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Mobilidade interna é peça-chave para a sobrevivência de empresas após Covid-19

Ao promover a mobilidade interna de carreira, as empresas conseguem obter um resultado melhor na qualidade do trabalho exercido, além de conseguir uma maior retenção de funcionários

Por Débora Brewer - 24/09/2020

Todas as empresas enfrentaram dificuldades nos últimos meses. Passaram por momentos de derrota, sobrevivência e vitória. A pandemia de Covid-19, aliada a uma volatilidade política e a uma iminente recessão global resultaram em mudanças estratégicas e novos desafios. A situação na qual nos encontramos, no entanto, continuará complicada por algum tempo. O “novo normal” será definido por uma falta de estabilidade e uma necessidade de maior agilidade, adaptação e resiliência.

O impacto da pandemia distribui-se assimetricamente, colocando em maior risco o atendimento ao cliente, as vendas e os serviços relativos à alimentação. Em contrapartida, esses são os setores que provavelmente sofrerão maior impacto com a extinção de empregos por conta da automação. Os funcionários desses setores, em especial, precisam desenvolver a capacidade de trocar de função para se adaptarem às mudanças.

Movido por pessoas

Sem as pessoas certas com as habilidades necessárias para cada tipo de trabalho, as empresas não serão capazes de enfrentar os desafios que estão por vir. Ademais, tendo em vista o cenário atual, é grande a possibilidade de que trabalhadores sejam obrigados a mudar de funções e setores nos quais atuam. Assim sendo, se torna crucial que os empregadores apoiem seus funcionários, promovendo a mobilidade interna e levando em conta as habilidades, interesses e aspirações de cada um deles.

Ao promover a mobilidade interna de carreira, as empresas conseguem obter um resultado melhor na qualidade do trabalho exercido, além de conseguir uma maior retenção de funcionários e corte de custos para recrutamento.

Foco nas habilidades

Para dar às pessoas a capacidade e a flexibilidade de realizar trocas de funções e setores, é necessário que os líderes das empresas concentrem-se nas habilidades. Conhecer as habilidades de cada integrante da força de trabalho ajudará os líderes a mobilizar as pessoas com embasamento, caso a demanda pelo trabalho atual delas deixe de existir.

Um inventário de habilidades fará a correlação entre as habilidades atuais da força de trabalho e as necessidades da empresa. Analisando as metas para três a cinco anos à frente de cada departamento (e a estratégia empresarial como um todo), líderes podem identificar rapidamente as habilidades necessárias a curto e médio prazos para, então, implementar formas de desenvolvê-las. O panorama ideal seria encontrar um ponto médio entre as habilidades necessárias para a empresa e as que os funcionários desejam desenvolver.

O funcionário no centro

Outro passo fundamental é conhecer as aspirações e os interesses das pessoas. Nenhuma estratégia é eficaz com uma abordagem de imposição. Sem uma estratégia que tenha as pessoas em seu cerne, a transferência dos funcionários para novas funções provocará, em última análise, queda no ânimo, declínio no engajamento e muito atrito.

Há muitas maneiras de desenvolver novas habilidades e aperfeiçoar as atuais. Empresas visionárias já oferecem variadas opções de aprendizagem, seja para aprender durante o fluxo normal do trabalho ou por meio de cursos formais e virtuais. A aprendizagem entre colegas também está ficando popular entre as pessoas, levando quatro entre dez funcionários a compartilhar, com regularidade, conteúdos e conhecimentos com suas redes de contatos.

Aprendizagem contínua

Com inúmeras mudanças despontando no horizonte - e muitos funcionários tendo de mudar de funções diversas vezes -, é fundamental estimular o hábito da aprendizagem contínua. É necessário que as pessoas tenham uma certa destreza digital e a capacidade de mudar quando surgirem novas ideias, estratégias e modelos de negócios. Não basta contar com as habilidades e os conhecimentos adquiridos há décadas na escola, na faculdade ou na universidade.

Em vez disso, programas não tradicionais como acampamentos de treinamento, torneios e hackathons podem ser a solução, assim como a implementação da aprendizagem como parte das operações cotidianas.

Os líderes das empresas estão lidando com um mundo em constante movimento, assim como suas equipes. Trabalhando em conjunto para construir habilidades necessárias nas empresas, que atendam às aspirações dos indivíduos, ambas as partes podem prosperar no futuro incerto.

Se a curiosidade das pessoas for estimulada, para aprenderem diariamente e desenvolverem sempre suas habilidades, elas estarão muito melhor posicionadas quando suas vidas profissionais forem atingidas por alguma mudança.

Por: Débora Brewer

Vice-Presidente para a América Latina e Caribe da Degreed