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Você é, ou será, órfão digital

A fila andou, mas é justo para quem tem DNA digital - ainda que primitivo - ficar para trás?

Por | 17/06/2011

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Por Bruno Rodrigues*

Em março a Web completou 22 anos - ela foi criada em 13/03/1989. Também foi meu aniversário - 44 anos. Nós todos estamos envelhecendo, querendo ou não - eu, a Web, você, que deve ter bons anos de contato com a Rede, e até mesmo os profissionais que tiveram seu primeiro contato com internet no final dos anos 1990, quando saíram da faculdade. Até estes não são mais tão jovens; têm mais de trinta anos e muitos têm filhos pequenos que já nasceram em contato com a Web.

Em suma, o tempo passou - para os pioneiros da internet, para os primeiros jovens profissionais da área e para os que, ainda na faculdade, eram personagens das primeiras matérias sobre a novidade da "geração digital". A fila andou, mas é justo para quem tem DNA digital - ainda que primitivo - ficar para trás? Não me refiro à distância entre as novas e "novíssimas" gerações ou a quem não acompanha as mudanças tecnológicas, mas a conteúdo, tema desta coluna.

Dias desse encontrei com um amigo que não via há anos e havia ingressado no mercado de Comunicação Digital logo após o estouro da "bolha" de 2000. Muito inteligente e com tino para negócios, criou uma startup de aplicativos para mobile que desde o início é um estrondoso sucesso. Mais inserido no meio digital, impossível. Conversa vai, conversa vem, esbarramos no óbvio:

- Eu não entendo, Bruno. A sensação que eu e meus amigos da época da faculdade temos é que absolutamente tudo hoje em matéria de ações em mídias sociais e produção de conteúdo é desenvolvido para quem tem entre 18 e 25 anos. Passou daí, virou órfão digital.

Uma observação importante: a empresa dele sabe que estes órfãos digitais estão carentes de conteúdo.

- Eu tento orientar meus clientes, explico que existe uma multidão de pessoas com mais de 30 anos nas redes sociais ávidas por conteúdo, loucas para consumir. Mas o que aparece, o que gera cases, é a produção para os mais jovens. Até nós mesmos temos que nos controlar de vez em quando. É o caminho mais fácil, mas de uma burrice tremenda.

O que está acontecendo, afinal? Se os órfãos digitais têm mais dinheiro que a geração dos 20 anos, por que este abandono? Fui conversar com outro amigo, expert em comportamento de públicos na web, e não foi difícil chegar a uma conclusão - até meio lógica, se pararmos para pensar.

- Os pós-adolescentes, em especial aqueles de até 25 anos, consomem imediatamente. E isso não tem nada a ver com "não pensar", pelo contrário, é uma faixa de público bastante crítica, ácida, até. Mas eles resolvem rápido, e por isso consomem em um estalar de dedos. Em contrapartida, os mais velhos pensam muito antes de consumir.

O que mais me chamou a atenção durante a conversa foi a real visão de gerações que precisamos ter, e como o difícil é deixar de lado os clichês e preconceitos.

- Quando digo que os mais velhos pensam muito, não me refiro especificamente à geração de 30 anos de agora, mas à toda geração nesta faixa de idade e que está em um estágio em que deseja construir uma vida mais sólida e tem planos mais complexos. É o profissional que está juntando dinheiro para fazer um doutorado no exterior, é a jovem que deseja comprar um apartamento, é o casal que quer ter um filho. Isso independe da década em que estamos, há muitos anos é assim.

Traduzindo: você, que tem 20 e poucos anos hoje e é privilegiado nas ações de comunicação e marketing nas mídias sociais vai pensar diferente antes de consumir - o bom e velho "pensar duas vezes" - daqui a dez anos. E, caso o mercado não mude, será um órfão digital. Já parou para pensar - não importa se muito ou pouco - nisso?

*Bruno Rodrigues é Consultor de Informação e Comunicação Digital, autor dos livros 'Webwriting' [2000, 2006 e nova edição em 2011] e de 'Padrões Brasil e-Gov: Cartilha de Redação Web' [2010], padrão brasileiro de redação online e Instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e exterior.  Twitter: brunorodrigues

Por: Bruno Rodrigues




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