Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Artigos

A vez do novo consumidor. Uma Reflexão sobre o Negócio do Turismo

As novas relações de negócios têm requerido das empresas respostas rápidas e principalmente propostas inovadoras. Vivemos há algum tempo a era da troca de experiências

Por | 24/08/2016

pauta@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Antes de se fazer qualquer consideração sobre a indústria do turismo e especialmente em relação às viagens ao exterior, precisamos primeiro entender quem é o consumidor atual e suas mudanças comportamentais ocorridas na última década no Brasil. O acesso à internet e à informação, aliado ao aumento do poder aquisitivo, ascensão de algumas classes socioeconômicas e crescimento da complexidade urbana, provocaram uma verdadeira revolução na mente das pessoas.

Um estudo recente do Instituto Nielsen, Mudanças do Mercado Brasileiro, destaca que os consumidores conquistaram um novo padrão de consumo, com acesso a produtos e serviços diferenciados. Contudo, eles se veem agora diante de uma nova e desafiadora situação de aprender a lidar com eventuais instabilidades econômicas globais, pois não querem perder o que conquistaram. A atividade turística, até então considerada secundária na escala de prioridades dos consumidores, deixou de ser vista como um luxo e/ou capricho. Uma vez atendidas as suas necessidades básicas, eles passaram a correlacioná-las com outras, como status, cultura e lazer. Consequentemente, alguns atributos intangíveis ganharam força no processo de decisão de compra em viagem, tais como: satisfação pessoal, realização de sonho, fuga do cotidiano, entre outros.

Até este momento, provavelmente a maioria das informações são de conhecimento dos profissionais ligados ao segmento. Todavia, o que precisa ser evidenciado é que a complexidade alcançada pelo negócio do turismo exige do mercado um investimento brutal em pesquisa para tentarmos entender os movimentos atuais e futuros dos consumidores em relação à viagens ao exterior. Além disso, como traduzir estas informações estratégicas em negócios, especialmente em momentos de turbulência como os vividos atualmente.

O turismo receptivo requer o mesmo comportamento de análise do mercado
Apesar de termos atingido um número recorde de turistas estrangeiros em 2014, com um crescimento de 10% em relação a 2013, podemos considerar os números absolutos incipientes se olharmos o potencial do país. Por exemplo, quando em 2013 o Brasil atingiu a marca aproximada de 6 milhões de turistas estrangeiros, somente a região da Catalunha havia recebido no mesmo período 14 milhões de turistas.

Diante destes fatos, reitero então à necessidade de investimentos massivos em pesquisa. Será que sabemos em termos qualitativos quem é o turista que vem ao Brasil, quais seus interesses, desejos e expectativas em relação ao país? E será que estamos divulgando corretamente o país no exterior?

Independente de situação política e econômica e de alguns problemas estruturais em alguns segmentos da cadeia produtiva do turismo, talvez tenha chegado o momento de uma profunda reflexão e do setor pensar no desenvolvimento de um grande "Data Center Turístico". Uma central independente de inteligência contendo informações estratégicas, tendo como parceiras as principais instituições públicas e privadas do segmento, responsável por analisar e, de forma frequente e objetiva, partilhar informações, resultados qualitativos/quantitativos e cenários em prol do crescimento sustentado do turismo nacional.

Um outro item importante a ser considerado é que precisamos parar de olhar a atividade turística somente como um mera geradora de receitas e de circulação de renda. Com o auxílio deste Data Center Turístico, poderemos ampliar a visão econômica do turismo e entendermos também sua contribuição social, tanto na possibilidade de capacitação de jovens em todas as regiões do país, como na geração de novos negócios e diversificação de produtos e serviços. O crescimento da circulação de renda não deve ser a causa, mas sim o resultado de um grande processo de investimento da atividade econômica no setor e, consequentemente, de melhoria na qualidade de vida da população.

Infelizmente, ainda não possuímos informações consistentes, abrangentes e disponíveis sobre a expectativa da população em relação a atividade turística no país. Apesar da indústria do turismo influenciar muitos setores da economia, ainda assim precisamos saber como a população em geral vê a indústria nos dias de hoje e projeções futuras, com o objetivo de manter o seu nível de competitividade.

O novo consumidor está assumindo o controle do negócio
Um estudo da Accenture destacou que as companhias que crescerão significativamente nos próximos anos provavelmente serão aquelas capazes de monitorar constantemente as mudanças no comportamento do consumidor. A pesquisa apresentada em 2013, denominada Energizing Global Growth: Understanding the Changing Consumer, concluiu que as empresas capazes de entender e trabalhar com rapidez e agilidade essas variações no comportamento de consumo serão aquelas que potencialmente ficarão nos próximos anos com uma parte dos trilhões de dólares em crescimento ao redor do mundo.

O estudo destaca também a necessidade de investimentos em ferramentas avançadas de análise, que nos permitam avaliar estrategicamente as mudanças e interpretar os dados de consumo. Com estes resultados, as empresas estarão equipadas para melhorar a experiência do consumidor com o serviço. Além disso, a pesquisa enfatiza a importância de se investir nas habilidades relevantes da força de trabalho. Ou seja, capacitar para vender melhor, ser mais assertivo e não simplesmente para vender mais.

Um outro estudo, realizado pela trendwatching.com, denomina esses novos consumidores de "transumers" - consumidores impulsionados por experiências. Criar e oferecer experiências únicas para o mercado será, cada vez mais, a mola propulsora dos negócios em toda a cadeia produtiva do turismo. E, neste caso, estaremos trabalhando na essência do marketing: criar e saber administrar demandas.

Os principais desafios para estar competitivo neste novo ambiente
Nos dias atuais, as decisões por viagens, especialmente ao exterior, tendem a se concretizar através de uma combinação de diversos fatores, tais como uma boa relação custo x benefício e condições flexíveis de pagamento. Além disso, para continuarmos competitivos, o mundo atual nos impele a desenvolvermos estratégias e implementá-las quase que em tempo real.

De acordo com uma pesquisa recente da ABI Research, empresa americana especializada em tecnologia, mais de 40 bilhões de dispositivos sem fio estarão conectados em 2020. Um mix de pessoas, processos, dados e coisas, gerando bilhões de conexões e/ou informações relevantes. Consumidores estão cada vez mais conectados, interagindo com empresas e outros consumidores na pesquisa ou compra de produtos e serviços da cadeia produtiva do turismo. Com isso, nesta "caminhada interativa" eles compartilharão mais e mais experiências, elogiarão e/ou criticarão numa velocidade assustadora qualquer tema que possa causar impacto relevante em suas vidas.

O negócio do turismo é movido por uma série de atributos intangíveis e não podemos ficar alheios a este fato, pois os efeitos deste novo ambiente conectado vêm afetando há algum tempo a dinâmica das relações entre empresa e consumidor ao redor do mundo. Neste contexto, para minimizar riscos e ampliar o nível de competitividade, no meu entendimento precisaremos enfrentar três desafios importantes: sermos ágeis e transparentes, aprendermos a gerenciar o stress e gerarmos permanentemente conteúdos relevantes. Tendo sempre como aliado o investimento robusto e constante em pesquisa, tanto nas relações B2B como B2C.

Os consumidores e parceiros de negócios "exigem", cada vez mais, a individualização da relação. Como disse anteriormente, a competição é praticamente em tempo real e precisamos ser extremamente ágeis tanto no desenvolvimento de ações como também no relacionamento com todas as partes interessadas ao negócio. Uma organização lenta, seja em processos, comunicação e/ou relacionamento, por exemplo, tende a ter sua marca fragilizada no mercado. Além disso, transparência é fundamental em qualquer relação e não pode ser diferente no negócio do turismo. Antecipar às situações de crise e responder rapidamente às demandas também são atitudes importantes para quem quer se manter competitivo. E as redes sociais são imprescindíveis neste processo, até porque 85% dos internautas brasileiros ativos estão neste ambiente com um tempo médio diário gasto de quatro horas.

Precisa-se também estabelecer uma ordem de relacionamento que contribua para a redução do stress, cada vez mais frequente nas relações de negócios. E uma importante contribuição está no desenvolvimento de campanhas com conteúdos de comunicação e vendas que visem conquistar o interesse das pessoas ao invés de tentar "comprá-las". As estratégias de Inbound Marketing dentro do Marketing Digital podem se tornar o grande diferencial para sairmos de situações adversas, pois trabalham de maneira mais integrada as áreas de marketing e vendas na geração de conteúdos relevantes, que funcionem como catalisadores no processo de decisão de compra.

Os desafios são imensos e adversidades sempre existirão pelo caminho. Porém, quem estiver preparado para a competição neste novo ambiente de negócios em constante adaptação poderá se diferenciar no mercado de forma efetiva e mensurável. Neste contexto, não custa nada lembrar de uma célebre frase atribuída a Charles Darwin, que alguns estudiosos contestam e afirmam ser de Leon C. Megginson, professor da Louisiana State University, num discurso em 1963, onde apresentou a sua interpretação da ideia central de A Origem das Espécies de Charles Darwin: "Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças". Independente de quem a proferiu, ela pode ser inspiradora para todos que desejem alcançar a sustentabilidade de seus negócios dentro do turismo.

Por: Francisco Guarisa

Diretor de Marketing para o mercado brasileiro da TAP Portugal






Comentários


Publicidade

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2015.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss