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Mercado

Impacto do e-commerce com o coronavírus

Pandemia anunciada pela OMS traz uma oportunidade alavancar negócios ao mesmo tempo em que contribuem para evitar o contato interpessoal durante a crise

Por Gabriel Lima - 19/03/2020

Desde 2008, quando era totalmente desaconselhável investir em qualquer tipo de negócio devido a maior crise financeira global das últimas décadas que assolou o mundo naquele ano, o setor de e-commerce vem andando na contramão das tendências econômicas registra um bom crescimento desde então. Mesmo com o cenário desfavorável era preciso pensar em uma saída, e estudos mostravam que a força da mudança no comportamento das pessoas iria impulsionar as vendas online, que eram mais eficientes pois permitiam a pesquisa de diversas opções, a compra sem sair de casa e o recebimento do produto sem a preocupação de deslocamento até alguma loja.

Para a alegria daqueles que investiram nessa ideia, as previsões estavam corretas. Em 2020 a expectativa de crescimento do e-commerce no Brasil é de 18%, de acordo com a ABCOMM, mas devido às mudanças comportamentais não desejadas atreladas à disseminação do coronavírus e o amadurecimento do setor como um todo, existe a real possibilidade deste crescimento ser ainda maior. 

Com o COVID-19 batendo na nossa porta, a mudança no comportamento das pessoas acontecerá não pela influência dos avanços tecnológicos, e sim por fatores ambientais e sociológicos gerados pela disseminação do vírus. Isso fará com que as expectativas em torno do crescimento do e-commerce sejam ainda maiores, pois para se prevenir da doença as pessoas ficarão mais em casa e buscarão realizar as suas compras por meios online para evitar frequentar locais públicos. Além disso, muitas pessoas que ainda tinham algum preconceito com a compra online, se darão a chance de experimentar este meio pela primeira vez. 

Algumas categorias, como as de alimentos & bebidas, fármacos, higiene pessoal e beleza, devem notar um crescimento significativo, pois haverá uma demanda crescente por produtos e bens essenciais durante o período de pico da crise. Vídeos streaming e delivery de restaurantes também devem ter o volume de vendas acelerado. Outras categorias de bens não duráveis como livros, moda & acessórios e automotivos devem sofrer pouco com a queda de demanda, pois continuarão a ser procurados. Por outro lado, os bens de consumo duráveis e de alto valor tendem a perder participação, pois os consumidores priorizarão outras compras até haver uma maior estabilidade social e econômica.

Se compararmos com o que houve na China durante as fases mais críticas do surto, bens chamados utilitários tiveram picos de vendas, enquanto que a venda de bens de luxo apresentou uma breve queda que está retomando apenas agora, quase 3 meses depois do início do problema no país.

Além disso, pudemos observar, tanto na China quanto na Europa e em menor medida nos EUA, que muitos produtos essenciais desapareceram das prateleiras das lojas e mercados devido a elevada demanda. O tempo de reposição e a capilaridade das lojas físicas faz com que esse produtos possam demorar a voltar, enquanto que as compras planejadas do e-commerce, assim como o estoque centralizado e controlado, tendem a ser mais eficientes no processo de reposição das rupturas, o que será benéfico tanto para o empreendedor, que vê uma oportunidade de aumentar seus negócios ao mesmo tempo em que ajuda as pessoas a terem acessos a produtos que estão ficando escassos nas lojas físicas, quanto para o consumidor, que conseguirá ter em mãos os produtos necessário para o cuidado com a sua saúde.

Por: Gabriel Lima

CEO da Enext