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As duas faces do Marketing de políticos eleitos

Haddad, Lacerda e Virgílio eram entusiastas da internet, mantinham diversas formas de chegar ao eleitor e de receber dele sugestões e reclamações. Eleições ganhas, fim de tudo

Por | 28/05/2013

marketing@mundodomarketing.com.br

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Fernando Haddad, Márcio Lacerda e Artur Virgílio. Não importa a filiação partidária, os interesses ou até os pontos de vista. O que os três prefeitos - de São Paulo, Belo Horizonte e Manaus - têm em comum é a maneira anômala de tratar o eleitor antes e depois da eleição. Na área da comunicação, por exemplo, são eles aprendizes de Jano, o deus romano que deu origem ao nome do mês de janeiro, conhecido por ter duas faces, uma olhando para a frente e outra para trás.
 
Passados meses da posse de prefeitos e vereadores no Brasil, já temos um período que propicia afirmar que grande parte dos candidatos que se elegeram - incluindo estes três prefeitos - mudou de uma posição democrática de trocas de ideias com a população para uma atitude de reclusão cercada de poder. A comprovação pode ser aferida pela mudança de postura nos pontos de contato com o cidadão.
 
Até outubro, ou no máximo novembro, de 2012, Haddad, Lacerda e Virgílio eram entusiastas da internet. Sites, blogs, redes sociais... mantinham diversas formas de chegar ao eleitor e de receber dele sugestões e reclamações. Eleições ganhas, fim de tudo. O Twitter dos três, por exemplo, está desativado desde que foram eleitos. E não há qualquer explicação a seus milhares de seguidores.
 
A situação não é nova, é verdade. A presidente Dilma Rousseff foi a primeira a abandonar o Twitter dias depois de sua eleição. Desde 2010, após pedidos de apoio para chegar à Presidência da República, nunca mais foi capaz de postar qualquer dado ou informação na rede. E olha que lá está uma mensagem clara, de 16 de novembro de 2010: "Vamos continuar conversando aqui de vez em quando. Aproveito p/agradecer as muitas mensagens de carinho de vcs (sic). São um grande estímulo". Infelizmente, a promessa não virou realidade.
 
Os três prefeitos e a presidente Dilma são apenas alguns exemplos do que não se deve fazer no marketing político na era digital. Os políticos ainda tratam as redes sociais como uma brincadeira passageira, algo que pode ser abandonado da noite para o dia, como uma ferramenta para ganhar votos, nada mais. Falta olhar para a web como um canal revolucionário de pesquisa, aprendizado, branding e comunicação direta com milhões de pessoas. Não é possível ter uma face antes do voto e outra depois.
 
Um conceito que vem crescendo ao longo dos últimos anos em diversos países é o de "Governo 2.0", em que os cidadãos podem, por meio de ferramentas abertas e livres, participar dos governos. Isso começa de um processo simples: a abertura de dados. Um exemplo interessante é o do vereador de São Paulo Floriano Pesaro. Em seu site, o cidadão pode opinar sobre assuntos de interesse do município, além de poder "votar" nas propostas enviadas pelo vereador à Câmara, antes mesmo que os próprios parlamentares paulistanos o façam. O visitante ainda pode conferir todas as despesas do gabinete, mês a mês, e fazer sugestões para seu mandato. Além disso, o parlamentar mantêm suas redes sociais constantemente atualizadas. Não o conheço, mas cito o caso exatamente pela boa iniciativa.
 
Segundo as mais recentes pesquisas, o Brasil tem hoje cerca de 80 milhões de internautas com idade acima de 16 anos. Destes, 46 milhões acessam regularmente a internet. Levando-se em conta que o País tem cerca de 130 milhões de eleitores, os números são expressivos e por si só já mostram a importância da web para o candidato que deseja se destacar na eleição. Mas a relevância não para no candidato. Continua, sim, para o eleito, o representante da sociedade à frente do poder público.
 
Quem desejar ter sucesso na carreira política precisa ser humilde, não apenas na aparência. O eleitor conhece mais de internet do que os candidatos ou os partidos. As "marcas" políticas não podem menosprezar este conhecimento e devem apresentar novas formas de aproximação e debate, antes, durante e depois da eleição. Abandonar o eleitor após o objetivo conquistado contribuiu apenas para aumentar a antipatia do cidadão em relação à política.
 
Já se vão quase 20 anos do surgimento efetivo da internet no Brasil. Porém, ainda falta um trabalho estratégico bem elaborado, sério e profissional por parte dos políticos quando o assunto é marketing digital. A internet não é brinquedo que pode ser abandonado pela criança quando se ganha um novo.

Por: Gabriel Rossi




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