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De Gautama a Jobs: o renascimento do planejamento

Continuamos a resolver as coisas pedacinhos por pedacinhos, e a consequência foi a anulação da capacidade de ver o todo, identificar conexões e padrões mais amplos

Por | 15/06/2015

pauta@mundodomarketing.com.br

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Vocês já pararam para se perguntar porque a "modinha" do Yoga, budismo e outras correntes de pensamento orientais invadiram o mundo hype (ou não) ocidental? Meu questionamento partiu do pressuposto de que são coisas realmente profundas (baseadas na retomada de um pensamento holístico) para se brincar e, apesar de sempre ter sido muito legal aparentar ser hippie, a explicação não podia se reduzir a isso...

Quando o ser humano começou a se questionar sobre o tamanho do planeta, e começou a explorar esse mundo, houve um grande salto de consciência e desenvolvimento científico e tecnológico. Podemos dizer que o momento mais representativo desse tempo (além das grandes navegações) foi a primeira foto do planeta Terra a partir da Lua. A descoberta de que as coisas eram realmente muito maiores do que conseguimos assimilar (para se ter uma ideia, o seu cérebro não consegue assimilar o tamanho de uma cidade como São Paulo) desencadeou uma nova forma de pensar e resolver os problemas: fatiando-os.

A quebra de estruturas grandes e complexas em pedacinhos menores e mais simples facilitou bastante as coisas. Dessa forma de pensar surgiu a especialização, e através da especialização resolvemos problemas que vão desde recriar o Bóson de Higgs até o aumento exponencial de eficiência das matrizes energéticas no mundo. Mas, por outro lado, sua contribuição foi pequena na resolução de problemas sistêmicos, ou seja, com variáveis globais, diferentes atores e interligações complexas.

Um exemplo bobo: a Nova Zelândia conseguiu praticamente exterminar a fauna nativa de suas ilhas graças a inserção de predadores para controle de "pragas". Isso aconteceu no final do século XX, ou seja, é extremamente recente. Já sabemos há algum tempo que ao inserir um espécime de fora daquele ecossistema as consequências podem ser bastante imprevisíveis, mas esse tipo de visão reducionista que ignora completamente a complexidade e as variáveis do sistema ainda é extremamente comum em várias áreas.

Início da consciência e a virada de chave
Com o passar do tempo continuamos a resolver as coisas pedacinhos por pedacinhos, e a consequência foi a anulação da capacidade de ver o todo, identificar conexões e padrões mais amplos. Do ponto de vista da eficiência isso é natural e positivo pelo simples fato de ganharmos agilidade e nos aprofundarmos em questões técnicas, mas chegamos ao ponto em que precisamos discutir a sustentabilidade (não do meio ambiente, mas de tudo) dos processos. E é impossível falar sobre sustentabilidade sem pensar na amplitude dos inputs que fazemos no sistema.
Quando Jobs fala que você tem que fazer o que te dá prazer, porque no final tudo vai se encaixar, ele está te dizendo que "ok, você não sabe como planejar as coisas com as informações que você tem hoje, e tudo bem. Então acredita no teu instinto e vai em frente que no final tudo se acerta".
O ponto que é interessante compreendermos é como essa visão fragmentada está intrínseca tanto na vida econômica/do trabalho quanto na vida pessoal. A moda do Yoga e a busca por correntes orientais que se baseiam no próximo, no sentido de coletividade e de pensamento ecossitêmico é a busca pela plenitude do ser num mundo fragmentado em todas as instâncias.

Repare que as discussões sobre a falta de identidade e afins estão todas baseadas num pensamento desenvolvido a séculos, que força a interpretação dos problemas por poucas óticas, e quebra as informações para que possamos decodificá-las e transformar sistemas complexos em problemas simples. Some a essa visão o fato das decisões mais importantes do mundo serem tomadas por poucos indivíduos, numa sala bem grande e vazia... E vamos além: esses indivíduos são frutos de um sistema meritocrático, onde a eficiência vem muito antes da eficácia.  Esse cara se formou num mundo de metas bem estabelecidas e de curto prazo.

Esses são os motivos pelos quais talvez nem faça sentido reclamar de falta de planejamento. Nos tornamos tão eficientes e especialistas que não vemos sentido em conexões mais amplas e no pensamento de "longo prazo". Beleza, e qual o próximo passo? Além de bastante prepotente, seria muito ingênuo eu te falar como resolveríamos todos os problemas do mundo, mas uma das coisas que têm me dado tesão é entender melhor as correntes baseadas no pensamento coletivo, colaboração, horizontalidade e etc.

Nesse sentido, no livro A sabedoria das multidões, James Surowiecki defende que um grupo de indivíduos é mais inteligente do que o indivíduo mais inteligente do grupo. Tiffany Shlain, no documentário premiado Connected, fala sobre uma retomada ao pensamento em rede com o surgimento da internet, e a consciência de que tudo está realmente conectado a um grande sistema global tipo a teoria de Gaia. Um dos teóricos da teoria da complexidade fala que hoje "deixamos para trás 350 anos de ciências reducionistas, que separavam as coisas, e passamos para uma era na qual estamos tentando juntá-las."

Outras tantas linhas de estudo como os sistemas complexos e sistemas emergentes vêm batendo na tecla de que precisamos nos atentar para um pensamento mais amplo e participativo. É nesse sentido que quero levar nossa conversa. O insight que quero trazer é o de que formas de pensamentos amplos e participativos tem o potencial de trazer novos olhares sobre os problemas atuais e, talvez, ajudar a resolvê-los. Mais por vir. Aguarde em novos artigos aqui no Mundo do Marketing.
 

Por: André Nery

Coordenador do curso ENACT, na Escola de Design Thinking. É Gerente de Produtos na Acxiom Corp., é Cofundador do Panela.me e professor do curso de estratégia e inovação da FAPCOM


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