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Digital

Excesso... e volatilidade

Este excesso de virtualidade das nossas relações com a vida tende a nos afastar do mundo real, das pessoas e das suas necessidades humanas. O que é obvio passa distante

Por Gilberto Strunck - 05/11/2013

Domingo de manhã. Como faço todas as semanas, acabo de limpar a lixeira do meu G-mail. Desta vez, foram 697 mensagens. Este ano, por curiosidade, comecei a registrar sua quantidade. De janeiro a outubro, 20.084 e-mails, isto sem contar com os que arquivei, recebidos e enviados, e os milhares que foram filtrados como spams.

Tento lembrar como eram nossas vidas antes de termos e-mails e como hoje consigo conviver com eles, com a grande quantidade de tempo a eles dedicado. Recordo alguns anos para trás. LinkedIn, Orkut, Facebook, YouTube, Twitter, Four Square, Instagram, Pinterest são algumas das centenas de possibilidades de me comunicar, de mostrar quem sou e de conhecer outras, superficialmente, pessoas, que tenho à minha disposição.

Algumas às quais fui um usuário frequente e que acabei por abandonar. Outras que utilizo até hoje. Recursos que são disponibilizados em nossas vidas a uma velocidade espantosa, conquistando milhões de usuários em meses... para serem substituídos por outros mais sedutores. Meios que possibilitam que nossas vidas privadas invadam nossos trabalhos e vice-versa, num processo frenético que não tem fim.

Este senso de urgência invasivo, que divide nossas atenções, resulta, a meu ver, em uma perda na qualidade no nosso trabalho. Perda de concentração, de foco, de um pensar contínuo e dedicado na solução de um problema e, principalmente, na busca da simplicidade.

Este excesso de virtualidade das nossas relações com a vida tende a nos afastar do mundo real, das pessoas e das suas necessidades humanas. Muitas vezes nos preocupamos tanto em trabalhar com as últimas tendências e tecnologias que deixamos de lado as coisas mais simples, muitas vezes óbvias e necessárias.

Saber filtrar aquelas que importam em meio a um número infinito de informações disponíveis, excesso, para criar soluções para aumentar seus vínculos com as marcas, minimizando seu descolamento, volatilidade, é uma tarefa cada dia mais complexa que nos exige grande disciplina para não cair na tentação das atualizações infinitas.

Por: Gilberto Strunck

Sócio-Diretor da DIA Comunicação