EDITORIAL
Estratégias mal feitas colocam empresas em risco
Por Bruno Mello
bruno@mundodomarketing.com.br
Quem apostar contra o crescimento pode quebrar a cara, disse o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem. Por mais que injetar otimismo no mercado e confiança no brasileiro seja uma das estratégias claras do Palácio do Planalto, não há como não concordar com o Presidente Lula.
Há muitos números no cenário da crise financeira mundial, no entanto, que dizem o contrário. Olhando para apenas um dado, o Fundo Monetário Internacional – FMI – reduziu a previsão de crescimento do Brasil em 2009 de 3,5% para 3%. Em 2008, porém, a entidade manteve a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto – PIB - em 5,2%.
Nos Estados Unidos, a situação é pior. O FMI prevê que haverá uma retração no PIB de 0,7%. Enquanto isso, a China se consolidará como motor de crescimento mundial. Este ano, o mercado chinês crescerá 9,7%, segundo o Fundo. Para o ano que vem, mesmo com uma queda, o estimado é um aumento de 8,5%.
Consumidor continua querendo comprar
Isso é o que acontece lá fora, mas que tem impacto direto por aqui. Olhando para outro dado importante no Brasil, o consumidor ainda continua animado em comprar. O Índice Nacional de Confiança medido pela Associação Comercial de São Paulo em outubro ficou estável em 140 pontos e foi mais alto do que outubro de 2007, quando marcou 127 pontos.
O levantamento feito pela Ipsos mostra que este otimismo está bastante ligado ao recebimento do 13º salário. Trinta e sete por cento dos ouvidos na pesquisa pretendem gastar o dinheiro em compras, 34% vão pagar dívidas, 12% reformar a casa, 1% dará entrada na compra da casa ou do carro novo, 8% pretendem viajar e 9% aplicar o dinheiro no banco.
Uma informação importante é com relação à forma de pagamento. A maioria, 62%, pensa em pagar à vista, enquanto 26% preferirão o parcelamento. O crédito, que antes era o grande impulsionador das vendas, hoje está representando um grande problema.
Erro grave
Na ânsia de aproveitar a fartura de dinheiro vista até setembro, os profissionais de Marketing caíram na tentação de abrir a porteira para clientes que hoje não estão honrando o pagamento das parcelas. Fontes do Mundo do Marketing indicam que a inadimplência no varejo já ultrapassou 20% em alguns casos.
Aqui, mais uma vez, vimos que a tese de João De Simoni, referência nacional em promoção, que diz que o profissional de Marketing está mais preocupado com o fim do mês do que o fim do mundo é mais do que apropriada. Na ânsia de aumentar as vendas e ganhar mercado, aprovaram concessões que hoje estão minando a rentabilidade das empresas.
É claro que ninguém faz nada sozinho e colocar a responsabilidade em apenas um executivo é leviandade. Mas o profissional de Marketing precisar abrir o olho. Talvez, boa parte dos problemas que as empresas estão vivendo agora tenha sido provocada pelo próprio mercado brasileiro. Por suas próprias estratégias mal calculadas.
Bruno Mello é formado em jornalismo pela FACHA e com MBA em Gestão de Marketing pela UFRJ. Trabalhou no Jornal de Turismo, na Rádio Carioca cobrindo economia, em sites e revista sobre automobilismo e no site da TVE Brasil, hoje TV Brasil. Fez Planejamento de Comunicação e Assessoria de Imprensa para ONG, piloto de Stock Car e para a Organização Hálio Alonso de Educação e Cultura.
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