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IPO do Twitter não é suficiente para garantir sua estabilidade

Será que os números garantem sua permanência no mercado de ações e naturalmente nos corações e bolsos dos consumidores? Na verdade, não há qualquer garantia

Por Gabriel Rossi - 27/11/2013

Recentemente, presenciamos o sucesso do IPO do Twitter. A oferta inicial de ações chegou a surpreender aqueles que não aproveitaram a oportunidade para “pegar” um pedacinho do microblog. As ações da empresa foram negociadas a US$ 45,52 no primeiro dia. O montante negociado foi tanto que Jack Dorsey, um dos fundadores do microblog, viu a própria fortuna saltar para U$ 2,1 bilhões. Mas será que estes números garantem sua estabilidade no mercado e naturalmente nos corações e bolsos dos consumidores? Com certeza, não há garantia. É preciso ter cuidado com este tipo de investimento.

Essa ação da rede social ainda gera muitas discussões e incertezas. O fato é que o modelo de monetização do Twitter ainda não é totalmente claro e maduro. Não há dúvidas, pelo ponto de vista do branding contemporâneo, que o microblog é uma marca forte, verossímil e influente. No entanto, aqui vale um conselho: marcas fortes não resistem sem um plano de negócio sólido e racional.

Para fazer um comparativo, o Facebook também fez uma oferta inicial das ações e chegou a arrecadar mais de US$ 16 bilhões, sendo considerado o maior IPO da história de empresas de internet norte-americanas. O Twitter conseguirá produzir ganhos sólidos e cada vez maiores sem “alienarem” usuários que não querem ver uma chuva de anúncios em seus smartphones etc.? Esse talvez seja o calcanhar de Aquiles de Dorsey.

Outra questão importante envolve a inevitável batalha entre o Twitter com o Facebook. A rede de Mark Zuckerberg  integrará cada vez mais uma internet dentro dela. Sim, será a internet dentro da internet. Hoje, os internautas passam tempo na rede social “conversando” com amigos, ouvindo músicas e fazendo compras. Os próximos anos reservarão ainda mais funcionalidades ao Facebook. Ninguém precisará sair dele para usar ferramentas da web. Como era de se esperar, o Facebook já introduziu características que permitem que seus usuários conduzam conversas cada vez mais dinâmicas em tempo real, como, por exemplo, fazem no Twitter. Para enfrentar os problemas, o pássaro da internet precisa continuar adquirindo startups. Eles compraram, por exemplo, o MoPub, uma empresa de publicidade móvel em San Francisco, por um valor estimado de US$ 350 milhões. Entre outras coisas, o MoPub ajudará o Twitter a colocar os anúncios que vendem em outras redes móveis. Essa capacidade fará da rede um concorrente mais forte contra o Google e Facebook.

Outra questão que salta aos olhos é o fato da empresa dos 140 caracteres não ser completamente madura no ponto de vista organizacional. Diversas brigas quase destruíram a firma durante sua caminhada ao pregão. A empresa começou em 2006 como um projeto paralelo na Odeo , uma iniciativa de podcasting  financiada por Evan Williams. Uma vez que o Twitter começou a ascender, surgiram diversas desavenças entre alguns dos co-fundadores, que incluem Williams,  Biz Stone e Jack Dorsey. Noah Glass , que criou o nome Twitter, foi a primeira figura de destaque a ser expurgado. Dorsey, que se tornou o primeiro presidente-executivo do Twitter, foi posteriormente deposto em um golpe engendrado pelos investidores e pelo próprio Williams, que assumiu o comando.  Essa batalha entre egos e imaturidade não achará espaço no mercado de ações.  Parece que medidas foram adotadas para que esse potencial caótico da empresa não interfira no curso de ascensão da marca no mercado. Ela deu, por exemplo, um passo importante ao trazer experientes executivos este ano para reforçar a equipe.

Apesar dessas preocupações, o Twitter tem algo bem positivo a seu favor. O foco da marca é cada vez mais concentrado nos smartphones e similares. Sendo assim, ela pode se beneficiar cada vez mais da transição dos usuários para esses meios de comunicação. E este é um momento importante para essas iniciativas. Um recente estudo da organização americana Pew Research Center apontou um crescimento de usuários que deixam a rede de Mark Zuckerberg – e a maioria adolescentes – para usar o Twitter e outros aplicativos alternativos, como o WhatsApp, por exemplo. Segundo a pesquisa, no período de um ano, o público jovem do Twitter cresceu 50%.

Ainda é importante lembrar que a popularidade da ferramenta com celebridades, ativistas, políticos de renome etc., será um fator importante para a promoção e fortalecimento da marca e suas atividades. Sabendo manter o valor da própria marca, grandes empresas como o Twitter, aqui em questão, terão sucesso em suas empreitadas corporativas sem deixar afetar o público ativo e antenado.  Afinal, é o consumidor satisfeito que garante o sucesso da marca também no mercado de ações.

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Por: Gabriel Rossi

Gabriel Rossi é palestrante, sócio fundador da consultoria em branding digital que leva o seu nome.