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Donald Trump e seu House of Cards

É possível avaliar que Trump navega entre dois modelos de arquétipos do branding político e eleitoral: o de pai e o de herói. Saiba mais sobre estes modelos no artigo

Por Gabriel Rossi - 08/10/2015

Com pouco mais de um ano para a escolha do novo presidente norte-americano, o mundo já está assistindo a uma batalha de marketing político, liderada por, incrível, Donald Trump. O magnata do setor imobiliário, também conhecido por apresentar o reality show de negócios The Apprentice, é pré-candidato pelo partido Republicano. Desde que entrou para a corrida presidencial, Trump vem causando polêmicas com a pretensão de ser a indicação republicana para a votação de novembro de 2016. E vem construindo um cenário ao estilo Frank Underwood, do seriado House of Cards.

Não é tarefa fácil. Até agora o seu partido tem mais de dez pré-candidatos. Mas a estrela tem sido Trump, que, para o bem ou para o mal, tem chamado a atenção da mídia e do eleitorado com seus comentários controversos. Em um deles o magnata disse que os imigrantes ilegais mexicanos trazem drogas, cometem crimes e são estupradores. Depois, sugeriu a construção de um muro para conter os vizinhos, chamando-os de vagabundos e perigosos. O mais recente palpite foi direcionado a uma jornalista da emissora Fox. Trump insinuou que Megyn Kelly havia sido agressiva durante debate promovido pela emissora porque estava menstruada. Ele disse que Kelly tinha “sangue saindo dos olhos, sangue saindo... sei lá de onde”. 

Isso sem falar que Trump é impreciso em suas ideias. Outro ponto peculiar é o fato de seu website dar mais destaque à sua trajetória como homem de negócios do que como alguém que sentará no Salão Oval, comandando decisões que influenciarão o resto do mundo. Tudo isso pode parecer um suicídio político, mas a estratégia do pré-candidato é reforçar a promessa de ser um chefe prático e que faz o que bem entender. Uma imagem que ele cultiva há algum tempo e que ressoa na mente dos eleitores norte-americanos. São características que podem agradar parte do eleitorado norte-americano.

Trump pode até ser uma surpresa. Justamente pelo fato de falar o que pensa, ele tem conquistado o carisma de eleitores que são contra a imigração, por exemplo, ou que estejam cansados de políticos passivos demais. Outra característica: Trump é o exemplo vivo do tão almejado “sonho americano”. Afinal, é criador de riqueza e símbolo do sucesso. Seu passado fora da política também pesa positivamente em relação aos demais candidatos, pois pode passar a impressão de um discurso autêntico e sem herança de decepções.

Em suas falas, é possível avaliar que Trump navega entre dois modelos de arquétipos do branding político e eleitoral: o de pai – aquele que passa ideia de protetor cuidador - e o de herói – que promete resolver todos os problemas sociais.  São pontos a favor do pré-candidato. Mas o que pode se observar é que, apesar da experiência com a mídia, seu perfil polêmico pode afogar sua candidatura à Casa Branca.

A verdade é que, apesar dos comentários (ou quem sabe por causa deles), Donald Trump lidera a corrida pela tão disputada indicação, à frente de Jeb Bush, irmão do ex-presidente George W Bush.

Ainda há muito o que ocorrer até novembro de 2016. O risco é que, vendo-se diante de uma implosão, Trump opte por uma candidatura independente e divida os votos dos conservadores. Não é possível esquecer o fantasma de Ross Perot assombrando os republicanos até hoje. Em 1992, Perot concorreu como independente, roubou parte dos votos de George Bush pai e ajudou Bill Clinton a vencer. Será este um fator a favor de Hillary Clinton?

Por: Gabriel Rossi

Gabriel Rossi é palestrante, sócio fundador da consultoria em branding digital que leva o seu nome.