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Só otimismo basta para termos um futuro promissor?

Sermos otimistas apenas na previsão não basta nos dias de hoje. Devemos atuar no presente com otimismo e em busca cada vez mais de inteligência e pesquisa de conhecimento para aplicação imediata. Só assim poderemos alterar de alguma forma o rumo do futuro

Por Elza Tsumori - 19/10/2020

O Brasil sempre terá um futuro promissor e otimista na análise de observadores que estão de prontidão para previsões. E acredito mesmo que será um fantástico país, do ponto de vista da evolução científica e tecnológica. Mas, o que me preocupa agora é se o desenvolvimento humano vai acompanhar com a mesma velocidade que a ciência e tecnologia avançam. Porque eu penso que uma pessoa genial poderá ser um cientista ou criar um produto tecnológico que poderá impactar, substancialmente, um grande número de pessoas, mas cada um de nós continuará a ser um universo independente e a sua evolução intelectual dependerá de como será capaz de assimilar e aceitar cada estímulo e dados que recebe e absorve.

E por que digo isso com tom de preocupação? Porque temos uma visão míope sobre a nossa sociedade. Percebemos apenas uma parcela da população ou ilhas de excelência, e não pensamos em impacto social transformador da nação brasileira.

Hoje, faltando alguns dias para realização do “eWMS2020 – A Big Bang by Kotler & Partners – Liderando em Cenários de Transição”, faço correr meus dedos sobre o teclado para escrever uma reflexão sobre a necessidade de olhar para nós mesmos e ver o que estamos fazendo para sermos melhor como seres humanos, saber fazer as melhores escolhas e fazer uma diferença capaz de gerar um UAU! mundial.

De um lado, olhando a juventude, vejo uma educação básica sofrida e cuidada com muita pouca vontade de melhorá-la de forma transversal, integral, em larga escala, versus uma preocupação de excelência acelerada nas faculdades e cursos superiores de especialização. E, para agravar a situação, há muito pouco tempo para conversar, discutir e atuar nas questões mais profundas da nossa vida ou também de praticar um lazer que privilegie o alimento da alma, a arte e a contemplação da natureza.

Do outro lado, poucos atentam, mas o Brasil acompanha o mundo no envelhecimento da sua população de forma muito rápida e é preciso olhar para esse lado com realismo e não apenas com o olhar de resignação. Essa população vai viver muito mais e precisa de novas formas de escolas e cursos para atender suas necessidades.

No meio disso, existe a tecnologia digital contagiante que todos acreditam ser o ator principal deste nosso século, reinando e fazendo a festa em diversos setores. Temos de prestigiar neste momento o uso dessa tecnologia em prol de uma nação educada de forma adequada e culturalmente desenvolvida para que o Brasil se torne um país verdadeiramente atuante e emergente no mundo totalmente conectado. Precisamos ter uma massa de educadores e empreendedores que saibam atuar de forma ousada e buscar a melhoria intelectual da nossa população.

E, o que me fez refletir sobre esse assunto? Um post que meu amigo e sócio Ricardo Motta enviou. Trata-se de um vídeo de uma orquestra que se apresenta com uma instrumentista tocando um instrumento chamado “teremim”. É um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, controlado sem qualquer contato físico pelo músico. Criado pelo físico e músico russo Léon Theremin, aos 21 anos, em 1927, é um bom exemplo de como a tecnologia e o ser humano podem interagir em alto nível, usando técnica, estudo e sensibilidade para criar música quântica cheia de significados. Pode ser um exemplo muito pouco comum para ilustrar o assunto deste artigo, mas foi por isso mesmo que a minha mente foi longe buscar uma conexão desse caso com o desenvolvimento humano de forma atual, integrando tecnologia e capacidade de criar e interagir inteligentemente.

Assim, queria concluir que, se desejamos que o futuro do Brasil seja de um país protagonista no mundo, devemos nos esforçar para alterar o estado presente da educação fundamental e incluir novamente matérias humanistas em equilíbrio com demais matérias, de forma a desenvolver nas crianças as sementes que serão suas ferramentas para trabalhar com ciência e tecnologia depois. E, nós que somos profissionais do marketing e da comunicação, temos a possibilidade de influenciar positivamente nesse tipo de assunto no nosso trabalho cotidiano junto aos nossos clientes e projetos.

Sim, sermos otimistas apenas na previsão não basta nos dias de hoje. Devemos atuar no presente com otimismo e em busca cada vez mais de inteligência e pesquisa de conhecimento para aplicação imediata. Só assim poderemos alterar de alguma forma o rumo do futuro.

Por: Elza Tsumori

Sócia fundadora do Observatório da Longevidade, representante da Kotler Impact no Brasil, organização que realiza o eWMS - electronic World Marketing Summit 2020