O futuro dos jornais: incertezas | Mundo do Marketing

Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Artigos

O futuro dos jornais: incertezas

Diversos fatores têm contribuído para gerar incertezas sobre o futuro do modelo de negócio destes veículos, que é apoiado por dois lados: assinatura e publicidade.

Por | 03/04/2013

pauta@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Outro dia um amigo com quem almoçava comentou sobre a oferta comercial de um grande jornal de São Paulo, que oferecia na TV uma promoção em que o assinante recebia o jornal na versão digital durante a semana e a versão impressa, em papel e entregue em casa, aos finais de semana. Tal comentário me fez refletir novamente sobre o árduo desafio dos jornais em busca da manutenção de seus níveis de circulação e vendas.

Diversos fatores têm contribuído para gerar incertezas sobre o futuro do modelo de negócio destes veículos, que é apoiado por um lado pela venda de jornais e conteúdos aos leitores e por outro pela venda de publicidade, cujo valor está atrelado, ainda que indiretamente, à quantidade de leitores.

Analisando o cenário pelo ponto de vista dos leitores, estes estão envelhecendo e não é surpresa para ninguém que a nova geração pretere o jornal como meio principal de informação, preferindo formas mais interativas e instantâneas de se informar (sites, blogs, mídias sociais, etc). Além disso, o ritmo da vida de hoje em dia impõe às pessoas a sensação de falta crônica de tempo, resultando na redução dos minutos dispensados à leitura de jornais e também de seu valor percebido.

Por fim, o claro entendimento de que o acesso à informação nunca foi tão importante como atualmente, convive com a crença de que a informação é grátis, uma vez que praticamente todo o conteúdo dos jornais está disponível de graça na web. A grande questão neste quesito é quem pagará pela organização, filtragem e análise de toda esta informação.  Neste contexto, a rápida disseminação da internet de banda larga e o expressivo aumento da penetração de tablets e smart phones dificultam o estabelecimento de modelos de cobrança por conteúdo.

Pelo lado das receitas publicitárias a situação é ainda mais crítica. Os investimentos de publicidade em jornais têm tido uma participação cada vez menor no bolo total de investimento dos anunciantes, perdendo espaço tanto para mídias tradicionais, como TV, quanto para as novas opções digitais. Um claro exemplo é o segmento de classificados. O caderno de empregos dos jornais é hoje uma fração do que já foi no passado, tendo sido drasticamente substituído por ferramentas como Linkedin, agências on line e pelos próprios sites das empresas, que divulgam as oportunidades em aberto. O mesmo acontece com os classificados de veículos e imóveis, que sofrem dura concorrência com sites de anúncios. Não podemos também nos esquecer dos novos periódicos gratuitos, que ganham espaço junto à anunciantes que tem a classe média como foco.

As empresas jornalísticas têm se esforçado para desenvolver plataformas digitais na tentativa de migrar leitores e receitas publicitárias para elas. No entanto, a velocidade desta migração além de lenta, carrega consigo apenas uma parte da receita anterior, uma vez que neste novo ambiente existem muito mais players disputando as mesmas verbas publicitárias.

Nesta busca pela sobrevivência, jornais de todas as partes do país têm lançado mão das mais diversas ações de Marketing. De ofertas combinando assinatura digital com impressa, passando por parcerias com outras empresas que oferecem algumas semanas ou meses de jornal gratuito, até ações de guerrilha do tipo "assine agora e ganhe uma camisa de seu time do coração". Particularmente, acredito que muitas destas ações são meramente paliativas e de prazo limitado. O futuro do negócio de jornais é de turbulência e ainda não existe clareza ou consenso sobre qual será o modelo vitorioso. A única coisa certa é que será bem diferente do que é hoje.

Por: Daniel D?Andrea

Administrador de Empresas pela FGV com MBA pelo Insper, é executivo de marketing e negócios com mais de 15 anos de experiência. Trabalhou na Redecard, foi superintendente de marketing na Telefônica, diretor de marcas e produtos no Grupo Estado e diretor corporativo do Grupo Itapemirim. É diretor do grupo ToolBox


Comentários


Acervo

Pesquisar por Tags

Inteligência Inteligência

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2019.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2019. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss