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O mar não está pró peixe

Edmundo de Almeida escreve sobre a realidade da motivação e do incentivo

Por | 26/05/2009

emonteiro@peoplemais.com.br

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Por Edmundo de Almeida*

Talvez por ser segunda feira (4 de maio), odeio as segundas feiras, ou ainda quem sabe pela derrota do meu time (sou santista), o nível da minha motivação está em baixa.  Desmotivado e de péssimo humor temo pelo meu comportamento, aliás, começou na saída da garagem de casa. Após várias tentativas para entrar na rua, todas infrutíferas, por pouco o meu carro não foi atingido, o mesmo não posso dizer dos xingamentos e ameaças que se seguiram.       

Refletindo sobre o assunto, respirando bem fundo e tentando entender as reações, minhas e dos outros, reconheço que na maioria das vezes o desânimo a raiva são provocadas por apatia, por uma desmotivação, por um descontrole emocional que a cada dia se torna mais nocivo. As causas e os efeitos são variados, porém, em qualquer situação temos que reconhecer quanto a motivação é importante para o equilíbrio da nossa vida, pessoal e profissional.

Mas atenção. É importante não confundir motivação com sucesso, com bens materiais, motivação tem que ser um estado de espírito perene, incorporada à parte física e espiritual de cada um de nós. Motivação é sempre um reflexo das vontades. Voltando ao futebol, ou até mesmo as outras atividades esportivas, temos que reconhecer que aparentemente a motivação não devia estar faltando. Na sua grande maioria, os atletas são figuras midiáticas, reconhecidas, bem pagas tendo como único compromisso jogar e de preferência ganhar. 

No jogo da Pré-final, na baixada, no quintal de casa, torcida efusiva quase esquecendo o preço dos ingressos. A família participando junto ao time, aliás, uma belíssima idéia do seu treinador. A família comprometida com o pai com o marido, apoiando a equipe, a família dentro do mundo profissional do jogador.

Não podemos querer cenário melhor, acontece que a motivação era pontual, fomentada pela garra, pelo bicho, pela mídia, não uma motivação incorporada, de dentro para fora, ou alinhada estrategicamente, com os valores do clube, com o espírito de equipe, com a disciplina, com a disposição de jogar e de vencer. Não basta dizer ao time que somos bons, somos os melhores, vamos vencer. A prova disso bastou um desequilíbrio provocado por um fora de série, podia até ser outro motivo, para jogar por terra toda aquela aparente motivação.

Para a motivação ou a falta dela, não ser injustamente considerada a vilã, acho melhor não confundir motivação com adrenalina, duas coisas distintas, duas fontes de energia, porém, diferentes. Dentro desta linha de raciocínio o cidadão, o mercado e toda a massa critica corporativa, todos sem exceção, estão passando por um momento de provação, de grande conflito antagônico e conceitual.

- Vejamos: o cidadão é incentivado a gastar, a consumir, concordo, estimula a economia, mas esqueceram uma coisa, esqueceram de avisar as empresas que não lêem na mesma cartilha, para não demitir, para investir no homem, o que faz realmente a diferença.

- Incentiva-se a compra, mas humilha-se o desavisado que por alguma razão de ordem econômica não pagou ou atrasou as parcelas. Tudo com o beneplácito régio da bandeira social e política de um governo que cobra, mas não paga. Acho que é uma licença poética.

- Motivamos nossos filhos a estudar, a lutar por uma carreira bem sucedida, resultando numa multidão de graduados, mestres e doutores desempregados, versus uma multidão de funcionários públicos privilegiados, ainda assim pouco motivados para cumprirem a burocracia das suas obrigações profissionais.    

- Incentivamos os nossos filhos a praticarem os valores, a serem honestos comprometidos com a sociedade, respeitando a família, a igualdade racial, as diferenças, o meio ambiente. O que vemos é um governo pactuando com corrupção, com os desmandos, um governo populista estimulando as diferenças sociais como arma eleitoral.

- Um congresso pactuando com escândalos, querendo levar vantagens.  Uma justiça míope, injusta e arbitrária. Uma sociedade que não respeita os seus valores, que não respeita os velhos, os professores. Uma sociedade arbitrária conduzida/administrada, pela demagogia política, pelas bandeiras partidárias transformando ovelhas em lobos, cada um querendo comer o outro, transformando um acinte num mote marqueteiro "levar vantagem", sinal de esperteza, de capacidade, de sucesso, na maior e tranqüila inversão de valores.

Ninguém contesta num país onde a cidadania é uma falácia e a segurança um mito. Andar na rua, proteger a nossa propriedade, a nossa família, logo logo deve ser vista como um conceito burguês. Desprotegidos pelos órgãos governamentais, achacados por uma polícia, que em tese devia nos proteger uma justiça mais míope que cega, partidária, este é o melhor dos mundos para incentivar as novas gerações nos seus direitos e obrigações.

Começo a questionar de onde tirar motivação, no mínimo para sobreviver, considerando que a única coisa que pode desmotivar uma pessoa verdadeiramente motivada é ela mesma. Motivar para quê. Incentivar o quê? Realmente não precisamos de motivação, deus é brasileiro só não torce pelo meu time.

Como profissional de comunicação, como professor, pai de família e cidadão começo realmente a questionar tudo o que aprendi, na minha vida profissional e pessoal, nas relações com meus filhos e, por último, não menos importante, nos serviços que vendo aos meus clientes.

Afinal o que é a motivação? Podemos dizer que é um estado de graça, onde pessoas altamente motivadas são constantemente energizadas pela imensa vontade que possuem de vencer, de fazer, de realizar. Como profissionais de mercado lutamos para incorporar conceitos e valores que não só dignificam quem determina e também quem pratica. Como premissa, conduzir a gestão equilibrada dos valores, das emoções, dos fatores que regem as necessidades materiais e físicas.  

Na contrapartida um cenário político e social caótico, um cenário onde a qualidade de vida a segurança e os valores, são meras falácias. Diante desta maravilhosa expectativa de vida, alinhada com a marolinha da crise Tupiniquim vou passar a defender junto aos meus clientes um novo conceito de motivação.

A implantação de uma teoria, ou melhor, de uma máxima muito usado por Gandhi. "Há dois tipos de pessoas: as que fazem o trabalho e as que recebem o crédito por ele". Sugiro ficar no primeiro grupo. A concorrência é menor.

* Edmundo de Almeida é Publicitário, Mestre em comunicação, Sócio-diretor da peoplemais e VP Desenvolvimento Setorial da AMPRO.

Por: Edmundo de Almeida




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