Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Artigos

Alice, este não é o País das Maravilhas

Como diz o ditado popular, ?o buraco é mais embaixo? quando olhamos com lupa a nova classe média. O Brasil pintado de rosa não é o da Aline no País das Maravilhas

Por | 17/12/2012

marketing@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

 

É excessiva, em alguns aspectos, toda a empolgação obnubilada por parte de intelectuais e da opinião pública (em sua maioria) em torno da nova classe média - maior fatia de famílias com renda entre três e 10 salários mínimos. Não estou sendo sarcástico, senhores leitores (embora corteje - sem parcimônia - o sarcasmo). Aqui também guardo minha ironia e personalidade talvez elitista (embora prefira ser chamado de seletivo, acho a crítica (elogio?) justa se restrita, tão somente, ao meu encanto pela alta cultura, cinema sem explosivos (sétima arte de verdade) e pelo conhecimento em geral, pois precisarei delas depois. Também não rejeito, completamente, o argumento de sociólogos de que boa parte da população brasileira saiu do nível de pobreza. É verdade. Na verdade, meia verdade. 
 
Esta classe C, excessivamente endividada, que hoje exibe sua TV de plasma ou o último modelo de IPhone, ainda vive em situações tristes e preocupantes, muitas vezes em comunidades sem saneamento básico ou em áreas de risco de acidentes geológicos, por exemplo. Por esse ponto de vista, o glamour brasileiro é uma comédia sem a mínima graça. O sonho brasileiro, ainda por esse olhar, é uma historinha boba. Demagoga. Muitas vezes tenho a sensação que este país, em questões específicas, é de quinto mundo (não vou descambar para essa discussão). Quero falar sobre marketing. Ele é minha única ideologia, acreditem. Vou parar por aqui porque não suporto pieguice...
 
Em um primeiro olhar, este cenário, para nós marketers que gostamos de desafios, é um mar de rosas. Mas será que estamos olhando a conjuntura sócio-político-econômica de forma inteligente e madura? Possuímos realmente a prerrogativa do argumento de que entendemos, de forma sine qua non, as necessidades, cenários sociais, carências e desafios deste novo consumidor, indiscutivelmente mais iconoclasta, influente e digital?
 
Vamos olhar pelo lado menos cético. Você já ouviu falar sobre o bônus demográfico? Este é o momento em que grande parte das pessoas está em determinada faixa etária que facilita o crescimento econômico. É, em suma, quando há um enorme contingente da população em idade produtiva e um menor número de idosos e crianças. Altas taxas de natalidade e de idosos agravam problemas sociais, já que essas duas "categorias" em geral não trabalham e demandam gastos. O Brasil, acredite, está exatamente no momento de seu bônus demográfico. 
 
Sua população é majoritariamente adulta, produtiva. Um momento especial, anseio de todas as nações. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a taxa de fertilidade da mulher brasileira é hoje de 1,8 filho, em média, índice baixo, bastante próximo ao dos países ricos (1,7 filho por mulher). Isso é bom, e faz parte deste chamado bônus demográfico. Se o país aproveitar, esse bônus demográfico permitirá que a renda per capita do brasileiro aumente 2,5% ao ano entre 2010 e 2050, de acordo com projeções dos especialistas. É chance de termos uma real classe média. Sonho com esse pessoal verdadeiramente incluído digitalmente (não estou falando apenas de tecnologia), além de tudo. A inclusão digital será a verdadeira revolução do consumo brasileiro.
 
Na política, esse público começa a fazer a diferença. Essa nova classe C é pragmática, busca gratificação instantânea (principalmente na web), se interessa e revindica aspectos da micropolítica - proximidade das escolas, qualidade de atendimento do serviço público etc. A classe média tradicional ,  especificamente, está interessada em questões mais abstratas. Além disso, quem trabalha com marketing político precisa considerar que este é um segmento da sociedade que não pretende perder o que conquistou e quer continuar ascendendo, e com certeza irá punir os candidatos que não têm compromisso de estabilidade econômica. Hoje ela é extremamente valorizada porque significa perspectiva de ascensão social. 
 
O brasileiro não tolera mais sustos financeiros como os milhões vividos na época da inflação galopante e dos mirabolantes planos econômicos que chegaram literalmente a matar pessoas. Quem não se lembra do vexatório Plano Collor e de suas inúmeras vítimas que acordaram num dia qualquer e descobriram suas economias confiscadas? Você, profissional de marketing da área, precisa pensar em micro segmentação, em conteúdo verdadeiramente relevante e eliminar os preconceitos da tal (acho esse termo derrogativo) "orkutização". Além disso, deve pensar mais coerentemente no poder do telefone celular. Geolocalização!
 
Se a classe média está atenta aos políticos, imagine como está se relacionando com as empresas e os prestadores de serviços. Analisando a história das relações de consumo no Brasil, desde as conquistas democráticas até o Código de Defesa do Consumidor instituído no final de 1990 e passando também por uma competição mercadológica crescente para concorrer inclusive com empresas e produtos estrangeiros, percebe-se um aumento na plasticidade do consumo. Antes tímido até para realizar uma troca, o comprador dá mais valor ao tempo, a feedbacks e relacionamento. 
 
As redes sociais contribuíram muito (obviamente) para essa mudança de comportamento. E o público feminino é o mais representativo. Um exemplo é a mãe acima de 30 anos (mamãe facebook) que trabalha e não tem muito tempo, mas que quando utiliza a internet o faz de modo extremamente eficiente, debatendo sobre produtos, sobre serviços, seus filhos e também sobre política. Este talvez seja o público mais cacofônico da web social.
 
O Brasil pintado de rosa por parte de intelectuais e da opinião pública não é o da Alice, aquela do País das Maravilhas. Como diz o ditado popular, "o buraco é mais embaixo" quando olhamos com lupa a nova classe média. E os profissionais de marketing não podem se iludir. Ao contrário, devem ser os primeiros a perceber a realidade.

Por: Gabriel Rossi








Comentários

Artigos do autor:

Os Fundamentos do Marketing Eleitoral em 2018

Branding do século 21: É Hora de Avançar

5 segredos das marcas que superam desafios econômicos

O Publicitário e profissional de marketing marxista

Extensão de marca: mitos e verdades

Empreendedores de Palco. Entenda como o setor do sonho funciona

Donald Trump e seu House of Cards

Economia Colaborativa, Uber e o Mercado Financeiro

As marcas precisam sair de cima do muro

"Novo normal" e a China: Um olhar pela ótica do marketing

Serão necessários vários anos para Petrobras recuperar a credibilidade

Como gerenciar marcas vencedoras durante a má fase econômica

Reserva e os patrulheiros de plantão

O líder charme e o inocente: arquétipos das marcas

Marketing pessoal, charlatões e os missionários digitais

O Marketing exposto no museu

IPO do Twitter não é suficiente para garantir sua estabilidade

O Marketing vai muito bem, obrigado, senhor Kevin Roberts

Chega de graça

A hora e a vez das mulheres

O passado como ferramenta do presente

Irene e o Marketing

As duas faces do Marketing de políticos eleitos

O Marketing da diversidade

Ainda não é a vez da China

Locaweb e as pragas do Egito

Reposicionando seu concorrente

A mamata acabou: bancos, bem-vindos ao mundo novo

Alice, este não é o País das Maravilhas

Marketing, branding e o fim do mundo

Eleição sem internet, mais uma vez

Lugar de guru e charlatão é fora do Marketing

Em defesa do Marketing

Sociografia: um novo conceito de análise para as marcas na internet

Ano Eleitoral. Marketing político digital é coisa séria

A verbalização das marcas

Eleições 2012: É hora de desmistificar o case Obama

Estado Digital e os webdesafios de Dilma Rousseff

A estratégia de Ben Self terá sucesso no Brasil?

Mídias sociais: o debate precisa desesperadamente evoluir

O real glamour do branding digital

Uma conversa com Denise Lee Yohn sobre branding moderno

Dança frenética do branding e o pensamento de VanAuken

A Bolha da Marca na Era Digital



Publicidade

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss