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Como mudar o mindset para inovar?

As novas tecnologias permitiram o surgimento de empresas disruptivas e colocam em xeque companhias engessadas, que apesar de ainda crescerem, sabem que estão com dias contados

Por | 12/09/2016

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

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Paulo Silveira, Fundador da Caelum, Alura e Casa do CódigoProcessos engessados, gestão burocrática, inflexibilidade, altos custos. Apesar de questionáveis, essas características ainda fazem parte da realidade de muitas empresas, que por medo da mudança preferem se manter em suas zonas de conforto. No entanto, em um mercado provocado pelas inovações tecnológicas que a todo instante estimula os negócios a inovar, é preciso estar atento às tendências e às necessidades de consumidores cada vez mais empoderados e exigentes.

O crescimento ainda estável faz com que muitas companhias não atentem para a necessidade de rever suas práticas, como as gigantes. Entretanto, são as startups, pequenas e jovens empresas que estão chamando a atenção do mundo nos últimos anos. Boa parte delas ainda não tem 10 anos de fundação, mas já são apontadas como as mais disruptivas como Airbnb e Uber, que estão provocando uma readequação de suas indústrias e nasceram em 2008 e 2009, respectivamente. Apesar de desafiador, é possível mudar o mindset para construir uma empresa inovadora, mesmo que ela já tenha saído do papel há muitos anos.

Para inovar é preciso ir muito além de estar presente no mundo virtual, como foi debatido durante a segunda edição do Innovators Summit, evento organizado pela CI&T e +Innovators. "Os grandes players erram na migração para o online pois, em geral, querem simplesmente reproduzir o que já fazem no off-line. Não adianta passar tudo para o digital e fazer da mesma forma, sem mudar o mindset para o que o digital realmente pode propiciar ao usuário final", comentou Paulo Silveira, Fundador da Caelum, Alura e Casa do Código, durante palestra que abriu o Innovators Summit.

Busca pela disrupção
A falta de visão faz com que as práticas sejam replicadas, mas o comportamento corporativo ainda é uma das grandes barreiras para quem quer se transformar de verdade. "Para viabilizar a mudança, muitas empresas estão apostando em pequenos projetos, com equipes enxutas que atuam de maneira isolada em busca da inovação, evitando contato com outros setores que poderiam atrapalhar o processo. Assim, eles podem pensar de maneira diferente e encontrar menos obstáculos que os oferecidos no ambiente corporativo. Estar atento às tendências do mercado ajuda a evitar que os outros causem a disrupção da sua própria empresa", alerta Paulo Silveira.

Com o mundo tecnológico e conectado, o caminho da disrupção, naturalmente, passa pela internet. Esta também é a via para quem busca crescimento e descoberta de novas formas de receita. Apesar de permitir que produtos e serviços sejam oferecidos em escala, é preciso encontrar um caminho para se diferenciar, afinal, não são todos os segmentos que esta prática funciona. "Na indústria da educação muitas instituições passaram a oferecer aula online, mas apenas reproduzem conteúdo por meio de vídeos, sem engajar, sem envolver e sem fazer com que o aluno aprenda de verdade" acrescenta o empreendedor.

As plataformas de curso de idiomas Duolingo e italki, por exemplo, ajudam a ilustrar bem o caminho da disrupção. As duas parecem ser bastante inovadoras, permitem o aprendizado remotamente, mas possuem práticas distintas. O sistema gamificado do primeiro é um diferencial e ajuda a envolver o aluno em um primeiro momento, mas na prática, o aplicativo reproduz o formato que já está em desuso no mundo real, o aprendizado de palavras soltas por meio de repetição. Além disso, é o mesmo serviço para todos os usuários. Já o chinês italki, é um marketplace de professores e oferece aulas online de maneira personalizada. Ou seja, enquanto o Duolingo faz um para todos, o modelo do segundo é de um para um.   

Laura Garcia-Barrio, Designer de Interação e Pesquisadora de Usuários no GoogleEsteja aberto a novos métodos
Não é apenas no mundo virtual que as disrupção pode ser encontrada, ela também está nas práticas, na gestão, na entrega, no relacionamento. Encontrar novas maneiras de desenvolver projetos e potencializar talentos é um dos caminhos para gerar mudanças positivas na empresa. Estar atento aos sinais do mercado e aos anseios dos consumidores também, mas para isso é preciso estar preparado para oferecer soluções em curto prazo.

O tempo, inclusive, é um dos grandes diferenciais entre grandes companhias e startups. Os processos amarrados e a necessidade da validação de vários departamentos impedem que grandes corporações coloquem novos produtos no mercado rapidamente. Já as empresas mais novas estão preocupadas com a agilidade, atender uma necessidade rapidamente e por isso, em geral, elas crescem tão rápido.

Uma nova metodologia que tem ajudado a acelerar ideias que ainda estão em fase inicial é o Design Sprint. Criado pela Google Venture, o modelo foca na validação da ideia e o processo encurta o processo de trabalho. "Esse método acessível para qualquer time e empresa. Esse processo comprime cinco ou seis semanas para apenas uma e acelera a criação e desenvolvimento das ideias. Os sprints são úteis em qualquer fase de um produto ou serviço. No início ele pode ajudar a criar uma visão compartilhada do produto, superar obstáculos, além de injetar velocidade no processo de desenvolvimento", explicou a Designer de Interação e Pesquisadora de Usuários no Google, Laura Garcia-Barrio, durante palestra no Innovators Summit.

Solução em cinco dias
Baseada nos processos de Design Thinking, a metodologia ajuda a responder questões críticas de negócio por meio de processos de design prototipado e testes com usuários. No Google a metodologia foi aplicada em alguns projetos, como no desenvolvimento do carro autônomo, em que o trabalho serviu para definir uma visão de futuro e na criação de antenas no Project Loon, globos aerostáticos que levam internet para as partes mais remotas do planeta. O principal diferencial do método é unir todas as áreas envolvidas no projeto e colocá-los para trabalhar em conjunto durante cinco dias com o compromisso de entregar uma solução.

Para garantir o sucesso do trabalho é preciso bloquear a agenda de todos os participantes para que não haja interrupção. É importante que tenha ao menos um profissional de cada setor para que logo no primeiro dia, cada um exponha tudo o que sabe garantindo que todos estejam bem alinhados: gestores, desenvolvedores e Marketing. "Esse é o momento de compartilhar qual é a situação do produto ou serviço. Expor pesquisas de comportamento de usuário, análise da concorrência, falar sobre a visão de negócio, os desafios técnicos. Os principais insights devem ser anotados em post its para serem analisados, pois a ideia é transformar problemas em oportunidades, por isso devemos sempre questionar como podemos fazer para melhorar isso?", ensina Laura.

O segundo dia é dedicado a colocar ideias no papel, cada um trabalhando individualmente, pontuando o que poderia ser feito para melhorar cada ponto. Em seguida, é hora de todos olharem os rabiscos e discutir o que pode funcionar, para que ao fim, possa ser feita uma votação. Tudo de maneira democrática. No dia seguinte, com as ideias escolhidas chega o momento de filtrá-las a fim de ficar apenas uma para ser colocada em prática. O quarto dia deve ser dedicado à produção, é o momento de prototipar a ideia nos mínimos detalhes. O quinta e último dia é para testar a ideia, oferecê-la a potenciais usuários em sessões individuais. Em seguida, ao fim do período, é necessário reunir a equipe para discutir o feedback e decidir se a ideia sobrevive ou não.     

Oscar Motomura, Fundador da Amana-KeySaiba fazer as equações certas
Saber o momento de optar por metodologia inovadoras faz parte do líder que está atento às inovações do mercado e aberto às transformações. Afinal, em um momento em que as glórias do passado não garantem o sucesso no futuro, estar preparado para mudanças, decisões disruptivas e vislumbrar novas possibilidades podem fazer diferença na empresa. "Em algumas situações, o executivo está tão preso ao passado que não consegue entender as apresentações que são feitas com inovações que vão levar a organização adiante", comentou Oscar Motomura, Fundador da Amana-Key, em apresentação no Innovators Summit.

Mais importante do que a vontade de transformar, é preciso entender bem qual é a real necessidade da companhia, pois muitas vezes a inovação é perseguida, mas gasta-se tempo e esforço para solucionar algo que não é essencial. "Tem que se encontrar qual é a equação certa para ser resolvida. Não adianta uma empresa que quer crescer e não tem dinheiro se questionar sobre o que fazer para crescer. Ela tem que pensar: como crescer sem dinheiro. E só depois colocar a questão em discussão. Com a pergunta certa é possível chegar a uma solução para o real problema", ensina Motomura.

* A jornalista viajou para o Innovators Summit, em São Paulo, a convite da CI&T.

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