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Epitáfio do Facebook?

Escândalo do Cambridge Analytica revelou um uso obscuro das redes sociais, danoso para a liberdade pessoal. Hegemonia da empresa de Mark Zuckerberg pode chega ao fim

Por | 05/04/2018

pauta@mundodomarketing.com.br

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Uma pesquisa recente feita na Alemanha revela que apenas 33% das pessoas acreditam que as redes sociais têm um efeito positivo com relação a democracia. O grande escândalo do Cambridge Analytica, onde no final de semana dos dias 17 e 18 de março, os jornais The Guardian, Observer e The New York Times revelaram que os dados pessoais e atividades on-line de 50 milhões de perfis do Facebook foram arquivados e utilizados para fins eleitorais, sem autorização para tal, revelam um uso obscuro das redes sociais, danoso para a liberdade pessoal.

Além deste fato, foi descoberto que entre 2015 e 2017, os aplicativos do Facebook coletaram todos os dados de ligações e SMS trocados nos aparelhos com sistema operacional Android, incluindo números de telefones, duração das chamadas, dados de contatos, entre outros. Esses dados só pararam de ser coletados quando o Google bloqueou o acesso a esta API.

Apesar disso, hoje duas empresas são responsáveis por 70% do tráfego on-line, e mais da metade do faturamento de anúncios digitais. Segundo o relatório Creative Disruption, publicado em fevereiro deste ano pelo World Economic Forum, a relação entre a publicação de conteúdos permite benefícios monetários não apenas para criadores de conteúdo e editores. Cinco empresas recebem quase 80% da receita global de publicidade móvel e, por algumas estimativas, quase 90% do crescimento é apenas dessas duas empresas: Google e Facebook.

Seriam esses fatos capazes de derrubar a hegemonia da rede social mais famosa do mundo? Segundo uma reportagem recente da AdAge, entre os 1000 maiores investidores de anúncios no Facebook, apenas sete deixaram de comprar anúncios depois dos relatórios de que a Cambridge Analytica coletou dados de usuários para tentar manipular as eleições presidenciais americanas de 2016 e o Brexit, segundo uma análise realizada pela plataforma de inteligência digital Pathmatics.

O próprio The New York Times, pioneiro na divulgação do escândalo, continuou a investir na plataforma para conquistar novos assinantes. E se consultarmos os rankings de downloads de aplicativos nas plataformas móveis, ainda vemos o ícone azul em sua posição de destaque entre os primeiros aplicativos mais baixados.

Mais um fato surge para impactar esse cenário: um memorando escrito por Andrews Bozworth, amigo de Mark Zuckerberg e VP do Facebook, datado de 2016, vazou pelo site de notícias Buzzfeed. "Todas as práticas questionáveis de importar contatos, toda aquela linguagem sutil que ajuda usuários a serem procurados por amigos. Talvez possa custar uma vida ao expor alguém aos bullies. Talvez alguém morra em um ataque terrorista coordenado em nossas ferramentas. Nos contentamos pessoas, é por isso que todo o trabalho que fazemos para o crescimento é justificado", ele relatou no documento.

Que o Facebook tem tomado posturas questionáveis recentemente é uma realidade, a questão agora é se esse ambiente permanece saudável para uma marca construir engajamento. Quem são os responsáveis pelo conteúdo e os dados da plataforma. Como plataforma, a essência da rede social é conectar pontos através de interações. Porém ao mesmo tempo, também é função como editor ser responsável pelos dados transmitidos. Eles devem ter responsabilidade pelo cuidado de seus leitores e da veracidade das informações. Essas duas coisas andam juntas. Assim como uma marca deve se preocupar com o ambiente que ela distribui seu conteúdo.

Ainda não sabemos se este é o fim da plataforma, diante de tantos escândalos, ou se ela pode retornar para a popularidade. Mas se retornar, que venha aplicando o aprendizado sobre confiança e credibilidade. Para defender um mundo mais aberto e conectado é importante ser mais responsável. Numa releitura da famosa frase de Antoine de Saint-Exupéry, "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que públicas".

Por: Eliezer Silveira Filho

CMO da Stefanini, quinta empresa brasileira mais internacionalizada segundo Ranking da Fundação Dom Cabral 2017






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