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Forasteiros no Marketing
Como profissionais de outras áreas podem atuar no segmento
Por Guilherme Neto
pauta@mundodomarketing.com.br
Na área de Marketing, é comum uma alta rotatividade de profissionais entre empresas e agências. Há ainda aqueles que deixam de lado outras profissões e passam a exercer cargos nesta área. Mudanças como essas provocam um misto de ansiedade e temor em muito profissionais e são cada vez mais comuns.
Essencial em qualquer empresa, o departamento de Marketing se caracteriza por relacionar-se com os mais diversos setores, o que acaba por atrair muita gente de outros ramos, seduzidas pela idéia da aparente fácil linguagem e aprendizado.
Insatisfação ou meta de crescimento como motivo
Isso pode ser percebido com a polêmica envolvida no projeto de lei para regulamentação da profissão de Marketing, a ser votado em Brasília este ano, em que somente é considerado um profissional apto apenas com diploma superior ou experiência de pelo menos sete anos. Não são poucos, porém, os profissionais de Marketing que não se enquadram nesses quesitos e que protestam contra a medida.
Os motivos que levam alguém a mudar de carreira geralmente são a insatisfação pessoal no trabalho atual, seja relativa às funções exercidas, má remuneração ou relacionamento com colegas, ou ainda a busca por um diferencial através de uma maior experiência em atributos não relativos ao emprego atual.
Uma ruptura na vida profissional e pessoal foi o motivo dado por Nélio Bilate para sua saída da direção de Marketing, Vendas, Pós-Vendas e Planejamento de Produto da Nissan para o Mercosul. Em entrevista publicada no Mundo do Marketing, o agora CEO da Addcomm explica que não estava feliz com o status de luxo excessivo e a falta de liberdade que seu antigo emprego no mundo corporativo lhe rendia e, por conta disso, optou “pelo menos e pelo desconforto” ao entrar na agência digital.
Planejamento é essencial
Já Simone Barros, jornalista que assumiu no início do mês o cargo de Gerente de Marketing do Comunique-se, aponta como razão de sua investida nessa área a busca por uma maior experiência com a Comunicação. “Venho há vários anos me preparando para isso. Percebi a tendência do mercado de esperar que um profissional de comunicação não exerça apenas o que sua habilitação específica precisa, mas também fosse um profissional mais completo e experiente com outras áreas de comunicação”, comenta.
Decisões como essas, porém, não podem ser tomadas de uma hora para outra. Segundo Gustavo Boog (foto), consultor e terapeuta organizacional, é necessário um planejamento pessoal. Ele próprio é formado em engenharia de produção, mas resolveu trabalhar com recursos humanos, atuando hoje como diretor do Sistema Boog de Consultoria, empresa que trabalha com treinamento e desenvolvimento de processos organizacionais e de carreiras.
“É muito importante ter um quadro atualizado sobre quem você é. Tem que fazer uma análise precisa para saber você tem as competências exigidas pela nova profissão. Caso não as tenha, é necessário que estude e procure se especializar nesses quesitos”, diz Gustavo, que aconselha um período de um ano no mínimo para preparar-se.
Estudos como alicerce
A prática de estudos ajudou Simone Barros (foto). Em 2000, ela fez MBA em Marketing pela FGV-Rio e, depois, fez um curso de Marketing de Relacionamento em São Paulo. “Isso me abriu novas possibilidades”, conta Simone em entrevista ao site, que após estes estudos conseguiu um cargo no Banco Prosper, onde ficou encarregada da área de Comunicação e Marketing.
A familiaridade de Simone com empresas, já que trabalhou principalmente com Comunicação Empresarial em sua carreira, também é algo que facilitou sua mudança para o Marketing. Apesar disso, ela diz não ter abandonado a carreira de jornalismo. “Hoje trabalho num veículo de comunicação exercendo Marketing, o que acabou sendo para mim um casamento feliz entre as duas áreas que estimo. No Comunique-se, às vezes acabo ajudando jornalista e até dou aulas de comunicação interna, apesar de não ser meu foco”, comenta ela.
Um caso semelhante é o de Jacqueline Lopes, farmacêutica de formação que, buscando diferencial, trabalhou 16 anos na indústria de farmácia em cargos como gerente de produto, gerente e diretora de Marketing. Após uma passagem como Diretora de Marketing pela Multiplan Gestão de Shoppings, hoje é responsável pelo Marketing do Spoleto.
Jacqueline afirma que a experiência com Marketing de shoppings ajuda em sua nova função na rede de culinária italiana. O trabalho em empresas tão diferentes, porém, não assusta Jacqueline. “O que diferencia são as ações que você vai fazer com o produto. O conceito e a estratégia são semelhantes”, conta.
Familiaridade com o Marketing: fácil de aprender?
O senso-comum que dita que todo mundo entende um pouco das profissões relativas à Comunicação, o que inclui parte do Marketing, ajudou Jacqueline e Simone. Ambas, no entanto, aconselham uma aproximação prévia com o Marketing antes de uma mudança. A Coordenadora de Marketing do Spoleto, que também cursou MBAs e pós-graduações ligadas à área, lembra que esse é um departamento muito importante e influente para a empresa e seus funcionários. Portanto, um contato maior com o Marketing da empresa sempre é recomendável, seja através de estudos ou contato com profissionais da área.
Já a Gerente de Marketing do Comunique-se acredita que é comum um envolvimento entre funcionários dos mais diversos tipos, o que acaba facilitando uma mudança. “Invariavelmente você trabalha em um projeto que envolve jornalistas, RPs, publicitários e gerentes de marketing numa mesma equipe e acaba se familiarizando com a linguagem semelhante usada por esses profissionais e as ações e procedimentos efetuados por eles”, conta Simone.
Gustavo Boog também compartilha a idéia de que a familiaridade da profissão também é um atrativo. “Cada tema tem suas próprias técnicas e conhecimento. Diria que o fato de ser um assunto que todo mundo entende, ou que pelo menos é metido a entender, de alguma forma facilita o acesso de outras pessoas a essas áreas. Vejo nessas áreas um aspecto técnico, mas que não tem uma formação tão especifica, o que acaba agregando pessoas das mais diversas formações”, explica em entrevista ao Mundo do Marketing.
E se der errado?
Mesma com planejamento, sempre há chance de uma mudança dar errado. Por isso, o terapeuta organizacional também recomenda uma reserva financeira para o caso do profissional acabar desempregado. “Uma outra pessoa vai ocupar o cargo que você ocupava antes da mudança. Usualmente, essas mudanças são um caminho sem volta. Estou generalizando, mas, claro, tem exceções” alerta Gustavo.
Além do planejamento, estudos, relacionamento com profissionais de outras áreas e reserva financeira, é recomendável sempre estar antenado com o que acontece no mundo e, mais especificamente, no mercado em que a pessoa pretende trabalhar. “Além disso, procure estar sempre disponível para as pessoas, querer aprender, querer participar, mesmo que não sejam atividades correlatas ao cargo atual, sempre aumenta a experiência pessoal e profissional”, conta Simone. Jaqueline completa: “Aconselho (mudar) a qualquer profissional que tenha meta de crescimento na carreira pessoal”.
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