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Marcas saem do salão e a culpa é do…digital!

Em 2020, o Salão do Automóvel completa 60 anos de idade, e dessa vez com uma enorme mudança. Porém, na minha humilde opinião, é preciso que se pense mais em experiências digitais

Por | 17/02/2020

felipe@felipemorais.com

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Salão do Automóvel sempre foi, pelo menos para mim, um dos eventos mais esperados. Fui em 4 ou 5. Confesso que, mais jovem, me interessava muito mais, agora, aos 40 anos, perdi um pouco o interesse, até porque nem carro eu tenho mais interesse em ter. Em casa, temos um carro e está ótimo. Adoro andar por São Paulo de metro e ônibus, consigo ler e escrever artigos sentados no transporte público. E não me estresso com motos, motoristas mau educados ou avenidas paradas. Mas com certeza, não é esse o problema que fez com que as marcas tomasse uma atitude drástica em 2020.

60 anos. Com mudança

Em 2020, o Salão do Automóvel completa 60 anos de idade, e dessa vez com uma enorme mudança. Tradicionais marcas não mais farão suas exposições no evento. Em média, 38 montadoras expõe seus automóveis no salão. Além dos tradicionais, já vendidos nas cidades brasileiras, o salão é um palco para novidades que virão no próximo ano e tendências. Ainda me recordo, em 2010, do case Fiat Mio, onde a Fiat criou um site para ouvir as opiniões das pessoas e depois criou um carro conceito para o evento. Um case de muito sucesso à época.

Das 38 marcas, que sempre fizeram parte do salão, 13 anunciaram que não vão participar do evento em 2020 - mais do que o dobro de desistências de 2018: BMW, Chevrolet, Citroën, Hyundai Motor Brasil, Jaguar Land Rover, Lexus, Lifan, Mini, Mitsubishi Motors, Peugeot, Suzuki e Toyota e Volvo. Marcas muito tradicionais do mercado brasileiro, como Toyota, Mitsubishi, Peugeot, Chevrolet, são marcas que figuram entre as TOP 10 em vendas no país. Isso é uma mudança muito drástica.

Chevrolet e o digital

A marca que mais chamou a atenção. Segundo comunicado oficial da montadora, "A nossa estratégia de vendas e marketing é baseada na experiência do cliente e o relacionamento do consumidor com a nossa marca vem se mostrando cada vez mais digital". De fato, para quem estuda o mercado digital há tempos, sabe que o mercado de automóveis está cada dia mais migrando para o online, o problema, mas isso ainda é um posicionamento brasileiro, é que a experiência digital se limita ainda no ambiente de portais e Redes Sociais, quando na verdade, essa experiência precisa migrar para as concessionárias e até mesmo para os carros.

Jornada mais digital

Faça uma rápida pesquisa. Jogue uma enquete em seu Facebook. Pergunte a sua rede de amigos qual o passo a passo ele faz para comprar um carro. Provavelmente a resposta se iniciará pelo Google ou Webmotors. Depois, vai migrar para os sites das montadoras, deverá passar pelo Facebook e Instagram até chegar na concessionária. O que a Chevrolet diz, na minha visão, é isso, a visita ao Salão do Automóvel é uma exposição de carro, caro, que já foi substituída por canais digitais. Com a verba destinada ao evento, a Chevrolet usa as plataforma digitais para engajar as pessoas com seus produtos e marca. Com essa verba, alguns milhões, os times de marketing digital da marca, conseguem impactar muito mais pessoas, por mais vezes, por mais tempo do que no Salão, até porque, quem vai ao Salão ver o Onix? As pessoas que lá estão, querem saber da Ferrari, Porsche e Lamborghini. Elas passam pela GM, Fiat ou Hyundai, mas esses carros, comuns, vemos todos os dias, e até muitos deles devem ter, não interessa.

E o futuro?

Em 2017, Walter Longo era presidente da Editora Abril, no encontro "Fórum Direções" já falava sobre a inovação dos carros. Por exemplo, os carros poderão ser, em breve, ser grandes aplicativos. Para atualizar o motor, por exemplo, as pessoas deverão conectar o carro em uma tomada e baixar uma atualização. Isso com um custo, claro. Se você acha que Walter está viajando, e eu mais ainda, por reproduzir, analise o mundo em 2000 quando seu celular não tirava foto e você não poderia ver o Netflix por ele.

Será que o Salão do Automóvel tem futuro?

Difícil falar isso agora! Seria leviano da minha parte, poderia soar como os gurus de marketing que mataram o email há alguns anos. Nenhuma das marcas, que em 2020 não participarão do evento, disseram ser uma decisão tomada, há chance de voltar, porém, na minha humilde opinião, é preciso que o Salão pense mais em experiências digitais.

Por: Felipe Morais

Felipe Morais é sócio da FM Consultoria e professor na ESPM, FGV, Senac, Metodista, Belas Artes e USP. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Somos Educação) e Transformação Digital Como a inovação digital pode ajudar no seu negócio para os próximos anos (Somos Educação)


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