do transumanismo, volta a assumir seu espaço na história.

Afinal, ainda precisamos dele.

Por: Graça Taguti

Mestre em Novas Tecnologias da Comunicação e Cultura pela UERJ. Jornalista, publicitária, professora em MBAs de Marketing Digital


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