Artigos

Publicidade
Publicidade
Mercado

Economia Colaborativa, Uber e o Mercado Financeiro

Um mercado está surgindo. A ruptura continua. As corporações, do sistema financeiro ou não, ainda podem escolher em qual lado da história querem estar

Por Gabriel Rossi - 17/08/2015

Não é de hoje que a chamada “economia colaborativa” está em voga. Experiências positivas, mas que, infelizmente, ainda encontram resistência, vêm se espalhando pelo mundo. Um exemplo é o aplicativo Uber, que conecta motoristas e usuários. A iniciativa tem causado uma série de manifestações contra seu uso por parte de taxistas em alguns países, incluindo o Brasil. A categoria acusa o Uber de concorrência desleal, pois oferece serviço semelhante ao de táxi, sem pagar licenças e impostos locais. 

Os taxistas ainda não perceberam que o aplicativo não deve ser considerado um inimigo. E, sim, um bom exemplo desta revolução do consumo. A rede de hotéis Marriot, embora presente em um mercado completamente distinto, deve servir como exemplo. Ao invés de lutar contra o fenômeno, a marca agiu de forma inteligente. Ela credenciou com o selo Mariott casas de pessoas que alugavam um quarto e indicou clientes provenientes do programa de lealdade que a rede cultiva. No final de tudo, a rede negociou algo em entre 10% e 20% de participação no revenue do locatário do quarto

A tendência veio para ficar, especialmente porque é regida por três grandes forças: social (as pessoas compartilham mais, por exemplo), econômica (escassez de recursos) e tecnológica (ascensão de uma geração que cresceu com a internet e se conecta com outras pessoas em proporções muito maiores do que antes).

Nos últimos meses também teve início uma revolução no mercado financeiro, ainda na infância, no Vale do Silício, que promete estabelecer de vez a economia colaborativa no dia a dia das pessoas: um sistema para se obter dinheiro de outras pessoas, não de bancos.

Diversas startups começam a desenvolver plataformas que conectam diretamente quem poupa a quem toma dinheiro. Isso representa juro menor para o consumidor e transforma o sistema em algo mais seguro, pois, por exemplo, o dinheiro não pode ser retirado a qualquer momento.

Os primeiros esforços que apareceram revelando esse fenômeno eram chamados de “peer-to-peer (P2P) lending”. Basicamente, as pessoas publicavam na internet coisas que precisavam de empréstimos para serem concretizadas (cirurgia plástica, uma extensão da sala de casa etc.) e outras pessoas se ofereciam para conceder o empréstimo, com diferentes taxas. Sem bancos, sem intermediários. Por falta de rigor e maturidade do fenômeno, mais da metade desses empréstimos falharam.

Hoje, olhando para os Estados Unidos, berço da tendência, as operações estão mais refinadas e consideravelmente mais profissionais. E, assim, estão crescendo. A espinha dorsal dessa transação não é mais apenas o modelo “peer to peer”, já que o dinheiro emprestado para essas transações vem de um conjunto diversificado de investidores, não só de indivíduos. Agora há alguma espécie de intermediação, fornecida pelas melhores plataformas.

A grande revolução é essa: as novas plataformas são capazes de criar um mercado onde os credores e devedores podem encontrar um ao outro e concordar (ou não) com os termos, sem qualquer envolvimento de bancos de varejo ou empresas de cartão de crédito. Um novo mercado nasce. Uma grande oportunidade, um desafio que chacoalha as convenções do sistema financeiro no mundo.

É possível que em um futuro não tão distante esse tipo de modelo conquistará uma boa fatia de mercado e novos produtos estarão disponíveis, com crédito imobiliário, seguros etc. Crédito ao consumidor é simplesmente a primeira carta que está sendo tirada do castelo do sistema tradicional.

Um mercado está surgindo. A ruptura continua. As corporações, do sistema financeiro ou não, ainda podem escolher em qual lado da história querem estar. E aí se incluem os taxistas. Fazer parte dessa revolução repensando modelos de negócios e fomentando essas iniciativas (encontrando uma denominador comum para o tipo de retorno que espera) ou assistir de camarote e provavelmente serem guilhotinados? É um caminho sem volta.

 

Por: Gabriel Rossi

Gabriel Rossi é palestrante, sócio fundador da consultoria em branding digital que leva o seu nome.