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Amadurecimento do crédito no varejo

Na medida em que o varejo direciona sua estratégia de crédito para cartões híbridos, torna-se um agente de transformação

Por | 18/10/2010

pauta@mundodomarketing.com.br

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Por Alberto Serrentino*

O fenômeno da progressiva migração de crédito para os meios eletrônicos reflete o amadurecimento do mercado de crédito a consumo massificado no Brasil, que vem se desenvolvendo desde o controle inflacionário trazido pelo Plano Real. O varejo vem desempenhando papel fundamental na democratização do crédito e dos meios de pagamento eletrônicos no Brasil.

Os carnês de crédito direto ao consumidor migraram progressivamente para cartões próprios fechados (private label), que só podem ser usados no estabelecimento emissor. Recentemente, o varejo, em parceria com bancos e bandeiras, começou a oferecer cartões híbridos (ou co-branded), que permitem comprar em condições vantajosas na loja da bandeira e ter aceitação em outros estabelecimentos.

A relação do varejo com o crédito e os bancos também se transformou ao longo dos últimos quinze anos. Inicialmente, o varejo controlava sua operação de crédito e sua carteira de clientes financiados, considerada um ativo estratégico. O êxito do setor em administrar crédito massificado junto a consumidores de baixa renda atraiu o interesse de bancos e financeiras. Começou então o ciclo de acordos entre setor financeiro e varejo, que envolveu desde venda de carteiras e parcerias para gestão do crédito e exploração de serviços financeiros, até a constituição de sociedades - como Ponto Cred entre Ponto Frio e Unibanco, Luiza Cred entre Luiza e Unibanco e Fic entre Pão de Açúcar e Itaú. Também ocorreram aquisições, como do Hipercard pelo Unibanco e iBi pelo Bradesco.

Na medida em que o varejo direciona sua estratégia de crédito para cartões híbridos, torna-se um agente de transformação, ao ampliar a penetração de meios de pagamento eletrônicos. Atualmente, a C&A tem um número de cartões equivalente ao número de correntistas do Bradesco, enquanto Renner e Riachuelo têm número de cartões próximo ao número de correntistas do Itaú-Unibanco, o que revela a capacidade do varejo em ampliar o alcance do crédito a consumo no Brasil, suportado pelos grandes bancos comerciais.

Para o varejo, o aspecto positivo desse processo é aumento escala gerada pela concentração bancária; redução de risco; foco na operação e no negócio principal; e possibilidade de acelerar o crescimento e expansão por menor necessidade de capital de giro para financiar o cliente. Para o consumidor final, há ampliação de acesso a crédito e potencial diminuição nos juros cobrados em operações de financiamento.

De outro lado, o aumento de concentração no varejo leva a alguma "comoditização", tirando o diferencial que algumas redes tinham de conhecer melhor seu cliente e aprovar crédito ou limites que outros recusavam. As taxas e planos também tendem a nivelar-se rapidamente.

Entretanto, o mercado deve continuar se expandido. As classes B2/C passaram de 50% da população em 2003 para 68% em 2010. Melhora em emprego, renda, massa salarial e confiança, além de ampliação e barateamento na oferta de crédito, levaram a uma explosão no consumo financiado. O crédito livre para pessoa física no Brasil não chega a 15% do PIB, o que deixa forte perspectiva de crescimento para os próximos anos.

* Alberto Serrentino - consultor e sócio sênior da GS&MD - Gouvêa de Souza.

Por: Alberto Serrentino

Consultor especializado em varejo


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