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Antroposofia em Tempos Digitais

Será que nos comportamos todos da mesma forma no ambiente web? Que variáveis antropológicas, filosóficas, sociológicas, psicológicas, podem influenciar nesse comportamento?

Por | 10/07/2013

pauta@mundodomarketing.com.br

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Será que nos comportamos todos da mesma forma no ambiente web? Que variáveis antropológicas, filosóficas, sociológicas, psicológicas, podem influenciar nesse comportamento? Como é possível nos "segmentar" e "qualificar" de acordo com os diferentes papéis que exercemos nas esferas tribal, social, psicológica? E ainda: devemos entender o mundo e esses diferentes papéis/ comportamentos apenas como online vs online, ou deixar de lado essa visão simplista e encarar uma perspectiva omnichannel onde tudo se mistura em um continuo 360º ?

Confesso a vocês que quando recebi o desafio da curadoria da Casa do Saber de formatar um novo curso, baseado em meu segundo livro, mas com uma visão muito mais aprofundada do ponto de vista das ciências humanas, ao mesmo tempo em que me "assustei", me motivei com a falta de materiais sobre o tema e principalmente enxerguei aí uma possibilidade para promover o debate reflexivo e aberto, que precisava extrapolar as paredes da "Casa" e ganhar espaço ainda que apenas plantando uma sementinha, em um canal afim e de grande alcance como enxergo o Mundo do Marketing.

Early adopter, hi consumer, social engagement: diferentes perfis motivados por diferentes comportamentos digitais
Questões relacionadas a como cada individuo se relaciona com ele mesmo, com a sociedade e com a existência de forma mais ampla, podem via de regra impactar e até mesmo determinar sua relação com qualquer meio e não seria diferente no ambiente digital. Em um país em que o papel da internet na sociedade ganha cada vez mais espaço e importância, influenciando a vida de governos, consumidores, empresas e imprensa, entender minimamente esses diferentes perfis torna-se uma questão de "sobrevivência". Ao enxergarmos a influência da matriz de Johnson na tipografia de qualquer meio de comunicação e engajamento, podemos segmentar e posteriormente qualificar indivíduos em N possiblidades de clusters.

Recentemente estudei o tema com um professor de inovação na Kellogg Business School e este me fez entender que não necessariamente 2 sociedades precisam ter a mesma tipografia, identificada em clusters, ao mesmo tempo, ou seja, clusters podem mudar com o tempo de acordo com o amadurecimento e características comportamentais dessa sociedade. Tentando ainda entender essas variáveis, conseguimos identificar que no Brasil, diferentemente do que ocorre em países europeus, por exemplo, o peso de variáveis sociológicas é muito maior que de variáveis antropológicas (e isso tem muito a ver com nossa história e comportamento). Em países do oriente médio, o peso de variáveis filosóficas é consideravelmente maior que em outros lugares do globo, porque existe uma correlação direta entre filosofia e religião e, portanto, entre as influências que estas exercem.

Ao "clusterizar" a relação dos indivíduos com o meio digital e qualificar esses clusters, podemos afirmar que cerca de 80% dos indivíduos (conforme pesquisa empírica e observacional realizada com cerca de 300 brasileiros em 6 diferentes capitais), se aproximam de pelo menos um desses perfis:

Early adopter - no geral são indivíduos ávidos por novidades, flexíveis e enxergam na internet uma forma de estar "por dentro" do que de novo ocorre no mundo. Seja esse novo refletido em reportagens/ artigos através de feeds instantâneos de noticias, ou através de novas plataformas que possibilitarão inclusive outras formas de fazer e alavancar negócios online (como as plataformas de compartilhamento, por exemplo) ou ainda os tecnológicos, que utilizam da internet como meio para comprar, trocar ou inventar tecnologias. Do ponto de vista de empreendedorismo, podemos encontrar nesse grupo um número muito maior de jovens empreendedores quando comparado aos demais.

Hi consumer - aqui temos o grupo onde encontra-se a grande maioria dos viciados digitais (digital adction), termo cada vez mais comum e cunhado para designar indivíduos que passam grande parte do seu dia imerso em frente a tela do computador (ou de qualquer dispositivo) conectados na internet mas desconectados do mundo ao seu redor. Game adiction, Discount clubs adcition, mobile adiction, enfim, esse grupo é intenso e entende que consumir só vale a pena da mesma forma, sem regras, sem preocupação com o amanhã, é preciso aproveitar ao máximo tudo o que a web lhe proporciona, seja isso refletido em gastos desnecessários nos sites de compras coletivas porque esta muito barato ou em um game madrugada adentro com amigos virtuais porque é muito bacana.

Social engagement - felizmente esse é o grupo que mais cresce no Brasil digital. Bem verdade que por aqui ainda não tivemos nenhum fenômeno nem de perto parecido com a tal "primavera árabe" mas já é possível e cada vez mais comum ações voluntarias organizadas pelas mídias sociais (quase sempre via Twitter ou Facebook). Convocação de passeatas contra a corrupção ou contra o deputado supostamente homofobico na presidência da comissão de direitos humanos, redes de solidariedade para arrecadar mantimentos e roupas a vitimas de enchentes no RJ ou até mesmo uma corrente de solidariedade com rezas, poemas e carinho aos familiares que perderam seus filhos na tragédia de Santa Maria - RS. Esse é talvez o grupo onde as variáveis de cunho antropológico e sociológico tem maior influência e a preocupação com o outro, é sua marca registrada, enxergando na web apenas um canal para exercer essa preocupação.

Outra observação extremamente relevante e que vale a reflexão, é a forma como cada um desses grupos se relacionam nas diferentes esferas da vida. Se entendermos que cada um dos 3 grupos podem se relacionar de forma única e exclusiva com cada uma das 3 esferas, concluímos que temos 9 novas formas diferentes de se informar, de fazer negócios e de se entreter no ambiente digital.

Esferas social, tribal, psicológica:
Esfera social - esfera na qual interagimos e nos relacionamos com os outros. Marca principalmente o individuo qualificado como "early adopter" que enxerga como vital se aproximar e interagir com indivíduos que parecem entre eles. Os cools, os tecnológicos, os antenados.

Esfera tribal - esfera na qual nos afiliamos a grupos similares para  expressar nossa identidade.  Essa esfera caracteriza essencialmente os indivíduos qualificados como "social engagement" que enxergam entre si uma oportunidade continua de mobilização e buscam sempre a força do coletivo.

Esfera psicológica - esfera na qual conectamos a linguagem a ideias e sentimentos específicos. Muitos estudiosos dizem que um peso excessivo da vida dedicado a essa esfera, podem caracterizar válvulas de escape para problemas do subconsciente. Individuos "hi consumers" estão aqui fortemente representados. Seria como se games, cupons de desconto, dormir com o celular no travesseiro, fosse apenas um comportamento resultante de outros motivadores.

Por fim, gostaria de ressaltar que esse é apenas o inicio de uma reflexão que precisa ser aprofundada:  a intersecção de perfis, o impacto dos modismos digitais nesses perfis, o cross-midia on/ off line, merecem ser aprofundados.
 

Por: Fabricio Saad




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