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A morte do Marketing

Grande parte das marcas ainda tem por estratégia agir de dentro pra fora. Ainda assumem premissas baseadas em 'achismos' - o termo bonito pra isso é 'feeling empresarial'

Por | 27/08/2014

pauta@mundodomarketing.com.br

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É intrínseco ao ser humano o pensamento de que as coisas já foram melhores. Quem nunca ouviu bordões do tipo: "Eu era feliz e não sabia"; "No tempo da minha avó as coisas eram mais fáceis". Pois bem, fato é que mesmo sendo um otimista inveterado, daqueles que sempre prefere a lógica do copo meio cheio, não posso fechar os olhos ao fato de estarmos vivendo tempos estranhos.

Lá fora guerras sangrentas longe de finais felizes, epidemias preocupantes (vide o ebola). Por aqui, a economia em um momento de atenção. A seleção brasileira nos deixando sem circo (nota: sem o pão já estamos faz tempo). Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna combinando a FLIP 2015 para um local bem distante de Paraty. Tudo isso, sem contar a trágica e inesperada morte do presidenciável Eduardo Campos.

Tempos difíceis, amigo leitor. É neste cenário de incertezas e indecisões nos cenários político, empresarial e intelectual que coloco em pauta mais uma discussão preocupante, está bem menos midiática, um fenômeno que venho chamando de 'a morte do Marketing'. Explico:

Boa parte dos teóricos concorda que o marketing nasceu por volta de 1953, ano em que Peter Drucker finalizou o livro "A Prática da Administração", publicado no ano seguinte. Concordando com esta afirmação, temos um cenário em que o marketing, como 'disciplina estudada', fez 61 anos em 2014. Primeira grande questão é: 61 anos de estudos é pouco ou muito? Se comparados às áreas mais tradicionais do saber, é bem pouco. Todavia, foi tempo mais do que suficiente para algumas grandes revoluções. Fiquemos com as três principais: 1. época da orientação para a produção, 2. época da orientação para vendas e, mais recentemente, 3. época da orientação para o cliente/consumidor.

Em linhas gerais, pelo modelo atual, o foco se direciona mais no sentido de atender aos anseios do consumidor do que, propriamente, em aumentar o volume de produção. O ponto é, as empresas brasileiras em geral, e respectivas estruturas de marketing atuais, estão preparadas para esta realidade? Para mim, a resposta é NÃO.

Grande parte das marcas ainda tem por estratégia agir de dentro pra fora. Ainda assumem premissas baseadas em 'achismos' - o termo bonito pra isso é 'feeling empresarial'. Esta postura não leva em conta que hoje o consumidor está no controle do processo. Que são eles quem tem a capacidade de opinar, criticar, e até mesmo ajudar no desenvolvimento de novos produtos.

Entretanto, penso que estamos diante de uma ótima oportunidade. Este tipo de cenário negativo pode ser o combustível que faltava para uma espécie de revolução. A oportunidade do marketing brasileiro se descolar dos padrões ditados pelos papas empresariais mundo a fora.

Do ponto de vista teórico a explicação é até bem simples: se concordamos que estamos na época de orientação para o cliente, temos que concordar que ninguém melhor do que os próprios brasileiros para entender as peculiaridades do consumidor tupiniquim. Não é mesmo?!

Dia desses, em um vagão do metrô, escutei uma conversa entre dois adolescentes que, nitidamente, não tinham mais do que 14 anos cada. "Eu sou da época em que ainda se usava o Face." - dizia um deles.

Bem, a julgar pela frase do menino - e pelas pesquisas que mostram a vertiginosa perda de usuários do Facebook dentro desta faixa de idade - é bom todo o mercado abrir os olhos. Por motivos óbvios, preferi não entrar na conversa dos garotos. Em todo o caso, adoraria ter respondido: 'Eu sou de uma época ainda mais distante. A época em que éramos felizes e sabíamos."
 

Por: Davi Bertoncello

Diretor Executivo da Hello Research


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