Liquidação de magia

 

Em tempos de megalivrarias é raro encontrar alternativas exclusivamente infantis, como a Kids Republic, uma iniciativa na China da maior editora japonesa. Para envolver crianças no hábito da leitura, a proposta incorporou a imaginação recorrente da literatura infantil, criando um espaço lúdico, multicolorido e cheio de fantasia em todos os aspectos, do layout ao uso dos equipamentos e displays como parquinhos. Completam o cenário espaços inventivos para contar histórias, inclusive de forma eletrônica, por meio de telas espalhadas pela loja.

 

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Parece uma obviedade que um espaço infantil seja lúdico e mágico, mas o fato é que falta magia em muitos formatos dirigidos para crianças, lojas de brinquedos, por exemplo. Ao invés de oferecer uma experiência envolvente, muitas disponibilizam apenas estoque ao alcance dos compradores e perdem a oportunidade de encantar pais e filhos. Hoje, estes espaços atraem consumidores ancorados basicamente na magia dos produtos e não na experiência criada pelo espaço. 

 

 

A distribuição de produtos baseia-se muitas vezes em critérios internos e não no processo de compra da categoria, o que dificulta a localização de alternativas e faz com que clientes comprem com a sensação de não ter visto o melhor.  Existem exceções, é claro, mas há uma inadequação entre a magia do produto e a falta dela no espaço cuja finalidade é estimular vendas. Nos Estados Unidos, lojas como American Girl, Build-a-bear Workshop, Build-a-Dino e Friends2bmade reinventaram a experiência da categoria ao criar mundos mágicos e conseguiram fazer frente aos varejistas de desconto. E não foi fácil. Todo o setor apanhava feio dos operadores de desconto e havia uma quebradeira geral. Foi preciso um outro olhar da experiência de compra para reinventar a venda de brinquedos. Afinal,  se for para fazer escolhas destes produtos apenas pelo critério de preço, por que então ir a uma loja especializada?  

Postado por Beth Furtado - Consumo e Inovação - 01/01/10 - 09:24