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Último gole do Olimpo e A síndrome de Ryan Lochte nossa de cada dia

Diferente do universo esportivo, onde vitórias e derrotas são imediatas e irrefutáveis, em outras esferas, ambas são menos perceptíveis e é preciso esforço para compreendê-las

Por | 22/09/2016

pauta@mundodomarketing.com.br

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Seis anos após desertar da publicidade (sim, eu já sofri deste mal) dias atrás, fui tomar uma gelada com uns amigos do meio. Escolhemos um Karaokê na Liberdade e, à exceção do set list que insistia em The Police em vez de Molejão, tudo na mais perfeita paz.

E Karaokê, amigo, só começa pra valer depois que o povo bebe. Antes é tudo dentro do script: Pokémon Go, selfies do Bolt, festa de abertura das Olimpíadas (com algumas poucas ressalvas que chego a pensar que são frescuras de publicitário), piadinha mequetrefe do japonês que derrubou a vara com a varinha, além da resenha sobre os novos ídolos olímpicos.

Cerveja vai, cerveja vem, e o papo sempre descamba. No nosso caso, passamos do sofrimento e resiliência da turma do Olimpo em busca da glória eterna até o nosso próprio calvário diário, que é bem menos charmoso. Pergunta: você já esteve em uma roda de bêbados falando de crise?! (Pausa dramática). É um exercício freudiano que a mente prefere largar lá no inconsciente.  

De tudo que ouvi ali, da turma pró-Dilma ao pessoal pró-Temer, percebi que havia apenas uma unanimidade: todos descreviam suas situações pessoais como se estivessem à margem do problema. De duas uma, ou aqueles caras não se davam conta de como a crise tem afetado suas vidas, ou eles estavam na fase da bebida em que todos são jovens e ricos. 

Foi depois da segunda rodada de caipirinha que entendi não se tratava da síndrome de Ryan Lochte - quando um indivíduo bêbado perde a capacidade de raciocinar e tem uma ideia brilhante que pode salvar o dia contando apenas uma mentirinha que ninguém vai perceber -simplesmente aqueles indivíduos, por mais inteligentes que sejam, não tem habilidade de identificar problemas dentro de suas próprias ilhas. Também pudera, diferente do universo esportivo, onde vitórias e derrotas são imediatas e irrefutáveis, em outras esferas, ambas são bem menos perceptíveis e é preciso um esforço enorme para compreendê-las.

Já na hora de ir, entre o 'te considero pacas' e o 'olha a selfie aí', um momento de epifania. Foi durante o último gole que me dei conta de que eu era apenas mais um na manada. Mais um Zé Alguém a apontar o dedo para o espelho. Para não dar chances do Freud mais uma vez levar vantagem sobre o Saramago, usei minha gota derradeira de consciência para enviar um e-mail pro Davi do futuro resolver essa pendenga.

Era minha vez de subir ao palco e ver tudo acabar em Borbulhas de Amor.

Por: Davi Bertoncello

Diretor Executivo da Hello Research


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