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Conversando com as feras do mercado: Armando Strozenberg

O Chairman da Havas Worldwide Brasil abordou interessantes aspectos de sua multifacetada vida profissional e temas como comununicação, o atual momento e o futuro da Euro RSCG

Por | 26/11/2012

mkt@mundodomarketing.com.br

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Entrevistamos Armando Strozenberg, chairman da Havas Worldwide Brasil, que abordou interessantes aspectos de sua multifacetada vida profissional.

Ideia Consumer Insights: Armando, hoje você é chairman da Havas Worldwide Brasil, mas exerce uma série de outras atividades. Quais são elas e como você as concilia?
Armando Strozenberg: Estou entre aqueles que acreditam haver um momento na biografia de um profissional, avaliado pelo mercado como vitorioso, no qual é seu dever devolver à sociedade uma parte do que acumulou não apenas em termos materiais, mas também e, sobretudo, em conhecimento, experiência, etc. Confesso que conciliar o tempo com um bom nível médio de atuação é tarefa complexa, em especial quando me dou conta de que os espaços para os quais fui convidado a colaborar são muitos - os conselhos do Museu de Arte Moderna e da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, a Vice-presidência Nacional da ABAP (num segundo mandato), a Presidência da 3ª Câmara de Ética e o Conselho Superior do CONAR (terceiro mandato), o Conselho Deliberativo e a Assembleia Geral da ESPM, o Conselho da ABP (da qual fui presidente durante dois mandatos), o Advisory Board da Brazil Foundation (que capta recursos no exterior para investimentos sociais selecionados no país), o Conselho da Cidade (formado por 100 pessoas influentes que trabalharam na montagem e fazem o acompanhamento da implantação do planejamento estratégico do Rio de Janeiro) e a Rio Negócios - agência dedicada à atração de investimentos internacionais para a nossa cidade.

Ideia Consumer Insights: Fale sobre a Casa do Saber. Que cursos têm tido as maiores demandas neste último ano? Cite fatos interessantes que aconteceram.
Armando Strozenberg: A Casa do Saber é um work-in-progress. Trata-se de um modelo de ideia que, aparentemente, não tem similar no mundo. Portanto, tudo ali é a base de ensaio e erro, sem benchmark a recorrer. É, talvez, este o viés que mais me fascina no projeto. No dia em que a Casa estiver consolidada, sem grandes desafios, talvez a minha participação deixe de fazer sentido. Nestes seus primeiros seis anos, foram mais de 20 mil pessoas que se deixaram seduzir pela nossa curadoria de cursos, ciclos, debates e palestras, que são cerca de 100 por semestre, 200 por ano. Uma loucura! E com mais um detalhe: o catálogo que é distribuído antes de cada semestre já vem com data e hora da programação inteira. Em um país em que quase tudo é decidido em cima da hora, este é um modelo beira a insanidade...

A área de Pensamento, que inclui Filosofia e Psicanálise, é a mais demandada. Temas Contemporâneos, Arte, História, Ciência também têm bom peso na programação. E os Especiais, com um só encontro, atendem a um público que tem maior dificuldade em se agendar para cursos mais longos, de 4, 6, 8 e até 10 encontros que a Casa oferece. São tantos os fatos interessantes que aconteceram que prefiro não correr o risco de citar uns e omitir outros. Fico apenas com um momento sublime que me ocorre agora: a aula-show de Maria Bethânia sobre Fernando Pessoa - pelo inusitado, pela beleza, pela carga de emoção. E, no braço social, adoro os projetos Rio de Encontros, que mensalmente debate questões cruciais da cidade, em parceria com O Instituto, o Rio de Saberes, que oferece 150 bolsas de qualquer curso da Casa do Saber a professores do segundo grau da rede pública do Estado, com o apoio do Oi Futuro, e o Casa do Saber nas Comunidades, que leva os nossos professores às bibliotecas públicas para oferecer gratuitamente os mesmos cursos oferecidos na Lagoa, apoiados pela Light e pela Secretaria de Cultura do Estado. Manguinhos e Rocinha estão sendo as primeiras comunidades a receber o projeto, que é o maior sucesso.

Ideia Consumer Insights: Quais foram as principais discussões ocorridas no recente Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação?
Armando Strozenberg: Os anais do 5º Congresso acabam de ser publicados. Eles confirmam que a tese da Liberdade de Expressão foi muito bem escolhida para pautar os trabalhos das 13 comissões, uma das quais tive a honra e o privilégio de presidir. Vale a pena acessar o site da ABAP para conhecer, na íntegra, as recomendações finais. Neste momento, uma comissão de profissionais de agências, anunciantes, veículos e produtores de conteúdo, presidida pelo Orlando Marques, cuida da implementação das propostas concretas.

Ideia Consumer Insights: "Somos todos responsáveis" é o nome de uma iniciativa da Abap que reconhece o poder de persuasão da propaganda e sabe que é preciso haver limites, regras e muita responsabilidade. Há aqueles que acreditam que proibir a publicidade é a melhor solução para proteger as crianças do consumismo, mas a Abap defende o caminho da liberdade, porque ensinar as crianças a viver a realidade é muito mais eficiente do que tentar proibí-las de conhecê-la. Fale um pouco a respeito desta iniciativa, da sua posição a respeito e do alcance da iniciativa até o momento.
Armando Strozenberg: Proibir a exposição da criança à publicidade no estágio atual da comunicação no mundo é algo tão irrealista e risível quanto anacrônico, além de medida (provavelmente) injusta e, com certeza, autoritária. A publicidade responsável, com todos os "do's" e dont's" preconizados pelo CONAR para o tripé anunciantes-agências-veículos de comunicação, e o insubstituível papel dos pais e famílias, constituem, a meu ver, o que de melhor a criança brasileira pode contar como proteção efetiva diante da propaganda mercadológica. Além, é claro, de um debate permanente e de alto nível que um tema tão delicado exige. Exatamente como é a proposta que motivou a ABAP a criar e produzir a iniciativa "Somos todos responsáveis" na internet que, segundo o levantamento mais recente, já envolve a participação de mais de um milhão de pessoas.

Ideia Consumer Insights: Recentemente você participou do encontro "Pensando no Futuro das Marcas" que debateu questões ambientais, econômicas, sociais e culturais, tendo como base a metodologia Branding 3.0. Que temas foram discutidas neste evento no que se refere à relação das pessoas com o consumo e o papel as marcas vão ocupar no futuro?
Armando Strozenberg: Consumo e marcas são fenômenos que aparentemente vieram para ficar na contemporaneidade. O que o encontro debateu foi de que forma as grandes questões do nosso tempo como, por exemplo, a cada vez mais dramática mudança climática que o mundo vive, os debates morais sobre o consumo, o impacto da tecnologia no cotidiano das pessoas, o papel das agências de publicidade e da comunicação de massa etc.

Ideia Consumer Insights: Como analisa o atual momento e o futuro da Euro RSCG?
Armando Strozenberg: O rebranding que acaba de ser implantado, na qual a marca Euro RSCG foi substituída pelo nome e nova marca Havas Worldwide, revela muito bem o momento do grupo. Ao ceder o nome do grupo para a sua principal rede de agências, o grupo Havas - o quinto maior do mundo - sinaliza que a palavra de ordem é integração. De disciplinas, de pensamento, de performance. Em linha, acho com a perspectiva de futuro dos grandes conglomerados de comunicação mercadológica que não queiram sucumbir aos riscos do gigantismo a qualquer preço, nem pelo fascínio simplista pelo acesso cada vez mais fácil via produtos digitais, por exemplo.

Ideia Consumer Insights: Como avalia as perspectivas para a área de propaganda, o que vai mudar daqui para frente, quais as novas mídias etc?
Armando Strozenberg: Esta é a pergunta de um bilhão de dólares, se vocês não se contentarem com as respostas-padrão do mercado. A sensação é de que não há quem não esteja atrás da resposta. No entanto, nada me convenceu até agora de que a ideia, de preferência, a grande ideia, não vai ficar por aí para sempre, seja qual for a plataforma ou o público-alvo.

Ideia Consumer Insights: Que importância você atribui às pesquisas de mercado?
Armando Strozenberg: Este é um segmento que, tanto a propaganda quanto a sociedade em geral, parece fadado a sofrer grandes mudanças nas próximas décadas. Só o fato das pessoas, de forma crescente, estarem vivendo ao mesmo tempo numa sociedade de comunicação de massa e one-to-one, revela o tamanho do desafio que os pesquisadores de mercado têm pela frente.

Ideia Consumer Insights: Em que medida as pesquisas de mercado podem se tornar úteis para os profissionais de comunicação?
Armando Strozenberg: Incluo-me entre aqueles que acreditam que, quanto mais e mais rápido os profissionais de comunicação e pesquisadores de mercado se sintonizarem com a complexidade dos dados psicosociais da contemporaneidade, melhor poderão identificar o problema e garantir o alto nível da solução. É daí que se vai estabelecer a maior ou menor dependência entre eles no futuro.

Por: Betty Wainstock e Ricardo de Castro








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