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Compartilhar: um estilo de vida

Economia de compartilhamento veio para ficar. É importante entender e se adaptar, pois novos competidores balançam o status quo de empresas tradicionais e apresentam novos desafios

Por | 20/10/2016

pauta@mundodomarketing.com.br

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Hoje, já é comum para alguns viajarem deixando o cachorro com um estranho, alugarem um carro, vaga de garagem, quarto - ou um sofá - de desconhecidos. Mas, por que isso? Esse fenômeno se chama economia colaborativa e está, a cada dia, quebrando novos paradigmas.

Segundo Rachel Bostman, a economia colaborativa é definida como um sistema econômico descentralizado de redes e mercados que destrava o valor dos ativos subutilizados ao juntá-los com as necessidades, em formas que ultrapassam os intermediários tradicionais.

O consumo compartilhado não é algo completamente novo - desde crianças já trocávamos figurinhas repetidas no intervalo; os nossos pais organizavam caronas até a escola; na faculdade, compartilhávamos livros, moradia e caronas na volta para a cidade natal.

O avanço tecnológico e a internet permitiram a criação de plataformas online que oferecem a estrutura para disseminação e proliferação deste tipo de consumo. Tais plataformas expandiram as fronteiras das pessoas, colocando em um nível global "compradores" diretamente em contato com os "vendedores" - ou seja, pessoas com interesses e necessidades em comum.

Essas plataformas se transformam em intermediários, fornecendo a ferramenta e cobrando uma taxa sobre a prestação de serviço ou compra do produto. Como essas taxas são, em geral, menores que as cobradas pelos intermediários tradicionais, há um incentivo por parte dos usuários de tais plataformas, bem como das contrapartes, que oferecem o serviço.

Crise + internet = estresse para os monopólios

E o cenário de crise econômica é ideal: mais clientes buscam o menor preço e mais pessoas buscam oferecer o serviço para complementarem a renda. Parte deste aumento no consumo compartilhado também se dá pelo alinhamento ecológico das gerações atuais, que aprenderam sobre a escassez de recursos e buscam maneiras mais sustentáveis de consumir. Ao buscarem produtos compartilhados, há redução no uso de matérias-primas e desperdício de materiais e energia.

Outra razão para a popularização deste tipo de consumo é a busca pela experiência: usuários que não teriam condições ou oportunidade de desfrutarem certos serviços ou adquirirem alguns bens conseguem fazê-lo por certo tempo.

Além disso, muitos usuários enxergam o aspecto social de compartilhar como um diferencial desses serviços. Décadas de padronização no setor de serviços, como o hoteleiro, por exemplo, tornaram as experiências homogêneas, independente do lugar que você está visitando.

No entanto, ao se hospedar no lar de alguém que mora no seu destino, o usuário de um serviço como o Airbnb tem a oportunidade de se imergir naquela cultura e tornar a sua experiência mais rica. Como o sucesso nesse tipo de atividade é ser bem avaliado e recomendado pelos consumidores, há uma busca por atendê-los bem, pois os mais bem avaliados serão os mais bem-sucedidos.

Com isso, esse tipo de transação fortalece e promove as relações pessoais, aproximando e unindo pessoas que por outros motivos não se encontrariam. Há uma preocupação por parte das empresas dessa nova economia colaborativa em garantir a segurança dos seus usuários. O Uber, por exemplo, verifica o histórico de todos os novos motoristas que aderem ao serviço.

Estas novas empresas entendem a importância da primeira experiência, pois sabem que se ela for bem-sucedida, haverá um aumento do uso dos seus serviços. A economia de compartilhamento veio para ficar, portanto é importante entendermos esse movimento e nos adaptarmos. A entrada desses novos competidores nos mercados balança o status quo das empresas tradicionais e apresenta novos desafios.

Todos nós acompanhamos o choque da entrada do Uber no Brasil, com manifestações de taxistas e o envolvimento do governo na regularização deste novo serviço. Entretanto, mais do que desafios, esse movimento também pode trazer oportunidades.

A Gafisa lançou em 2015 um novo conceito, o Home & Share, que promove a troca de produtos, serviços e experiências entre moradores. O empreendimento disponibilizou carros, bicicletas e até uma unidade de apartamento inteiramente mobiliada e equipada para quem desejar acomodar as suas visitas.

Outro exemplo de iniciativa que vai ao encontro desse movimento é o programa de aluguel de bicicletas do Itaú, que conseguiu unir o desejo por alternativas de mobilidade urbana com o sentimento de compartilhamento e uso do espaço público. Uma rápida pesquisa em redes sociais mostra o impacto do programa e o desejo dos usuários para que ele seja expandido para cidades de todo o Brasil.

Uma nova maneira de monopólio: do mamute ao camaleão
Os exemplos citados mostram que mesmo empresas tradicionais conseguem utilizar essa nova economia para se comunicar com os seus clientes e gerar valor. Qualquer empresa pode se posicionar como facilitadora dessas experiências, exercendo um papel moderador.

Temos também exemplos de empresas tradicionais que começaram a investir nessas novas startups. Avis (locação de veículos), GM e Chrysler iniciaram investimentos em empresas de compartilhamento de veículos. Um insight interessante deste mercado de automóveis foi a expansão da RelayRides, um serviço que inicialmente permitia que pessoas, usando um cartão de membro, alugassem um veículo sem qualquer tipo de contato com o dono.

Após alterarem o modelo para exigir um encontro entre o dono do veículo e o locatário, não só o negócio cresceu, como também a taxa de reclamações de danos aos veículos caiu, provando novamente que a interação entre pessoas é essencial para o crescimento na economia colaborativa.

No entanto, o surgimento desse novo movimento também gerou alguns problemas. Como já mencionamos, a entrada do Uber no Brasil provocou uma forte resistência dos taxistas, pois eles viram os seus empregos ameaçados. Da mesma forma, um crescimento nas reservas do Airbnb é acompanhado por uma queda de clientes no setor hoteleiro tradicional.

É difícil mensurarmos o impacto real dessas novas empresas na economia. Se por um lado perdemos empregos formais, por outro, damos oportunidade a pessoas complementarem a sua renda e novas formas de empreendedorismo surgem.

A economia colaborativa, muitas vezes, troca uma estrutura formal por uma informal. Apesar do ganho em redução de burocracia, é preciso que haja controle para as novas transações que surgirem.

Na sua essência, a economia colaborativa tem como objetivo aproximar indivíduos, utilizando a internet e o mundo digital como canal de comunicação.

Tornar o que era impensável há anos em realidade não é um ato fácil, mas, com certeza, temos a ganhar com um mundo cada vez mais conectado, seja como empresas ou como indivíduos.

Em resumo: marcas nascidas no digital transformaram o impensável em desejável.

Por: Andressa Gusmon e Henrique Cintra

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