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Planejamento Estratégico

Seu branding pode impactar as vendas mais do que oferecer um produto tecnologicamente superior

Para André Palis, a habilidade de uma marca de se conectar com seus clientes é tão ou mais importante que a superioridade técnica do que ela oferece

Por André Palis - 23/02/2022

É só observar o mercado para perceber a corrida tecnológica entre as grandes empresas. Há muitas iniciativas (e muito dinheiro) em andamento para aprimorar as soluções que já temos e desenvolver novas. Faz sentido, já que as inovações dependem em grande parte da tecnologia.

Entretanto, nem sempre isso é o que leva uma empresa ao sucesso com o público. Mesmo que as pessoas estejam procurando por novidades, existe algo que, frequentemente, é visto como mais importante pela maioria dos consumidores: conexão.

A habilidade de uma marca de se conectar com seus clientes é tão ou mais importante que a superioridade técnica do que ela oferece. Pode parecer uma constatação excessiva, mas com alguma análise conseguimos ver que isso é verdade e está acontecendo ao nosso redor.

Nubank, por exemplo, certamente foi inovador à princípio, mas a originalidade não o manteve no topo ao longo de todos esses anos. Desde sua fundação, em 2013, diversos outros bancos digitais surgiram com propostas similares, e até mesmo os bancos tradicionais criaram alternativas digitais para seus serviços. Por que, então, o Nubank continuou como favorito de tantos, ao ponto de seguir crescendo até atingir seu IPO no ano passado?

A resposta está na conexão que foi criada com o público, através de boa comunicação, bom atendimento e experiência focada no cliente. Tudo isso contribui para a imagem da marca, que, aliada a estratégias inteligentes de marketing, seguiram impulsionando o Nubank para frente. Quando os concorrentes apareceram com suas estratégias, mesmo que certeiras, o banco do cartão roxo já havia conquistado uma fatia leal da população.

Isso é branding.

Essa gestão de marca deu certo porque foi realizada desde o início, com aprimoramentos ao longo dos anos. Os resultados são de médio a longo prazo, como pudemos ver pelo sucesso crescente da empresa quase 10 anos depois da sua origem.

Esse é um ponto importantíssimo a se considerar sobre o branding: não é uma estratégia de retorno imediato, mas pode significar a diferença entre expandir ou deixar o mercado em alguns anos. E com certeza significa a diferença entre ser lembrado ou não.

Você certamente já tem algumas marcas em mente quando pensa em determinados produtos. Faça o exercício: pense em franquias de fast food, em tênis de corrida e em refrigerantes. Com certeza cada uma dessas áreas despertou uma memória em você, e a maioria das pessoas pensam nas mesmas. Isso só acontece porque o branding das marcas em questão é muito bem trabalhado.

Se a sua preocupação é o tamanho e o capital dessas marcas, não se engane, marcas pequenas também podem se tornar favoritas e serem lembradas depois de um trabalho consistente de branding. O importante não é ser o maior do mundo ou do País — ainda que esse possa ser o objetivo —, e sim estabelecer conexão com seu público-alvo. E isso não se restringe apenas ao varejo, viu?

Uma pesquisa do Circle Research mostrou que 77% dos líderes de marketing B2B (Business to Business, ou seja, empresas que fazem negócios com outras empresas) consideram a marca como fundamental para o crescimento. Em outro levantamento, da Pitchbook, 82% dos entrevistados consideram a força da marca como um aspecto importante para investidores e outros stakeholders essenciais. Ou seja, até mesmo para conseguir investimento a sua empresa precisa de uma boa gestão de marca.

Lembre-se que o branding faz parte da comunicação, mas está presente sob diversos ângulos. Está nos anúncios, nas publicações online, nas ações sociais, nos eventos, nos patrocínios, nas promoções, no atendimento. Todo e qualquer contato que o público venha a ter com a marca deve ser planejado para seguir um alinhamento e proporcionar sempre experiências positivas.

Se essa estratégia for aplicada correta e frequentemente, as chances que seu cliente te troque por outra empresa são pequenas. Mesmo que, à princípio, o produto ou serviço oferecido seja tecnologicamente superior. Porque você não vendeu apenas um produto para seu público: você vendeu confiança e aproximação. E ganhou de volta a fidelidade.
 

Por: André Palis

Nascido em Ituiutaba - MG, é formado em Administração pela UFSC.