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Clubhouse e a pressa do Marketing Digital

Muitos profissionais de publicidade e marketing perceberam que o Clubhouse tem um potencial imenso a ser explorado. Ainda não sabemos exatamente como, mas já dá para compreender que ele tem suas vantagens e seus atrativos

Por Daniela Gebara - 16/03/2021

O hype em torno do aplicativo Clubhouse não está restrito aos usuários que querem ter a chance de conversar com famosos. O mercado de comunicação também está muito interessado no potencial dessa nova rede social para o marketing digital. E é bom que esteja, mesmo.

Apesar da fama recente, o Clubhouse foi lançado em abril de 2020. Só do final de janeiro para cá é que muitas pautas surgiram em torno do app, em diversos sentidos: já se falou em FOMO (Fear Of Missing Out, a ansiedade que bate quando não estamos a par do que está acontecendo); na necessidade do ser humano de se comunicar por voz; na angústia de se expôr em vídeo; nas similaridades com o Instagram por ser uma rede "exclusiva" e muito mais.

Muitos profissionais de publicidade e marketing perceberam que o Clubhouse tem um potencial imenso a ser explorado. Ainda não sabemos exatamente como, mas já dá para compreender que ele tem suas vantagens e seus atrativos, inclusive para as marcas. Então, agora, precisamos ponderar sobre os aspectos positivos e quais serão os desafios na hora de usar a plataforma. 

De cara, um dos principais obstáculos é o fato da rede ser muito recente (lembrando que menos de um ano é nova, em termos de desenvolvimento), o que significa que há muitos desdobramentos a serem feitos, inclusive na própria mecânica do aplicativo. Há discussões sobre a expansão da plataforma, no momento, com foco na pergunta "quando usuários de Android poderão entrar na brincadeira?". Outra questão é a acessibilidade. Como deficientes auditivos e pessoas mudas podem desfrutar? Ainda não há respostas para isso. 

Esses pontos levam a outro, muito importante para o mercado de comunicação atualmente. E a performance, como fica? Já que os áudios são apagados em pouco tempo, como medir quais engajaram mais, porquê, como, qual público, enfim, como metrificar? Além disso, ainda não se sabe realmente a quantidade de pessoas que estão na rede. O CEO da plataforma, Paul Davison, disse em janeiro que o número era de cerca de 2 milhões de usuários ativos por semana. Na metade de fevereiro, o aplicativo já havia sido baixado por oito milhões de pessoas. Ainda é cedo para entender como medir a audiência efetivamente. 

Como o Clubhouse está em pauta, é possível que surjam mudanças. Daqui um ano ou dois, tudo pode ser bastante diferente. Hoje, quem puder entrar, é importante para criar conexões, sim. É bom, pois as marcas já podem ter mais essa forma de se comunicar com seus públicos, criar serviços, dar dicas e até palestras sobre o mercado de atuação ou assuntos de interesse geral.  

Há ainda o fator de humanização, já que, por mais que as empresas possam criar perfis — como a TV Cultura, que foi a primeira emissora do Brasil a criar uma conta por lá — não é possível falar sem que alguém empreste a voz. Portanto, o ideal é abraçar isso, aparecer como ser humano, não como pessoa jurídica, e atuar sem filtros, sem peças publicitárias. Há salas fora dos assuntos corporativos, nesses ambientes também é possível fazer conexões; ninguém precisa se restringir tanto. 

Quem se interessa por novidades deveria conhecer a plataforma, com cuidado para não ficar obcecado por ela — é aquela questão do FOMO de novo. No mundo todo, há pessoas criando salas que podem ser legais para você, e como o áudio é apagado depois de um tempo, quem não ouviu na hora pode ficar de fora. E tudo bem. Faz parte não estar a par de tudo o tempo todo! 

O importante é sabermos o que aproveitar disso, entender que essa rede não está aí sozinha e sim que vai fazer parte do processo de comunicação, integrada ao Twitter, Facebook e Instagram. É preciso calma para entender os potenciais. A pressa desenfreada por resultados no marketing pode extrapolar as possibilidades da ferramenta, e até fazer com que você invista muito em algo que ainda não foi amplamente testado, está em desenvolvimento e não tem muita garantia de resultados. 

Espero que o Clubhouse se mantenha forte, desde que seja para ocupar um espaço que as outras redes sociais ainda não preencheram — e que nem sabíamos ser necessário.

Por: Daniela Gebara

Sócia-Fundadora e Diretora Comercial da agência full digital ROCKY