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Comportamento do Consumidor

Diversidades da Diversidade

A inclusão de pessoas que percebem o mundo e interagem com ele de forma diferente do que estamos acostumados é um desafio enorme

Por Flavio Ferrari - 02/07/2021

Diversidade é uma palavra que passou a distinguir as organizações (e marcas) socialmente responsáveis daquelas menos preocupadas com isso.  Poderíamos dizer que é um “xibolete”, ou seja, ao incorporarem essa palavra em suas narrativas, as marcas demonstram que fazem parte de um grupo diferenciado.

Mas, obviamente, para ter valor verdadeiramente distintivo, a palavra deve ser acompanhada de ações concretas, e isso está acontecendo. Na mídia, predomina a repercussão das iniciativas ditas “afirmativas”, para balanceamento estatístico de mulheres e negros no quadro de colaboradores, entre lideranças e nos conselhos, além da remuneração igualitária. Empresas como Magazine Luiza, Diageo e P&G são exemplos recentemente divulgados.

Há quem critique, tendo como argumento que outros públicos vitimados pela desigualdade estão sendo excluídos, ou a existência de conflito com a ideia de “meritocracia”, um princípio considerado muito importante nas últimas décadas.

Alguns defensores da ideia de inclusão seletiva também questionam o processo de seleção, por tender a favorecer os mais privilegiados, que apesar das dificuldades, conseguiram alcançar um bom padrão educacional e que são capazes de corresponder ao “fit cultural” desejado pelas organizações e, nesse sentido, não estaria contribuindo para resolver efetivamente os problemas gerados pelas desigualdades estruturais historicamente acumuladas.

Mas as ações pela diversidade têm suas diversidades, como o programa educativo do GPA dirigido a pessoas com mais de 55 anos, ações filantrópicas voltadas para a formação de jovens menos favorecidos da PwC, ações direcionadas à diversidade de gênero da Sodexo, a exigência de compromisso dos fornecedores da J&J, apenas para citar algumas das quais tenho notícia.

Recentemente, uma iniciativa inclusiva particularmente relevante chamou minha atenção. A Iguatemi, gestora dos sofisticados shopping centers, incluiu entre suas ações pela diversidade a contratação de pessoas com autismo. Pessoas com o transtorno de espectro autista, uma síndrome que se caracteriza pela dificuldade de interação social e por comportamentos e atitudes incomuns, em diversos graus, têm maior dificuldade para corresponder às expectativas sociais.

Não se trata de uma diversidade de aparência ou gênero, e vai além da questão do preconceito estrutural em relação à neurodiversidade. A inclusão de pessoas que percebem o mundo e interagem com ele de forma diferente do que estamos acostumados é um desafio enorme, e traz benefícios não apenas para essas pessoas, mas para todos no seu entorno, particularmente no que se refere à aceitação da diversidade humana em todos os seus aspectos.

Vivian Broge, Diretora de Recursos Humanos da Iguatemi e responsável pela condução da iniciativa nos fala sobre seu impacto:

“Na Iguatemi, acreditamos que ao fomentar a diversidade, aumentamos a nossa capacidade de gerar valor para todas as pessoas. Quando contratamos talentos neurodiversos, acolhemos, aprendemos e evoluímos juntos, com maior nível de consciência e empatia. Por isso, estamos cada vez mais comprometidos com a equidade de oportunidades, fator essencial para que a inclusão aconteça, seja na perspectiva humana, de desenvolvimento de produtos e de oferta de serviços.”

A diversidade das iniciativas pela diversidade, como parte da responsabilidade social organizacional, também é importante para a evolução da sociedade. 


 

Por: Flavio Ferrari

Flavio Ferrari é Head of Ad Innovation & Strategy da CNN Brasil.