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Consumo no Brasil mantém o seu vigor

Fabio Mestriner mostra que o país é um dos maiores lançadores de produto do mundo

Por | 08/04/2009

pauta@mundodomarketing.com.br

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Por Fabio Mestriner*

O Brasil, que ocupava a sétima posição em 2007 no lançamento de produtos e embalagens, respondendo por 4% dos lançamentos efetivados naquele ano, subiu para a sexta posição em 2008, respondendo por 5% de todos os lançamentos e passou a apresentar crescimento em outubro quando alcançamos o terceiro lugar com 8% dos lançamentos, uma vez que em setembro deste mesmo ano ainda estávamos na sexta posição, com 5% dos lançamentos.

Em janeiro de 2009 o Brasil saltou para a segunda posição com 8% dos lançamentos e em Fevereiro manteve a posição, mas respondeu por
10% de todos os lançamentos realizados no mês.

Isto mostra uma tendência consistente evidenciando que o ritmo de lançamentos do Brasil se manteve enquanto o dos principais paises caiu. Os EUA que lideram o ranking com 18% dos lançamentos em 2008 responderam por apenas 11% em janeiro de 2009 enquanto o Reino Unido que ocupava a segunda posição em 2008 com 7% dos lançamentos caiu para a quinta posição em fevereiro com 4% dos lançamentos. A China que ocupava a quinta posição em 2008 com 5% dos lançamentos caiu para a nova posição em fevereiro, com apenas 3% dos lançamentos.

A índia que não integrava o grupo dos 10 países que mais lançam produtos, ingressou no grupo na décima posição em janeiro de 2009 e se manteve nesta posição em fevereiro com 3% dos lançamentos.

O Laboratório de Monitoramento Global de Embalagem ESPM monitora em tempo real os lançamentos de embalagem e produtos no mundo. Com base na Ferramenta GNPD Global New Products Database da Mintel, este monitoramento cobre as categorias alimentos, bebidas, cosméticos, cuidados pessoais, higiene e limpeza, farma e pet products.

Acompanhar a dinâmica de lançamentos de embalagens e produtos no mundo e no Brasil é muito importante, pois a embalagem é vista por muitos economistas como um dos parâmetros utilizados para se avaliar o nível de atividade econômica.

Os lançamentos caíram no mundo desde que eclodiu a crise dos mercados financeiros com a atividade perdendo força a partir do quarto trimestre. Os lançamentos do mês de Janeiro totalizaram 18.491 produtos, número que está 4,05% abaixo do mesmo período no ano anterior.

Já o ano de 2008 fechou 1% abaixo de 2007 mesmo tendo um desempenho excelente nos primeiros trimestres. O resultado dos três primeiros trimestres acabou sendo derrubado no final do ano quando os lançamentos se reduziram.

Das cinco categorias mais lançadas em Janeiro de 2009, quatro são cosméticos, o que evidencia o papel proeminente da mulher na sociedade de consumo. A mulher desempenha um papel cada vez mais destacado nas atividades de consumo onde estima-se elas já respondem por cerca de 75% de tudo o que é consumido pois são as principais responsáveis pelas compras domesticas.

Os cosméticos e produtos de higiene pessoal ocupam seis das 10 categorias mais lançadas e atributos ligados a beleza e a apresentação pessoal estão em destaque quando analisamos os lançamentos pelo tipo de posicionamento mais adotado pelos produtos lançados. Novas categorias como os "Nutracêuticos Cosméticos" indicam que a busca pelos atributos associados a busca da beleza está se estendendo para a categoria alimentos onde empresas como a Shiseido que antes atuava apenas na categoria cosmético acabou ingressando.

Segundo os estudos e projeções do Laboratório de Monitoramento Global de Embalagem ESPM o setor de embalagem deve crescer em 2009 mesmo num cenário de contenção de consumo, pois este setor tem como principais consumidores os segmentos de alimentos, bebidas, personal care e limpeza que respondem por cerca de 75% do consumo de embalagem no pais. Estes setores somados ao setor de cosméticos onde o Brasil tem um mercado poderoso devem receber mais atenção do consumidor que gastará menos com produtos eletrônicos, telefonia celular e bens duráveis desviando parte de seus recursos para estes setores que consomem mais embalagens. Há alguns anos o setor de embalagem identificou que a explosão na adoção da telefonia celular e depois no consumo de computadores e eletro-eletrônicos acabou prejudicando o consumo de embalagens identificando uma relação de correspondência que agora opera no sentido contrário do que ocorreu nos anos anteriores.

Quando analisamos o crescimento do setor de cosméticos e produtos de higiene pessoal no Brasil não podemos deixar de levar em conta dois fatores que permanecerão atuantes neste ano. O primeiro é a forte cultura de consumo destes produtos no pais construída desde os anos 20 quando as maiores indústrias deste setor se instalaram no pais, trazendo junto com elas algumas das melhores agências de propaganda do mundo que aqui se instalaram a partir de 1929 passando a disseminar conceitos importantes sobre a importância da higiene pessoal. Juntas, estas empresas ensinaram os brasileiros a escovar os dentes com os dentifrícos lideres mundiais, a tomar banho com "o sabonete das estrelas de cinema" e assim por diante. Existe uma cultura sólida e consistente de consumo de cosméticos no Brasil que vai se manter forte neste ano.

Outro fator que merece destaque neste setor é a venda porta a porta que mobiliza milhões de "consultoras de beleza" que visitam as consumidoras nos lugares onde elas se encontram oferecendo produtos de marcas consagradas como Avon e Natura. Este sistema poderoso de distribuição deve ganhar força neste novo cenário graças a ação deste gigantesco exército de revendedoras. A combinação destes fatores tem levado o Brasil a escalar posições no Ranking dos países que mais consomem cosméticos no mundo tendo ultrapassado a França em 2007 e o Japão em 2008 consolidando-se como o segundo maior mercado deste tipo de produto no mundo.

O Brasil está entre os cinco maiores mercados mundiais em quase todas as categorias de consumo e deve se valer de seu forte mercado interno e da baixa dependência das exportações ao contrário de países como Japão e China cujas economias dependem de grandes exportações.
Outro fenômeno detectado a partir do início de 2009 foi o salto dado na participação das marcas próprias nos lançamentos mundiais que passou de 16% no consolidado do ano de 2008 para 21% em janeiro numa indicação clara que o setor de varejo percebeu a oportunidade que o novo cenário oferece a seus produtos e está intensificando os lançamentos para ocupar um maior espaço no mercado. Como este setor atua principalmente nas categorias de bens de consumo, a intensificação de seus lançamentos também contribui para o maior consumo de embalagem.

O setor de embalagem alcançou um faturamento de R$ 36.6 bilhões em 2008 com exportações de embalagens vazias da ordem de US$ 550 milhões. Este é um setor em que o Brasil não está atrasado, temos nível internacional tanto em tecnologia quanto em design. Das 20 maiores indústrias mundiais deste setor, 18 tem fábricas e atuam no país estabelecendo um patamar muito alto de competitividade tanto entre elas como para as empresas nacionais que atuam nesta área.

Estamos acompanhando as tendências de mercado neste setor e gerando informes regulares que ajudam a compreender a dinâmica do mercado e a perceber o que está ocorrendo nele. Até agora, como os dados já consolidados do primeiro trimestre vem demonstrando o país está mantendo o ritmo de lançamentos de produtos e embalagens num sinal de vigor de seu setor de consumo.

Fabio Mestriner é Professor e Coordenador do Núcleo de Estudos da Embalagem ESPM, Coordenador do Comitê de Estudos Estratégicos da ABRE e autor dos livros Design de Embalagem Curso Avançado e Gestão Estratégica de Embalagem. www.embalagem.espm.br

Por: Fabio Mestriner

Professor da ESPM e da Escola de Engenharia Mauá; Autor dos Livros: Design de Embalagem Curso Avançado e Gestão Estratégica de Embalagem


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