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A nova lei trabalhista e o alerta para o cuidado com os colaboradores

Para quem atua no segmento do marketing, como o trade, que emprega uma série de colaboradores em diferentes modalidades, os desafios ainda são grandes

Por | 02/07/2018

anap@marcoconsultora.com

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O debate sobre a reforma trabalhista está em voga em toda a América Latina. No Brasil, saímos na frente e estamos diante dos primeiros seis meses da sua aplicação. Como um panorama geral, podemos afirmar que mais do que uma mudança puramente legislativa, essa atualização veio para acompanhar a necessidade da economia e para sustentar uma prática cultural que já vinha dando sinais claros de fortalecimento. Entretanto, o momento ainda é de estudo e adaptação.

Para quem atua no segmento do marketing, em disciplinas como o trade, que emprega uma série de colaboradores em diferentes modalidades além da regular, como terceirizados, temporários e com contrato intermitente, os desafios ainda são grandes.

A oficialização da mão de obra terceirizada foi uma grande conquista para o setor. Dados de um estudo da LCA Consultores de 2014 apontam que o Brasil possui em torno de 300 mil postos de emprego para as funções de promotores e demonstradores de produtos. Além disso, o levantamento Trade Insight, conduzido pelo Clube do Trade em 2017, mostra que 48% das equipes de promotores que atuam no mercado hoje são terceirizadas ou mistas com contratação própria. E essa dinâmica estava um tanto quanto ameaçada pela discussão legal sobre ser legítimo ou não terceirizar a atividade-fim da empresa, visto que também não é algo transparente o que se encaixa nessa classificação.

A reforma trabalhista trouxe para a formalidade algumas maneiras de contratação que já encontravam lugar de forma "informal", sem constar na previsão antiga da CLT. Elas visam uma maior flexibilização, como a divisão das férias, e a abertura de novas condições de trabalho, como o remoto. Entretanto, a discussão sobre o trabalho intermitente foi alvo de grande polêmica. Nos primeiros 50 dias da nova legislação menos de 500 empresas aderiram à modalidade que se relaciona de maneira não contínua com o colaborador, com alternância de períodos de prestação de serviços e inatividade. Dentre as vagas criadas, o comércio saiu na frente com 4,5 vezes mais posições do que o segundo lugar, que foi a indústria dos serviços. Foram mais de 4 mil posições abertas, das quais quase a totalidade destinou-se a assistente de vendas (3.903).  

Este formato, ao lado de temas como negociação coletiva, jornada de 12 x 36 e atividade insalubre desenvolvida por gestantes e lactantes, constava na medida provisória que deixou de vigorar no dia 23 de abril por falta de votação do Congresso. E, dessa forma, no momento, deixa de existir.

Diante disso, há quem ressalte o enfraquecimento das ações coletivas e outros que valorizam a desburocratização da contratação. Do ponto de vista da justiça, é possível perceber um judiciário sobrecarregado, mas menos "abarrotado", e partes mais cautelosas em seus pedidos diante da regra da sucumbência, uma espécie de multa para quem pede, mas não leva. Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) dão conta de que de janeiro até março de 2018 foi registrada uma queda de 45% na quantidade de processos trabalhistas quando comparado com 2016 e 2017.

E, esse, é um dos pontos mais relevantes do assunto. Setores como o nosso, que sofriam com a banalização dos processos trabalhistas, encontram agora regras mais claras para os dois lados da relação (empregado e empregador). Com isso, o funil caminha para que as causas sejam mais justas. Como consequência, o reflexo é um maior otimismo e mais ânimo por parte do mercado para novas contratações - seja por parte dos executivo em posição de liderança do lado da indústria, que precisa promover o contingente no campo, ou do lado do prestador de serviço, que atua como um facilitador no processo. Essa modernização representa um novo impulso para os tempos que ainda estão por vir.

Mas, hoje, aqui, o objetivo não é apenas o apanhado do que mudou, mas sim mostrar que, principalmente os gestores que atuam com estratégia de campo e que são responsáveis por operações não apenas nacionais, mas também multinacionais, precisam nesse momento contar com assessoria de parceiros preparados para lidar com as singularidades e com as rápidas mudanças de cada cenário trabalhista e para, ao mesmo tempo, entregar excelência, independente do desafio.

Isso porque, o gerenciamento de talentos requer muitos cuidados, pois lida com o que há de mais valioso em uma companhia: as pessoas. Uma má gestão deste ativo implica em perdas financeiras que podem comprometer a saúde financeira de uma marca: seja em função da desmotivação em um ambiente de trabalho que não incentiva a capacitação e o desenvolvimento ou por conta de uma contratação em formato errado e não cumprimento de regas e leis que podem ocasionar ações judiciais.

Há uma tendência explícita de grandes marcas investirem com vigor no desenvolvimento de pessoas. No fim das contas, são elas que orientam decisões e criam relacionamentos capazes de fortalecer o vínculo dos consumidores com as marcas. É necessário entender de leis, de pessoas e, sobretudo, saber como mediar possíveis tensões entre os públicos envolvidos.

Por: Ana Paula Andrade

Ana Paula Andrade é country manager da Marco Marketing Brasil, empresa com 20 anos de mercado e especializada em Field Marketing. A executiva está acompanhando a NRF 2018 e escreveu este artigo exclusivo para o Mundo do Marketing


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