6 erros que as pessoas cometem ao fazer questionários | Mundo do Marketing

Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Artigos

6 erros que as pessoas cometem ao fazer questionários

Talvez pela própria facilidade de se criar esses formulários, muitas pessoas erram e enviesam o formulário de pesquisa de mercado, gerando dados imprecisos

Por | 28/03/2019

pauta@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Usar questionários para fazer pesquisas de mercado é uma forma fácil e barata de se ter uma noção de como as pessoas se comportam. Os resultados dessas pesquisas permitem que as empresas criem ou adaptem produtos ou serviços que estejam mais alinhados com o que o mercado deseja. Acontece que, talvez pela própria facilidade de se criar esses formulários (há ferramentas muito simples de serem usadas, como o Google Forms ou o Survey Monkey), muitas pessoas cometem erros que fazem que o questionário forneça informações inúteis ou, pior ainda, que não refletem a realidade. Aqui estão alguns desses erros e como evitá-los:

1. Perguntar "Você compraria esse produto?"
Essa é uma pergunta presente em muitos questionários de validação de produto e que, salvo raríssimas exceções, não vai mostrar resultados reais. As pessoas, de modo geral, não sabem se vão comprar um produto a menos que saibam o seu preço, tenham visto pelo menos uma foto dele e tenham sentido necessidade de comprar algo daquele tipo. Acontece também de o respondente marcar "sim" por não causar incômodo em quem está perguntando ou, ainda, a pessoa responde "sim" na melhor das intenções e, na prática, isso não acontece.

Pior ainda, muitas vezes essa pergunta vem acompanhada de inúmeras vantagens do produto, como por exemplo: "você compraria o doce mais gostoso da cidade, que custa metade de um brigadeiro e ajuda no emagrecimento?". Muita gente vai falar que compra - e o empreendedor fica orgulhoso de sua pesquisa: "100% das pessoas que responderam disseram que vão comprar meu produto", mas essas respostas não refletem a realidade.

Esse tipo de pergunta deve ser evitada. Para saber se uma pessoa tem chances de comprar um produto ou não, é mais adequado fazer experimentos. Por exemplo, pode-se fazer uma landing page mostrando os benefícios do produto e seu preço e verificar quantas pessoas, de fato, entram em contato querendo comprar o que está no site. Outra opção é fazer anúncios no Instagram mostrando como seria o produto ou serviço e também analisar o interesse das pessoas.

2. Fazer perguntas demográficas no início do questionário
Perguntar nome, idade ou gênero no início do questionário faz que as pessoas gastem o tempo que têm mais energia (acabaram de começar a responder, ainda não estão cansadas) respondendo algo que é relativamente fácil e que não é o principal para a maioria das pesquisas. Outro problema é que a pessoa pode ficar desconfiada e pensar que essas informações serão utilizadas de forma indevida.

O recomendado é que os questionários comecem com as perguntas mais valiosas para a pesquisa. Provavelmente os respondentes estarão mais dispostos e as responderão com mais atenção do que as perguntas do final do questionário. As questões demográficas, que não precisam de tanta atenção do respondente, são colocadas no final, já que quem vai responder não precisa de muito esforço para saber marcar as opções corretas.

3. Ter perguntas que querem saber mais de uma coisa
Perguntas no estilo "quantas vezes você utiliza o computador e leva o notebook ao trabalho por semana?", e dá a opção de respostas fechadas (ex.: "uma vez"; "duas vezes"; etc) deixa o respondente confuso, já que a pergunta quer saber duas coisas ao mesmo tempo (quantas vezes o computador é utilizado e quantas vezes o notebook é levado ao trabalho). A correção desse erro é simples: basta dividir a pergunta em duas.

Não é aconselhado também fazer esse tipo de pergunta mesmo quando são questões abertas, já que o respondente pode esquecer de responder um dos questionamentos (ex: "Coloque seu telefone e seu endereço no campo abaixo"). É melhor colocar uma pergunta por campo.

4. Deixar todas as perguntas como obrigatórias
Quando todas as perguntas são obrigatórias em um questionário, pode acontecer de o respondente marcar uma resposta qualquer para aquelas perguntas que ele não quer ou não se sente à vontade para responder, apenas para que consiga concluir a pesquisa. Pior ainda, o respondente pode não querer responder e não clicar em "concluir" a pesquisa - e o pesquisador ficar sem nenhuma informação. Na maioria das pesquisas de mercado não tem problema uma ou outra pergunta ficar sem resposta. Assim, é recomendado que deixe todas as perguntas como não-obrigatórias, com o pesquisador tendo consciência de que é melhor ter um ou outro dado faltante do que dados irreais.

5. Utilizar linguagem que o respondente não entende
Muitas vezes o empreendedor está tão imerso em seu negócio e acostumado com a linguagem da sua área que esquece que seu cliente não tem essa familiaridade. Por isso, ele coloca no questionário perguntas que acha que são banais mas que o respondente não sabe do que se trata. Por exemplo, a questão "Quando você atingiu o break even?" pode ser fácil para economistas ou gestores financeiros, mas de difícil entendimento para quem não conhece o termo. O ideal é verificar se todas as palavras estão de fácil entendimento, sem ambiguidades e, preferencialmente, fazer testes com pessoas totalmente leigas no assunto. Ou seja, mostrar o questionário para quem não é da área e verificar se elas têm alguma dúvida em relação aos termos utilizados no questionário.

6. Direcionar a pergunta para um público e generalizar as respostas.
Obter muitos respondentes para um questionário não é tarefa fácil. As pessoas, de fato, têm resistência e simplesmente não querem gastar tempo respondendo perguntas. Por causa disso, muitas vezes quem responde os questionários são pessoas próximas do pesquisador, como amigos ou familiares. O problema é que esses respondentes podem não ser o público-alvo do negócio que está fazendo a pesquisa, e nem refletem as respostas de um grupo maior de pessoas. Por exemplo, imagine uma pesquisa cujas respostas mostrem que "70% dos respondentes acham o serviço de transporte por aplicativo inseguro". A partir dela, não é correto afirmar que "70% da população acham inseguro o transporte por aplicativo". Essa informação mostra apenas que 70% dos respondentes daquela pesquisa acham o transporte por aplicativo seguro. Os respondetes da pesquisa não refletem as respostas de uma população inteira, a não ser que se utilize ferramentas para estratificar a população (isso é feito em pesquisas eleitorais, por exemplo). Uma pesquisa que reflete as preferências de uma população é cara e trabalhosa. A solução mais simples para resolver esse problema é o pesquisador ter consciência de que a pesquisa está mostrando os dados referentes a uma amostra específica, e que ele pode tirar conclusões para pessoas com o perfil daquela amostra (por exemplo, "mulheres de 20 a 30 anos que moram na zona sul de São Paulo e que têm curso superior").

Questionários, utilizados da forma adequada, podem levar ótimos insights para empreendedores de qualquer área. É necessário entender as limitações dessa ferramenta, tendo em mente que nem sempre o questionário é a melhor forma de se coletar informações de clientes: além de questionários, pode-se utilizar entrevistas, grupos focais, experimentos e vários outros métodos, dependendo do objetivo da pesquisa. Em muitos casos é melhor ter qualidade nos dados do que quantidade de respondentes.

(Crédito imagens: Depositphotos)

 

Por: Altair Camargo

Co-Fundador da Sempreende. PhD researcher (USP) em Marketing de Serviços. Mestre em Empreendedorismo e Inovação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Pós-graduado em educação para adultos. Revisor da Revista de Administração e Inovação e da Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas. Tem experiência na coordenação de eventos relacionados a Empreendedorismo e Inovação em universidades. É autor de diversos artigos científicos publicados nas áreas de Marketing e Empreendedorismo. Por dois anos, atuou como professor de cursos de graduação na UFG, tais como Administração, Ciências Contábeis e Engenharias. Já ministrou módulos de Marketing e foi orientador de TCCs em cursos de pós-graduação da UFG


Comentários


Acervo

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2019.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2019. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss