Quando resolve apostar em parcerias para a gestão de uma atitude, uma marca deve saber eleger seus aliados e, acima de tudo, acompanhar processos e resultados de forma diligente. Se opta por adotar uma ação que já está em curso, o cuidado é redobrado, para garantir uma transição sem ruídos e a conexão entre o projeto e os objetivos estratégicos da marca. Reconhecida em nível nacional, a Fundação Nokia de Ensino (FNE) tem mostrado ser um exemplo de gestão compartilhada capaz de gerar consistência para a marca e relevância para seus públicos de interesse.
Criada há 25 anos em Manaus, a FNE tornou-se uma referência no ensino de informática, mecatrônica e telecomunicações, com 98% de aprovação de seus alunos em universidades públicas. Antes apoiada pela extinta Sharp, a escola vem sendo mantida pela Nokia nos últimos 11 anos, em parceria com o Governo do Estado do Amazonas e a Secretaria Estadual de Educação, que cede o terreno onde está localizada. Em vias de desestruturar-se por falta de uma mantenedora, o projeto exigiu investimento contínuo a longo prazo e converteu-se em resultado positivo para a Nokia. Eleita a melhor escola técnica do Norte, Nordeste e Centro-Oeste em 2011, a fundação é uma das atitudes mais significativas da empresa finlandesa no mundo.
Ação regional, práticas globais
São 420 alunos –70% provenientes da rede pública- matriculados em período integral na escola, que funciona na mesma região onde está situada a fábrica da Nokia no Brasil. No eixo estratégico da ação estão a conexão com a comunidade local e a formação de profissionais para atender à demanda técnica da maior zona industrial do país. “Com essa fonte de recursos qualificados também podemos auxiliar os órgãos de desenvolvimento na atração de investimentos para a região”, afirma Fabíola Bazi, diretora geral da FNE. Ao priorizar o desenvolvimento regional e ao mesmo tempo contribuir para a capacitação industrial de forma mais abrangente, a Nokia dialoga com diferentes públicos de interesse e agrega valor à sua percepção por parte de stakeholders.
Durante o processo de alinhar a atuação da fundação ao posicionamento da marca foram incorporadas à gestão escolar práticas como o planejamento estratégico e a avaliação de desempenho. “Passamos a ter uma gestão mais profissional, participativa e que segue tendências globais. Isso faz com que a gente tenha profissionais mais completos em todas as posições”, avalia Fabíola. Para garantir avanços, o projeto pedagógico também está em permanente mensuração, por meio de metas e indicadores que auxiliam a Nokia e seus parceiros a avaliar melhorias e desafios, além de redirecionar investimentos.
Outro atributo da marca reforçado pela ação é o incentivo à pesquisa e desenvolvimento de projetos. Graças à proximidade da fundação com o Instituto Nokia de Tecnologia e a um constante exercício de benchmarking, a escola consegue manter-se atualizada e desenvolver projetos de relevância para a comunidade. No ano passado, por exemplo, a FNE levou o primeiro lugar na FEBRACE, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, com um projeto para transformar óleo de cozinha em sabão, e foi uma das classificadas para representar o país na feira Intel ISEF, em Los Angeles.
Em outra frente, a fundação realiza doações do resultado de projetos científicos desenvolvidos por seus alunos. Um exemplo foi um software cedido à APAE Amazonas que auxilia a melhoria de habilidades específicas de crianças com síndrome de down. Além da pesquisa que resultou no aplicativo, os alunos ajudaram a treinar os funcionários da APAE para sua utilização.
Proximidade e vínculos afetivos
A atuação destacada da fundação gera uma grande concorrência no processo seletivo. Em 2011, foram 4.823 inscritos para 160 vagas no concurso público anual que elege novos alunos. Depois da aprovação, é realizada uma avaliação econômica da família e aqueles que não podem colaborar - cerca de 50% - não pagam mensalidade. Todos os estudantes fazem três refeições na escola e recebem atendimento médico e dentário, além de uniforme e livros.
O retorno não vem apenas em forma de números, mas por meio de ações das quais tomam parte os próprios alunos. Um dos principais projetos atuais da fundação é o FNE Cidadã, que consiste em aulas de português, matemática e informática lecionadas por egressos da escola para estudantes da rede pública local. As classes servem como reforço na preparação para exames de admissão em escolas técnicas da cidade, principalmente para a própria FNE.
Fechando o ciclo de profissionalização, o programa de estágio da FNE cuida da integração entre alunos recém-formados no Ensino Médio e 110 empresas credenciadas. Mais do que ajudar os jovens a identificar oportunidades e ajustar as condições de realização do estágio, a fundação faz acompanhamento e avaliação do estágio por meio de visitas de supervisores com conhecimento técnico.
Ativação gera identificação
A estratégia da Nokia de desenvolvimento regional com uma ação a longo prazo mostra potencial de transformação não só para os estudantes atendidos, mas para suas famílias e comunidades. Em uma parceria público-privada que dialoga com diferentes stakeholders, a marca alcança seu objetivo de conectar pessoas e abre espaço para uma ativação ainda mais ampla. Diante dos bons resultados do investimento em educação e pesquisa, a Nokia pode qualificar sua comunicação para que esses atributos sejam mais reconhecidos por seu público geral.
*Por Maria Lutterbach. Esta reportagem foi publicada originalmente no portal Com:Atitude, da Edelman Significa, e agora no Mundo do Marketing de acordo com parceria que os dois portais mantêm.
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