A decisão da Anatel de proibir a venda de novas linhas de telefones celulares deveria servir de exemplo para outros setores. Empresas que não têm capacidade de oferecer um produto ou serviço de qualidade mínima e de atender a demanda que elas mesmas incentivam precisam sofrer na pele o que seus consumidores sofrem.
A falta de planejamento e estratégias levianas que levaram Claro, Oi e Tim a sofrerem sanções são comuns também em setores como o bancário, o de aviação e o de operadoras de televisão e banda larga por assinatura. Basta olhar para as companhias mais reclamadas. No Procon de São Paulo, aparecem nomes como Itaú, Bradesco, Santander, Net e Sky.
O varejo tradicional e o online também estão no topo da lista de insatisfação por parte dos consumidores. B2W, Carrefour, Casas Bahia, Magazine Luiza e Nova Pontocom são outros exemplos de má prestação de serviço. Nos aeroportos, não faltam passageiros estrassados com atrasos, cancelamentos e alterações de voo e portões, principalmente das duas maiores companhias do setor: Tam e Gol.
A que ponto chegamos
Não somos a favor da intervenção do Governo na iniciativa privada, mas a decisão da Anatel deve servir de exemplo para as empresas. Os consumidores podem, e muitos deles sabem, se defender, mas ficar na mão de poucas e péssimas prestadoras de serviço é um problema a ser analisado com lupa. Um problema que o próprio estado incentivou, uma vez que foi ele o primeiro a desregulamentar e lotear serviços básicos à população de forma errada.
Se a moda pega e começarmos a fechar bancos, cortar cabos e interditar caixas registradoras, o cenário poderia mudar, mas também teríamos problemas até maiores no quesito de organização civil. Porém, o próprio consumidor poderia colocar estas empresas na geladeira. A questão é que somos um país refém de um verdadeiro cartel de empresas prestadoras de serviços básicos.
Ainda estamos no tempo das cavernas. Subdesenvolvidos em gestão empresarial. O Marketing feito corretamente, que deveria ser a base das organizações, é substituído por ações ocas de incentivo a vendas, planos de expansão pífios e busca irresponsável pelo lucro. Que esta proibição da entrada de novos clientes de forma extrema até que tenhamos um serviço no mínimo adequado sirva de exemplo para as operadoras envolvidas e de alerta para as companhias que não estão preocupadas com o cliente.
Bruno Mello é formado em jornalismo pela FACHA e com MBA em Gestão de Marketing pela UFRJ.
19/07/2012
14/06/2012
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04/03/2012 | 00:02:43
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