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Planejamento Estratégico

Decisões compartilhadas para melhores resultados

Apesar de ser a base de qualquer corporação, o processo de tomada de decisões sempre foi um assunto complexo

Por Alexandre Duarte - 18/11/2020

A pandemia afetou o modelo de gestão de muitas organizações ao redor do mundo. A aceleração da transformação digital, as mudanças nas relações de trabalho com a ampliação do home office e uma série de incertezas em relação à economia fizeram com que atividades simples do dia a dia passassem a ser repensadas e remodeladas para atender a uma nova normalidade que começa a se desenhar. Essas alterações vêm acompanhadas de uma ressignificação na tomada de decisões, um processo que, mais do que nunca, precisa se tornar ao mesmo tempo ágil, aberto e colaborativo.

Apesar de ser a base de qualquer corporação, o processo de tomada de decisões sempre foi um assunto complexo. Pesquisa global da consultoria McKinsey mostrou que apenas 20% dos líderes acreditam que suas organizações são excelentes neste exercício. A maioria (61%) diz que boa parte do tempo que dedicam a essa atividade, algo em torno de 37% de um dia de trabalho, é usado de forma ineficaz. Essa realidade pode ter implicações bastante negativas para as empresas. Para os gerentes de uma companhia média da Fortune 500, por exemplo, esse tempo pode se traduzir em mais de 530 mil horas de trabalho perdidas e aproximadamente US$ 250 milhões em custos de mão de obra desperdiçados por ano.

O levantamento mostra que a ineficiência no processo de tomada das decisões se concentra em dois pontos principais: agilidade e qualidade. Para melhorar esses índices, as organizações precisam revisitar os modelos atuais de gerenciamento, focando em processos mais adequados para a tomada de decisão em todos os níveis da companhia. Em um ambiente que muda constantemente, os líderes devem responder às necessidades do negócio de forma cada vez mais ágil, ao mesmo tempo em que reúnem um conjunto diverso de perspectivas e informações analíticas.

Gestão colaborativa, decisões mais assertivas

Entre as ferramentas que podem ajudar as corporações a preparar melhor suas lideranças para um processo de tomada de decisões coeso, ágil e eficiente está o conjunto de práticas de gerenciamento aberto, também conhecidas por Open Management Practices. Trata-se de uma coletânea de características e habilidades que precisam ser observadas para identificar e criar líderes, esclarecendo o importante papel que eles desempenham dentro das organizações.

O compilado foi construído a partir das premissas do open source, movimento tecnológico de criação de software de código aberto que funciona de forma descentralizada e colaborativa. Da TI para o dia a dia de grandes corporações ao redor do mundo, as práticas de gerenciamento aberto têm entre seus pilares o foco em ações recorrentes e essenciais para o desenvolvimento de negócios de sucesso, entre os quais a tomada de decisões de maneira transparente, assertiva e com participação de diversos pontos de vista.

Open Leaders, como são chamados os gestores que utilizam essas práticas em seu dia a dia, conseguem otimizar seus processos decisórios porque estão abertos a ouvir suas equipes e ampliar suas perspectivas, enxergando um mesmo problema por diversos prismas distintos. Estão sempre abertos à gestão participativa, colaborativa e integrativa, acreditando que este é um dos melhores caminhos para garantir tomadas de decisões ágeis, desprendidas de vieses e com efetividade para os negócios e para os colaboradores. Por isso, fazem uma combinação de dados, experiências, conhecimentos e diferentes perspectivas a fim de encontrar e colocar em prática a melhor decisão.

Open Decision Framework

Nesse processo, contam com a ajuda de uma importante ferramenta também desenvolvida dentro do universo da Cultura Open. O Open Decision Framework (ODF) é uma estrutura flexível que ajuda tomadores de decisão e líderes a buscar perspectivas diversas e colaborar entre equipes e ecossistemas, como parceiros e clientes, para tomar melhores decisões a partir de quatro etapas que vão da concepção à efetivação da decisão em si. 

De acordo com o Open Decision Framework, a tomada de decisão aberta é transparente, inclusiva e centrada no cliente. Envolve claramente o compartilhamento de problemas, requisitos e restrições com todos os envolvidos; colaborar com as partes interessadas para garantir opiniões diversas e feedback abrangente; e o gerenciamento de relacionamentos e expectativas entre necessidades e prioridades concorrentes.

De maneira geral, as decisões abertas facilitam o bom funcionamento das meritocracias, valorizando contribuições concretas e encorajando ideias de todos os cantos de uma organização. Apoiados por essa ferramenta, Open Leaders trazem o time para junto de si, estimulando todos os associados a serem participativos, dando voz a cada profissional para que manifestem seus pontos de vista. A partir da soma das diversas interpretações e colocações, chegam à decisão que consideram mais assertiva e dividem com os liderados os motivos que levaram a optar por determinado caminho.

Um grande desafio é balancear velocidade e qualidade das decisões tomadas. O modelo Open muitas vezes desafia o ego de seus líderes. Por que incluir outros no processo decisório? Por que é valioso chegar ao consenso através do dissenso? A resposta simples é porque esse processo leva a melhores decisões, a melhor engajamento da equipe, a melhor execução e a melhores resultados. Em muitas situações direção é mais importante que velocidade. Se estamos na direção incorreta em alta velocidade, simplesmente chegaremos mais rápido ao destino errado.

É claro que, mesmo com todos esses cuidados e envolvimento, em muitos casos será preciso corrigir a rota e, portanto, mudar as decisões durante o trajeto. Open Leaders não têm receio (ou vergonha) em reavaliar os processos que não estão produzindo os resultados esperados para buscar novas e melhores formas de fazer determinada atividade ou processo. No entanto, prezam por sempre manter a transparência e abertura para ouvir a todos. No fim do dia, o que torna esses líderes diferentes, esses colaboradores mais engajados e essas empresas diferenciadas é o fato de terem compreendido que decisões compartilhadas são essenciais para um crescimento contínuo, efetivo e saudável para os colaboradores e para o próprio negócio.

Por: Alexandre Duarte

Vice-presidente de Consultoria e Treinamento para América Latina na Red Hat