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O que uma adolescente e um executivo têm em comum?

É fundamental não ser regido por seu ponto cego, seja ele a necessidade de aceitação e reconhecimento ou o apego hermético às próprias ideias. É preciso avançar

Por | 03/06/2015

pauta@mundodomarketing.com.br

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Minha filha voltou reflexiva de uma viagem à Serra da Capivara, no interior do Piauí. Sou muito grata à escola por ter lhe proporcionado tão cedo uma experiência como esta. Como era esperado, voltou encantada com a natureza, mas foi a experiência humana que lhe trouxe maior inquietude.

"As pessoas lá parecem muito mais experientes" - ela me disse. "As crianças sabem dançar forró aos 3 anos, os adolescentes estudam, trabalham e fazem parte da comunidade; todos têm histórias para contar; a máquina fotográfica digital, comum entre nós, parecia ser a única coisa que nos dava alguma vantagem".

Este recorte emocional feito por ela me pareceu tão valioso por um motivo muito simples: abria uma brecha para a COMPLEXIDADE, ao desafiar suas referências de valor.

O livro Imunidade à Mudança, de Robert Kegan e Lisa Laskow Lahey, apresenta uma abordagem bem fundamentada sobre os diferentes estados de complexidade mental no adulto, que (sim!) vivencia um avanço qualitativo em sua capacidade mental ao longo da vida e não apenas até os 20 anos, como pensavam os clássicos estudiosos do desenvolvimento.

Segundo os autores, para além do estado sociável, quando estamos focados em atingir as expectativas de um grupo do qual valorizamos fazer parte, ou, ainda, do estado autoral, no qual criamos o que chamam de "cadeira de julgamento", que nos permite fazer escolhas, tomar posições e falar com voz própria, há um estado mais maduro que é chamado de "estado transformador".

Nesse estado, somos capazes de nos distanciar de nossas ideologias e enxergar que todo e qualquer sistema é parcial ou incompleto e, assim, nos mostrar mais abertos às contradições e aos opostos.

Como as pessoas dotadas de mentes autorais, os autotransformadores também questionam, mas não para confirmar suas hipóteses preestabelecidas e, sim, para revisar um plano e levá-lo a um novo patamar de qualidade.

Todos já sabemos que estamos num mundo exigente, de mudanças rápidas em todos os sentidos, mas o quanto essas mudanças demandam de nosso arsenal psicológico?

Embora a expressão cunhada no livro "mentes autotransformadoras" nos leve a pensar em capacidades cognitivas como o QI, não se trata disso. Privilegia-se a capacidade de dar respostas adaptativas, em outras palavras,soluções que vêm de pensamentos mais sofisticados, nascidos na transformação que sofremos ao analisar cenários cujas respostas técnicas (baseadas em conhecimentos que adquirimos ao longo do tempo) não são suficientes.

Quais são estas oportunidades únicas que podem nos fazer desenvolver tanto?

1. "Experiência persistente de uma boa dose de frustração, dilema e mistérios da vida…
2. perfeitamente projetada para nos levar a sentir os limites de nosso modo atual de conhecimento…
3. em alguma esfera da vida que nos é relevante
4. e apoio suficiente para que não fiquemos sobrecarregados pelo conflito, a ponto de tentar fugir ou dissipá-lo."

Dos 21 CEOs de empresas bem sucedidas, com receitas superiores a 5 BI, somente quatro apresentaram um estado mental "autotransformador", numa pesquisa conduzida por Keith Eigel; o mesmo se repetiu para um grupo de médios gerentes avaliados pelos próprios CEOs.

Dado que a correlação entre complexidade mental e maior competência e desempenho no trabalho ficou evidente, deveríamos almejar o aumento do número de pessoas com este perfil.

Reconhecer-se diante da complexidade é um passo importante nessa direção, porém, para um adulto, fundamental é não ser regido por seu ponto cego, seja ele a necessidade de aceitação e reconhecimento ou o apego hermético às próprias ideias. É preciso avançar, deslocando-se do foco do problema para o foco em si mesmo diante do problema!

Sobre minha filha, agradeço por me trazer um insight tão interessante, vindo de uma constatação tão honesta.


 

Por: Adriana Rosa

SÓCIA DA GYRUS, CONSULTORIA ESPECIALIZADA EM MARCA E CULTURA ORGANIZACIONAL






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