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Campus Party 2011: Tecnologia a Serviço da Inovação

Encontro promove reflexão, desenvolvimento, troca de ideias e tendências que move um país

Por Fabricio Saad - 20/01/2011

Por Fabricio Saad*

Com  a participação ativa de mais de 6.800 inscritos, previsão de milhares de visitantes e “literalmente” imersão de quase 5 mil geeks (que optam por morar no local do evento), a Campus Party Brasil, em sua 4ª edição, amadurece e confirma a fama de um dos maiores eventos mundiais de tecnologia e internet e, por que não dizer, o mais importante encontro da área no calendário nacional.

Criada na Espanha em 1997 e atualmente presente em 8 países, a versão brasileira do evento está instalada no Centro de Exposições Imigrantes, zona sul da capital paulista, e ocupando uma área de 240 mil m2. O encontro proporciona a pessoas do meio e curiosos de plantão, muitas novidades no mundo web, entretenimento e cultura digital através de uma série de atividades, oficinas, exposições e palestras que preenchem por completo uma rica programação distribuída ao longo de uma semana, entre 17 e 23 deste mês.

Campus Party 2011: Tecnologia a Serviço da Inovação

O evento desse ano já começou diferente (e esta cada vez melhor) dos anteriores. Logo na abertura oficial, os organizadores anunciaram , ao lado do presidente da Telefônica na America Latina – grande patrocinador e apoiador do encontro, a criação de um movimento denominado #SomethingBetter, que pretende promover a conscientização e impulsionar o uso respeitoso da rede, utilizando a tecnologia em benefício da própria humanidade... tempo de Cyberativismo a todo vapor.

Entre os destaques nas grandes palestras, vale ressaltar a fala do ex-vice americano “Al Gore” que, ao lado de Tim Berners-Lee, para os desavisados: nada menos que um dos criadores do www, deu um show a parte e foi aplaudido de pé, contanto na platéia com presenças ilustres como a da ex-ministra e ex-presidenciável Marina Silva.

Todos esperavam uma fala focada no combate ao “aquecimento global” e na necessidade de governos investirem esforços na melhoria e conservação do clima no planeta, o que não faltou, mas o grande destaque ficou por conta da mensagem de luta contra os governos que tentam controlar o ambiente digital. Al Gore foi claro: não podemos admitir nenhuma tentativa do tipo, sejam estas explicitas, como observado no regime ditatorial da China, ou dissimuladas, como observada nas reações do governo americano ao Wikileaks.  E, cá entre nós, concordo 100%!

Campus Party 2011: Tecnologia a Serviço da Inovação

Entre os fatos e cenas inusitadas que gostaria de dividir com vocês através das imagens abaixo, fica a competição entre CPUs “exóticas” registradas nas várias mesas de trabalho ao longo da CPBR ou o grande número de atrações de entretenimento, em especial jogos, cada vez mais sofisticados, como este da 5ª geração, que dispensa qualquer acessório para uma luta com avatares movimentados apenas através do movimento do jogador.

Falando em entretenimento, também foi divertido ver marmanjos de plantão brincando em um piano gigante do tipo “filmes americanos de nossa infância”. Achei bastante interessante um coração artificial alvo de uma ação de co-criação promovida pela patrocinadora do evento e que chamava atenção em seu stand, além de robôs cada vez mais inteligentes e presentes no dia-a-dia de muitos países. Fiquei com vontade de tirar aquela sugestiva foto no meio destes, mas resolvi deixar esse “mico” para quando ficar mais velho.

Campus Party 2011: Tecnologia a Serviço da Inovação

Campus Party 2011: Tecnologia a Serviço da Inovação


Nas áreas comuns do evento, pouca coisa mudou em relação a 2010: espaço bacana com massagistas de plantão, áreas de debates que promovem palestras desde temas comuns no meio, como mobilidade e redes sociais, até a construção de um foguete (com simulador ao lado). Até uma loja com produtos exclusivos Campus Party foi criada (canecas, chaveiros, etc) e estava repleta de aficionados de plantão. Falando na presença governamental, mais uma vez achei bacana a presença e atividades promovidas no stand da Caixa e fui surpreendido positivamente pela Petrobras que, nesse ano optou por algo mais efetivo e criou um espaço denominado “Campus Verde” em que eram debatidos temas como Biocombustiveis, Agricultura Ecológica, Remanufatura de Computadores, Responsabilidade Social das Empresas, etc. Muito bacana!

Campus Party 2011: Tecnologia a Serviço da Inovação

Campus Party 2011: Tecnologia a Serviço da Inovação

Entre os destaques desse encontro, acho que vale ressaltar o papel social do evento. Um espaço que me chamou atenção foi o “Batismo Digital”, uma sala gigante em que crianças de escolas públicas, muitos pequenos que ainda não tiveram nenhum acesso as maravilhas da internet, são contemplados com uma “aula” inaugural no tema.

Também fica registrado a importância do incentivo à inovação e ao empreendedorismo:  um espaço apenas dedicado ao tema com protótipos a partir de tecnologias desenvolvidas em universidade e centros de tecnologia no Brasil e no exterior e que, com certeza, ditarão tendências em pouco tempo. Vale destacar:

- What are you made of? Criação brasileira desenvolvida pela Billboard Magazine, um software que permite a partir de uma foto sua e escolha de uma combinação de quase 50 ídolos como Radiohead, John Lennon, Madonna ou Amy Winehouse , reconstruir a sua imagem mixando-a com a do ídolo. O mais bacana: tudo fica disponível online e realtime.

- Realidade Diminuída. Desenvolvida pela Universidade de Tecnologia de Llmenau na Alemanha, a tecnologia permite acesso a ferramentas capazes de apagar vídeos e filmes no ambiente web em tempo real, facilitando a vida de muita gente. Em decoração, por exemplo, é possível começar a brincar de diversos cenários para seu novo AP em segundos.

- Câmera Sônica. Apenas a partir de sua própria imagem, os participantes modulam o som alterando timbre, altura, ritmo, etc... outra criação “made in Brasil”.

- Leonar3D.  Software húngaro que permite esculpir imagens em 3D na tela do computador com uso de um simples óculos... pensado para fins acadêmicos e de ensino.

Fica a pergunta: daremos conta de absorver e usar tanta tecnologia em nosso benefício? Ou seremos ainda mais reféns e “escravos” de nossa própria criação? De qualquer forma, a Campus Party é o tipo de encontro que promove esta reflexão, o desenvolvimento, a troca de ideias e tendências que move um país, como o nosso, rumo ao futuro. Parabéns a organização do evento!

* Fabrício Saad é estatístico com pós em marketing pela FGV e MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral. É autor do livro "Mídias Sociais: Impactos e Oportunidades para o Marketing Corporativo". Twitter: @fabriciosaad

Por: Fabricio Saad