

Você já parou para perceber como a visão é um sentido essencial, principalmente para nós, seres humanos? É com a visão que conseguimos perceber o ambiente ao nosso redor e podemos formar opiniões, lembranças, preferências e experimentar sensações. Porém, existe uma série de estímulos visuais acontecendo a todo o momento e, por isso, nosso cérebro tem que selecionar para onde vamos olhar, ou seja, para onde nossa visão estará centralizada. Entender como e porque as pessoas prestam atenção nos diferentes estímulos ambientais é de grande valia, por exemplo, dentro da área da propaganda e marketing. Em um mundo com tantos atrativos, chamar a atenção do cliente se torna um pré-requisito importante para fazer com que a marca ou o produto que se está promovendo atinja o público-alvo.
Dentro desse assunto, os neurocientistas discutem que existiriam duas formas básicas através das quais um determinado estímulo estaria “chamando atenção”: por mecanismos iniciados por características relevantes do próprio objeto (também chamadas de fatores “de baixo para cima” ou “bottom-up”) ou por processos que começam quando estamos procurando no ambiente algo que nos interessa. Quando encontramos, aquilo “prende” nossa atenção (também chamados de fatores “de cima para baixo” ou “top-down”).
Por existirem esses dois tipos de processos que direcionam nossa atenção e, consequentemente, nossos olhares, diversas pesquisas nessa área procuram investigar justamente quando acontece um destes fenômenos, para que seja possível identificar o que captura a atenção de alguém e, com isso, saber o que é realmente relevante para o indivíduo. Com isso, uma das questões que existe em aberto é: será que apesar das características do estímulo (ou seja, dos fatores “bottom-up”), a sua relevância emocional pode agir de forma mais forte para chamar e direcionar a atenção? Em outras palavras: existira alguma diferença entre estímulos visuais positivos, negativos ou neutros com relação à sua capacidade de “chamar a atenção”?
Para ajudar a responder essas perguntas, pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, investigaram o impacto de fatores emocionais no padrão de direcionamento do olhar para entender até que ponto as características físicas (como, por exemplo, cor, brilho, contraste, número de pessoas ou objetos na foto, dentre outras) e as emocionais (como, por exemplo, se a foto retrata uma cena que transmite tristeza ou felicidade) estariam “competindo” entre si durante o processo de visualização de uma cena complexa.
Com o objetivo de examinar como o movimento dos olhos poderia diferenciar, entre si, fotos negativas, positivas e neutras, os cientistas compararam a forma que tais imagens capturaram a atenção das pessoas utilizando a técnica de “eye-tracking”. Com esse tipo de tecnologia, os cientistas são capazes de monitorar continuamente para onde uma pessoa está olhando e, desse modo, montar um mapa com o padrão de direcionamento do olhar que o indivíduo apresenta.
Os resultados desse estudo indicaram que a relevância emocional de uma cena (ou seja, se ela retratava uma situação agradável ou desagradável) estaria desviando mais atenção dos participantes do estudo, independente das suas características físicas. Em outras palavras, independente das qualidades visuais das fotos, aquelas que possuíam algum valor emocional (negativo ou positivo) possuíam maiores tempos de fixação do olhar, e, consequentemente, maior alocação de recursos atencionais do que as fotos neutras (sem valor emocional).
Dessa forma, a conclusão do estudo indica que a importância emocional do estímulo visual era mais importante para capturar a atenção das pessoas do qualquer outro fator, como brilho, contraste e cor, indo ao encontro da ideia que fatores afetivos e processos racionais estariam desempenhando um papel fundamental para controlar o direcionamento do olhar e, consequentemente, para onde a pessoa está prestando atenção. Com isso, esse estudo fornece mais informações sobre como nós selecionamos o que vemos e pode ser útil, principalmente para os profissionais da área de propaganda e marketing, para esclarecer quais são os fatores que influenciam na percepção, pelo público, das campanhas publicitárias idealizadas.

As diferenças entre homens e mulheres é um dos mais relevantes assuntos da história da humanidade. Apesar de pertencermos a uma mesma espécie, a forma como homens e mulheres enxergam e até mesmo interagem com o mundo, pode divergir consideravelmente em alguns aspectos.
Muitas destas diferenças entre os sexos ganharam respaldo científico ao serem apontadas e comprovadas na neurociência. Por exemplo, pesquisadores da Universidade de Oxford publicaram em 1999 um estudo mostrando que o lóbulo ínfero-pariental (LIP) é consideravelmente maior nos homens do que nas mulheres. O LIP é uma região do cérebro localizada logo acima do nível das orelhas e está correlacionado com habilidades cognitivas na área de física e matemática, uma vez que esta região foi encontrada mais desenvolvida em pessoas como Albert Einstein, físicos e matemáticos. Os resultados do estudo poderiam explicar o maior interesse e habilidade dos homens na área das ciências exatas.
Um estudo recente publicado no Journal Vision Research mostrou que o olhar e a atenção de homens e mulheres parecem ser captados de forma diferenciada. Os pesquisadores estudaram o comportamento de 34 participantes enquanto eles assistiam a vídeos de pessoas sendo entrevistadas. Atrás dos sujeitos entrevistados no vídeo, havia vários estímulos distratores, como pedestres, ciclistas e carros passando, com o objetivo de desviar a atenção do participante da entrevista em focar no vídeo. Enquanto os participantes assistiam o vídeo e ouviam a entrevista, seus movimentos oculares eram monitorados através da técnica eye-tracking (capaz de identificar para onde os participantes estão olhando).
Os resultados do estudo demonstraram haver uma diferença significativa no comportamento de homens e mulheres: os homens, quando focados na pessoa entrevistada, fixavam seu olhar na boca do indivíduo e se distraíam mais devido aos estímulos ao fundo do vídeo. As mulheres por outro lado, quando focadas na entrevista, fixavam o olhar tanto nos olhos quanto no corpo do indivíduo entrevistado e quando se distraíam, na maioria das vezes, era em resposta a outras pessoas passando ao fundo do vídeo. Os resultados do estudo indicam que homens e mulheres não somente focam sua atenção em diferentes aspectos de um mesmo estímulo, como também são distraídos por fatores distintos.
Estes achados trazem duas questões relevantes para a área de Marketing: primeiro, os diferentes produtos e serviços oferecidos ao consumidor devem levar fortemente em consideração as diferenças físicas, emocionais e atencionais entre homens e mulheres, para atingir de forma objetiva seu público-alvo. Segundo: as empresas que hoje já utilizam o eye-tracking como ferramenta para aprimorar o conhecimento sobre o comportamento do consumidor devem ficar atentas às diferenças entre gêneros, que podem comprometer a veracidade das conclusões obtidas através do uso desta técnica.
O Sistema Dopaminérgico, também conhecido como Sistema de Recompensa, tem sido alvo de grande interesse nas pesquisas em neuromarketing. Associado a processos de aprendizado e memória, este sistema ganhou grande repercussão nos estudos ligados a prazer e hedonia. Muitos ainda acreditam que tal sistema seria capaz de ativar uma espécie de “botão de compra” na cabeça dos consumidores. Mesmo não sendo partidária desta perspectiva, concordo que o sistema de recompensa possui um papel fundamental no nosso comportamento e está relacionado a processos emocionais e cognitivos importantes no nosso dia-a-dia.
Tão interessante quanto compreender os aspectos moleculares e celulares do sistema de recompensa é conhecer um pouco mais a respeito de traços de personalidade que estão diretamente associados à ativação e a susceptibilidade do mesmo. Um traço de personalidade descrito como Sensibilidade à Recompensa tem se mostrado um fator crucial para comportamentos ligados ao alcoolismo e a ingestão excessiva de alimentos, sendo modulado por fatores como a idade dos indivíduos. Mas o que será que acontece com as pessoas com maior traço de Sensibilidade à Recompensa?
Um estudo muito interessante foi apresentado no Annual Meeting of the Society for the Study of Ingestive Behavior (SSIB) mostrando como o traço de personalidade de Sensibilidade à Recompensa pode ser influenciado por propagandas de alimentos do tipo junk food. As altas taxas de obesidade encontradas na sociedade costumam ser em parte atribuídas ao fácil acesso da população a comidas baratas e com alto teor calórico. Apesar disso, muitos indivíduos expostos a esse tipo de alimentos não necessariamente desenvolvem problemas de obesidade ou sobrepeso. Foi com base nessa análise que a Dra. Natalie Loxton propôs então que a Sensibilidade à Recompensa seria um traço de personalidade chave, capaz de deixar alguns indivíduos mais predispostos a estímulos relacionados com alimentos considerados “apetitivos”, porém com alto teor calórico – como um comercial de televisão sobre junk food.
Durante o estudo, os pesquisadores decidiram testar justamente se indivíduos mais sensíveis à recompensa sentiriam maior prazer e vontade de comer logo após assistir a comerciais de TV sobre junk food, comparando com outros dois grupos que assistiriam a comerciais sobre alimentos saudáveis ou a comerciais que não estavam relacionados a qualquer tipo de alimento. O estudo foi composto por 75 homens e mulheres que assistiram a um filme de 30 minutos que poderia conter comerciais sobre junk food, comida saudável, ou nenhuma comida. Os participantes avaliaram a agradabilidade das imagens de alimentos e seu desejo de comer logo após assistirem aos filmes.
Os resultados mostraram que uma maior Sensibilidade à Recompensa estava diretamente associada a um aumento na vontade de comer apenas quando os participantes assistiam a comerciais sobre junk food. Este resultado não foi observado quando os anúncios eram sobre comida saudável ou não tinham comida. Os pesquisadores também descobriram que a sensibilidade à recompensa mostrou-se correlacionada a uma avaliação mais agradável das imagens de junk food, porém este resultado foi observado apenas para mulheres. Novamente, não houve qualquer efeito desse tipo nas imagens de comida saudável ou para os comerciais que não tinham comida.
Estes achados mostram que indivíduos mais sensíveis à recompensa são mais susceptíveis a pistas de alimentos apetitivos do tipo junk food, e que isto levaria a um maior desejo por este tipo de alimento. Esta susceptibilidade pode estar relacionada com uma busca maior por alimentos desse tipo e com isso a um ganho de excessivo peso. Compreender de que forma a publicidade e a propaganda podem ser capazes de influenciar o dia-a-dia das pessoas pode ser muito interessante, e certamente em alguns casos, servirá para alertar a alguns que nem tudo que brilha é ouro, ou seja, que não se deixem levar pelo irresistível sanduíche que acaba de aparecer na televisão!
Finalmente, quando os pesquisadores investigaram, através do exame de ressonância magnética funcional, quais regiões cerebrais estavam mais ativadas durante a visualização das fotos e que poderiam influenciar na formação de lembranças vívidas sobre as imagens; foi encontrado que uma parte do nosso cérebro denominada amígdala, que é responsável por atribuir valor emocional às situações que vivenciamos, está mais ativa quando os participantes olhavam para imagens que eles perceberam como sendo mais vívidas. Essa ativação, em contrapartida, estava associada a uma maior atividade do córtex visual, responsável pelo processamento de informações visuais, e da ínsula posterior, região cerebral que é importante para integrar as diferentes sensações corporais. Dessa forma, os pesquisadores concluiram que o que influencia na experiência de possuirmos uma percepção vívida de imagens ou eventos emocionalmente importantes vem de uma combinação entre o funcionamento mais “aguçado” da nossa visão com uma espécie de sensação “intuitiva” (ou como os americanos dizem, um “gut feeling”), influenciada pela amígdala, do quanto um determinado evento é relevante para nós.
E o que podemos tirar de tudo isso? Que mais do que nunca, é essencial atingir o cliente com estímulos relevantes emocionalmente. Seja através de imagens positivas ou negativas (o que vai depender da mensagem que você que passar), este estudo trouxe mais evidências sobre a importância da relevância emocional em como nosso cérebro captura e seleciona os estímulos considerados mais salientes e que são mais fixados na nossa memória.
Recentemente a Austrália passou a contar com uma forte e impactante medida para inibir a epidemia do tabagismo que assola o mundo: a aplicação, por força de lei, de embalagens genéricas para os maços de cigarro. Além de serem genéricas, estas embalagens contarão com imagens horripilantes relacionadas aos males causados pelo tabagismo. 75% da cobertura da embalagem conterá advertências sanitárias pictóricas sobre os males do tabagismo.
De fato com indicadores tão impressionantes sobre mortalidade e morbidade sobre o tabagismo, pouco sobra para ser comunicado. Segundo a Organização Mundial da Saúde nos dias atuais morrem 6 milhões de pessoas por ano por fatores decorrentes da exposição aos componentes do tabaco. Se nada for feito, esse número poderá chegar a 8 milhões de mortes até 2030. No Brasil, 200 mil pessoas morrem todo o ano decorrentes de fatores ligados à exposição à fumaça do tabaco. Cerca de 17,2% da população acima de 15 anos são fumantes, sendo um dos maiores alvos da indústria hoje a população mais jovens e as mulheres.
O Brasil é considerado líder nas iniciativas relacionadas ao controle do tabagismo. Desde 2001 a publicidade e patrocínios de marcas de cigarro são proibidos no país. Porém, as embalagens continuam sendo um dos principais veículos para atrair consumidores. Arquivos da própria indústria afirmam que na ausência de propaganda, o principal veículo para atrair consumidores é a própria embalagem “Our final communication vehicle with our smoker is the pack itself. In the absence of any other marketing messages, our packaging…is the sole communicator of our brand essence”.
Baseado nisso, um estudo com pesquisadores canadenses investigou a reação de 640 mulheres jovens brasileiras a embalagens de cigarro genéricas frente a embalagens comerciais. Muitas embalagens comerciais hoje no Brasil tem intenção de chamar a atenção e engajar consumidores do sexo feminino e jovens, seja através da cor, da forma e dos nomes sugestivos das marcas. A pesquisa focou então no teste entre estas embalagens e as embalagens genéricas, que não tinham, neste caso, nenhuma advertência sanitária.
Os resultados demonstraram que as embalagens das marcas comerciais foram consideradas mais apelativas, mais estilosas e mais sofisticadas em comparação às embalagens genéricas. As mulheres também consideraram que os cigarros em maços comerciais teriam mais sabor e maior suavidade. Além disto, os pesquisadores também realizaram um teste comportamental, onde no final da pesquisa as participantes poderiam escolher uma das embalagens para levar para a casa (mesmo que isto não tenha acontecido). Os resultados do teste comportamental demonstraram que as embalagens comerciais foram escolhidas três vezes mais pelas participantes do estudo.
A pesquisa, primeira deste tipo na América Latina, demonstrou o poder das embalagens genéricas em inibir os apelos de marketing ao consumo de cigarros. Além disto, o estudo pode demonstrar de maneira consistente o efeito de uma das principais recomendações da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, acordo redigido pela Organização Mundial da Saúde que tem o Brasil como um dos seus signatários, que se refere à adoção de maços de cigarro genéricos.
Não está na hora do governo acelerar os programas de controle do tabagismo no Brasil para inibir ainda mais o consumo de cigarros no País?

Diariamente nos deparamos com quantidades quase infinitas de produtos inteiramente à nossa disposição. Em supermercados, livrarias, farmácias e até nas lojas de conveniência dos postos de gasolina, fileiras quase infinitas de produtos como pacotes de biscoito, refrigerantes, detergentes, livros e hidratantes são expostos em prateleiras horizontais com o intuito de oferecer ao consumidor uma vasta gama de opções de compra. Este padrão quase monótono para exposição de produtos é a norma quando falamos de experiência de compra. Mas será que existe alguma explicação para tudo isto? Será que o posicionamento de um produto nas prateleiras de fato é capaz de influenciar a escolha do consumidor?
Recentemente o grupo do pesquisador Onur Bodur divulgou um press release, apresentando dados muito interessantes que em breve deverão ser publicados no Journal of Consumer Research. O estudo mostra que como consumidores, nosso olhar tende a apresentar um foco muito centralizado, independente do tipo de produto que estamos vendo. De acordo com a pesquisa, os consumidores estão mais inclinados a comprar produtos que estão dispostos no meio das prateleiras, mesmo sem perceber que estão fazendo isso!
Utilizando a técnica de eye-tracking (método capaz de rastrear o movimento do olhar de um indivíduo), Bodur e seus colaboradores investigaram como a localização dos itens dispostos nas prateleiras pode influenciar a escolha do consumidor para uma série de produtos. Em laboratório, eles criaram uma prateleira virtual, onde apresentavam fileiras horizontais de produtos como vitaminas, barrinhas de cereal e bebidas energéticas. Durante todo o estudo, foram utilizadas apenas marcas falsas e as embalagens eram todas parecidas, evitando a influência da marca ou do design na escolha dos participantes. Após observarem cada prateleira, os participantes deveriam escolher um dos produtos dispostos anteriormente.
Os resultados mostraram que os consumidores passam mais tempo observando os produtos posicionados no centro das prateleiras, fazendo com que houvesse um aumento do foco visual na parte central da área do display. Este padrão de comportamento faz com que os objetos posicionados no centro recebam maior atenção, aumentando suas chances de serem adquiridos. O mais interessante foi que de acordo com a pesquisa, existe uma correlação importante entre a tomada de decisão e o momento em que ocorre o aumento do foco visual, mostrando que isso ocorre nos cinco segundos finais do processo. De acordo com os pesquisadores, é nesse momento que o consumidor determina qual será a sua escolha.
Vale a pena ressaltar que todo o processo de tomada de decisão acontece através de um mecanismo subconsciente e que quando questionados a respeito de como decidiram qual produto comprar, os consumidores não sabiam relatar de maneira precisa qual tinha sido seu processo de escolha, ou seja, porque escolheram um produto em detrimento dos outros. O mais interessante foi que eles não se lembravam de ter focado mais em uma região do display.
Mas o que significa esta descoberta para o próprio consumidor? Ter maior conhecimento sobre o comportamento de compra pode levar a escolhas mais acertadas. De acordo com o pesquisador Bodur, sabendo que há uma tendência natural para observar mais e escolher os itens dispostos no centro das prateleiras, o consumidor poderá conscientemente direcionar a sua atenção visual para realizarem uma melhor análise de todos os produtos oferecidos, independente de sua posição. Quando se trata de comportamento de compra, olhar de forma diferente pode justamente levar o consumidor a ter escolhas mais sábias.
É através dos nossos cinco sentidos (visão, tato, audição, olfato e paladar) que percebemos e interagimos com o mundo. Quando captados por nossos sentidos, os estímulos externos dão início ao processo perceptivo, que em última instância gera lembranças, sentimentos bons, sentimentos ruins, memórias e afetos. Por exemplo: ao ouvir uma música no rádio você pode lembrar de alguém e trazer à sua mente o perfume desta pessoa, visualizar seu rosto e até mesmo ouvir sua voz.
É a partir deste conhecimento que na última década fomos introduzidos a um novo conceito, o Marketing Sensorial. Podemos defini-lo como a área que cuida dos sentidos dos consumidores para geração de experiências memoráveis; experiências que envolvem os sentidos, afetando a percepção, avaliação e comportamento de decisão. O Marketing sensorial pode ser usado para criar gatilhos subconscientes que definem a percepção dos consumidores frente a características abstratas dos produtos/marcas (por exemplo, a sua sofisticação, qualidade, elegância, inovação, modernidade, interatividade), ou seja a personalidade da marca/ produto.
Um estudo clássico deixa bem clara a influência de nossos sentidos no processo de escolha de um produto. Em 1999, pesquisadores do Reino Unido demonstraram que os consumidores de vinho, ao ouvirem no supermercado música francesa acabavam escolhendo mais vinhos franceses, enquanto que ao ouvirem música alemã, escolhiam mais vinhos alemãos.
Uma outra pesquisa publicada em 2003 no Journal of Marketing Research demonstrou a importância do olfato para o reconhecimento e memorização de marcas. Os autores avaliaram o efeito da fragrância do ambiente na recordação e reconhecimento de marcas em duas etapas. Na primeira etapa, os sujeitos deveriam avaliar marcas familiares e não familiares durante a visualização de fotografias digitais dos produtos na tela do computador. O perfume ambiente era manipulado na sala de experimentação através de um difusor. Na segunda etapa, realizada 24 horas depois, foi avaliada a lembrança e a precisão do reconhecimento das marcas. Em ambos os estudos, o perfume ambiente foi capaz de melhorar a recordação e o reconhecimento de marcas conhecidas e desconhecidas.
Estes estudos são apenas alguns exemplos de uma ampla área de pesquisa que tem revolucionado as estratégias de marketing das organizacões. Cada vez mais entender o comportamento do consumidor passa pelo entendimento de aspectos básicos da fisiologia do ser humano, que consequentemente irá guiar as etapas que levam ao processo de escolha de marcas e produtos.
O que é belo para você? Existem inúmeras respostas para esse tipo de pergunta e elas vão variar de acordo com a definição de belo que a pessoa que está respondendo possui. Porém, dependendo da intenção do artista, saber como a beleza é percebida é de extrema importância, seja para criar uma pintura sublime ou para pensar em uma peça publicitária que comova milhões de pessoas.
Muito já foi dito sobre a importância de uma equipe motivada na gestão empresarial. Sendo muitas vezes a interface entre a companhia e os consumidores, o “P de Pessoas” desempenha um papel determinante na estratégia de marketing das empresas. Mas o que faz uma equipe se sentir mais motivada?
Pesquisadores da Universidade de Iowa nos Estados Unidos realizaram uma série de entrevistas para descobrir quais os fatores mais importantes na hora de avaliar a realização profissional dos funcionários em diferentes empresas. A pesquisa demonstrou que a pressão resultante da vontade de agradar os colegas, ou seja, de fazer algo sabendo que todos na equipe serão beneficiados, é um fator mais forte do que o próprio salário na hora de determinar a satisfação dos empregados.
Enquanto animais sociais somos influenciados por questões relacionadas aos grupos que pertencemos. Esta é a base biológica da construção de redes de colaboração, vistas em toda história humana, que transformaram as relações de trabalho até o atual estágio de ecossistemas produtivos que temos hoje.
Não à toa empresas inovadoras investem cada vez mais na humanização dentro das relações de trabalho, trazendo novos valores que superam a simples remuneração salarial. Em se tratando de “P de Pessoa”, vale muito apostar na motivação de grupo que as equipes podem gerar a partir da união de propósitos, mesmo que divididas em funções distintas. Como desde os imemoriáveis tempos da Savana, ainda somos presas fáceis quando estamos sozinhos. No grupo, a força é nossa.


Como já dizia o poeta, beleza é fundamental! Esse apelo do que é esteticamente agradável, vai muito além do romance e é verdade também para o nosso comportamento como consumidores. De acordo com o pesquisador Felix Clay, o homem é influenciado pela aparência, por alguma coisa que faz com que ele tenha prazer além da utilidade imediata do objeto.
O valor estético dos produtos torna-se cada vez mais relevante, principalmente em mercados onde as necessidades básicas dos consumidores têm sido facilmente satisfeitas, e a qualidade e funcionalidade dos produtos tornam-se cada vez mais semelhantes. Criar uma experiência emocional agradável é cada vez mais importante na hora de se diferenciar, e a estética da embalagem é uma das dimensões que pode ser trabalhada. É a partir de um investimento no design estético de embalagens que objetos simples de cozinha podem se tornar objetos de decoração, indo além de sua funcionalidade. Produtos com um design privilegiado são capazes de envolver o consumidor, diferenciando-se dos concorrentes e criando uma experiência emocional positiva para quem os adquire.
Um estudo muito interessante publicado na revista Journal of Consumer Psychology foi capaz de mostrar justamente a importância da experiência estética sobre o design de embalagens. Pesquisadores utilizaram técnicas de Tempo de Reação, Testes de Escolha e Ressonância Magnética Funcional (fMRI) para avaliar diferentes tipos de embalagens de produtos comercializados em supermercados como refrigerantes, manteiga, chocolates, biscoito etc. Eles compararam embalagens normais e embalagens com um design estético mais rico, avaliando tanto marcas de produtos famosas como marcas desconhecidas (p.e. Coca-Cola vs. River Cola). Além disso, os pesquisadores também utilizaram diferentes preços para avaliar se os participantes escolheriam ou não os produtos apresentados. As embalagens eram apresentadas em pares e, durante os testes, o participante deveria escolher qual das duas opções apresentadas ele compraria.
O estudo mostrou que as embalagens com design estético mais rico aumentavam significativamente o tempo de reação dos consumidores, mostrando que eles se sentiam mais atraídos por estas embalagens. O estudo também mostrou que os produtos com design estético mais rico eram mais escolhidos, em detrimento de produtos com marcas conhecidas apresentados em embalagens padronizadas. Isso acontece mesmo quando os produtos chamados estéticos apresentam preços mais elevados, mostrando que existe uma preferência do consumidor pelos produtos mais elaborados esteticamente, que vai além da marca ou do valor do produto. Por último, o estudo também mostrou que ao experienciar embalagens esteticamente mais ricas os participantes apresentam uma ativação maior em regiões do cérebro como o núcleo accumbens e o córtex pré-frontal ventromedial, regiões que estão diretamente envolvidas no processamento de mecanismos de recompensa. Esses resultados sugerem que a percepção de recompensa desempenha um papel importante na experiência de um produto com design estético mais rico.
A diferenciação do produto pelo seu design pode ser uma estratégia importante para gerentes de marketing interessados em criar um diferencial de mercado. Os resultados da pesquisa sugerem que marcas desconhecidas capazes de se diferenciar pelo design da embalagem teriam a oportunidade de ser a primeira escolha dos clientes, mesmo considerando-se produtos de marcas conhecidas como concorrentes. Alguns elementos que podem ser trabalhados para criar um diferencial de design e estética são a luminância, cor, forma e textura das embalagens. Tomados em conjunto, estes componentes podem criar uma impressão de produto estético, no entanto, deve-se manter sempre os benefícios das embalagens, evitando que haja confusão ou até mesmo irritação por parte do consumidor ao tornar uma embalagem “diferente demais”.
Ana Souza
Graduou-se em Biomedicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado pelo Instituto de Bioquímica Médica e doutorado no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ. É co-fundadora e Diretora de Pesquisa da Forebrain.
Billy Nascimento
Graduou-se em Biomedicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado e doutorado na área de Neurofisiologia no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ. É co-fundador e CEO da Forebrain.
Nastassja Fischer
Graduou-se em Biomedicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Neurofisiologia pelo Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ. E atualmente é doutoranda do mesmo instituto. É pesquisadora-colaboradora da Forebrain.
Thaís Gameiro
Graduou-se em Biomedicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado na área de neurofisiologia no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, e atualmente é doutoranda do mesmo instituto. É pesquisadora da Forebrain.
Este blog reflete única e exclusivamente a opinião do seu autor e não necessariamente o posicionamento jornalístico que norteia o Mundo do Marketing.
Publicidade
Farmacêuticas encerram 2012 com crescimento de 14%
Pesquisar é fundamental e preço não é o suficiente
CRM é a questão considerada mais importante
Coca-Cola, LG e Renner investem em relacionamento com os filhos e desejos das mulheres
Ações da marca são semelhantes com as da Coca-Cola?
Publicidade
Itens mais caros representam ascensão social
Imagem está circulando no Facebook
O que é certo e errado em Marketing Multinível
As empresas perdem oportunidades de inovar
Receita será revertida para ambientação
Jogador encerra sua carreira no dia 26 de maio
No futuro, as compras à vista serão a preferência
Classe C sofistica o lazer sem abrir mão de feijoada e filme em casa
Consumidor não abre mão da feijoada e filme em casa
Atualizar uma marca é mais complicado do que parece
04/03/2012 | 00:02:43
Publicidade