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Marketing - Uma profissão cada vez mais subserviente

Marketing

Por Beth Furtado - 16/03/2010

Existem profissões soberanas e outras que a cada dia tornam-se progressivamente subservientes em que o conhecimento é irrelevante. Na área biológica ou em exatas, poucos se aventuram a palpitar. Já imaginou o paciente informando ao médico que prefere o medicamento A ao invés do B ? Ou o acionista informando ao engenheiro que quer estressar o cálculo e levar os materiais daquela ponte ao limite? Se acontecer uma vez, pode ter certeza que não terá uma segunda.

 

Na nossa área é diferente. Todos entendem de marketing.  Uma vez, eu estava apresentando uma concorrência de comunicação em um fundo de investimento, quando entrou um rapaz para pegar assinaturas e, enquanto aguardava o executivo assinar os papéis, começou a olhar a apresentação e cinco minutos depois comentava e opinava sobre o trabalho. 

 

Uma das áreas que todo mundo “domina”, são as pesquisas qualitativas. E não só opinam. Basta assistir dois ou três grupos e já tem profissionais que passam a moderar grupos. E pior, analisar os resultados com a profundidade de um pires. Processos grupais são complexos e como o ser humano tem facetas e nuances, não é possível interpretar comportamentos literalmente. No subterrâneo de uma declaração às vezes encontra-se sua antítese.

 

Alguns profissionais estudam anos a relação entre as cores, harmonia, significados e combinações e aí chega um profissional que nem viu o brief, que não entende do assunto, estava passando na porta da reunião e recomenda a troca da cor daquela embalagem por outra que pessoalmente prefere.

 

Estas situações acontecem também com textos, conceitos, produtos, displays, roteiros de filmes, direção de arte de comunciação, músicas em lojas e em spots e por aí vai.. Não é uma questão de aumentar o logo. É uma questão de reconhecer que tem pessoas que fizeram um curso superior, trabalham em suas áreas há anos e quando recomendam um caminho, uma embalagem, uma abordagem, uma campanha ou uma estratégia, ancoram-se não em seu gosto pessoal, mas no conhecimento adquirido em estudos, na literatura e na vida prática.

 

E sabem o que estão fazendo. Se não sabem, contrate quem saiba e utiilize seu conhecimento para aumentar as chances de sucesso. Acredito que seja o imponderável das ciências humanas que abre esta lacuna para a falta de profisionalismo. A questão é que justamente por existir o imponderável, as empresas deveriam se cercar de conhecimento.