Aprendendo com os ídolos
Por Felipe Morais*
Há alguns anos, dois times disputavam a final de um campeonato de basquete. Os times eram muito parecidos, fortes, competitivos, mas um deles tinha um jogador diferenciado. Um dia antes do jogo esse jogador ficou doente. Ele mal conseguia levantar da cama, infectado por uma bactéria. A vida é realmente engraçada, um jogador forte, com mais de 2m de altura, derrubado por uma bactéria tão pequena que é invisível a olho nu!
No dia do jogo, todos esperavam esse jogador. Ele não apareceu no treino da manhã, muito menos na reunião da tarde. O time estava apreensivo, nervoso por enfrentar aquela situação sem seu melhor jogador. Tratava-se de uma final, milhares de torcedores ficariam tristes e desiludidos. Os sete meses de campanha até chegar a final, os esforços poderiam ser em vão.
Chagou a noite e o time foi para o ginásio. Nervosos e ansiosos, o time se preparava para o jogo. Estavam todos no vestiário. Cabisbaixo, pois seu melhor jogador e líder da equipe não estava ali. De repente, eis que surge o jogador. Mal, cambaleando, fisionomia visivelmente abatida, fraco. Tirou sua roupa e começou a colocar o uniforme. Ao se levantar para colocar o short, caiu no chão de tão fraco. Seus companheiros o socorreram. Tristes, o colocaram sentado no banco do vestiário. Desanimados, subiram para a quadra.
O técnico pediu para o atleta não jogar, mas ele sabia de sua responsabilidade.
Começa a partida e o jogador está no banco. O time não se encontra e o adversário fortalecido por ver aquele jogador no banco, abre uma larga vantagem. Eis que o jogador decide entrar na quadra. Mesmo doente, com astral lá embaixo, sem estar preparado. Inseguro ele entra e dá o seu melhor. Joga, combate e faz seu time vencer. Seu time torna-se campeão.
Essa história ficaria muito mais emocionante se no começo dela estive escrito o nome do jogador, mas onde ficaria o espaço para a moral da história? Michael Jordan, o maior astro do basquete mundial, o atleta que é para o basquete o que Pelé é para o futebol, é o protagonista dessa história.
Em julho de 1996, na final da NBA (liga norte americana de basquete – considerado o basquete mais forte do mundo) o time do Chicago Bulls, onde Jordan jogava, enfrentava o time do Utah Jazz, comandado por Karl Malone, um dos craques da NBA da época. Jordan, segundo relatos de Phill Jackson (técnico do Bulls na época) e de Scott Pipen (jogador e melhor amigo de Jordan) infectado por uma virose mal conseguia andar, falar ou comer. Estava muito mal, chegando a ir para um hospital da cidade se tratar.
Para Jordan, ganhar ou perder aquele jogo, dava no mesmo:
• Seus 30 milhões de dólares de salário anual estariam em sua conta.
• Nenhum torcedor no mundo poderia recriminá-lo por não ter jogado, pois todos sabiam de sua passagem pelo hospital um dia antes da final – foi notícia nacional nos principais jornais impressões e TV do país.
• Seus milionários contratos de publicidade (o que lhe rendiam cerca de 50 milhões de dólares por ano) não seriam cancelados.
• Seu prestígio como maior gênio do basquete mundial continuaria intacto.
Ele apenas, infectado por uma virose não jogaria. Quantas pessoas não vão trabalhar por estarem com uma dor de cabeça ou um pequeno resfriado? Quantos jogadores não entram em campo porque torceram o pé no treino ou por estarem com problemas particulares extra campo? Seres humanos são assim e a torcida entende.
Jogando ou não nada mudaria na vida de Michael Jordan, tudo continuaria na mesma, mas Jordan sabia da sua responsabilidade, foi para quadra, e não apenas jogou como foi eleito o melhor jogador da partida fazendo 15 pontos, 13 rebotes e 10 assistências. Na NBA, fazer em um jogo esse triple (10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências) em uma final é motivo para que o jogador ganhe um prêmio especial, por ser muito difícil completar essa seqüência. Jordan o fez!
Para alguns, ele não fez nada mais que a obrigação, mas em tempos que os brasileiros convivem com a seleção de craques que entra em campo apenas para receber o famos “bicho” ter um exemplo desse de amor a camisa e ao esporte, de um jogador que não precisava provar mais nada a ninguém, rico, consagrado, famoso é algo a se pensar.
Para outros – espero que muitos outros - Jordan foi um exemplo! Não importa como as coisas estão, precisamos sempre nos desenvolver, crescer, não ficar parado esperando as coisas caírem no nosso colo. Temos que fazer acontecer. Geraldo Vandré já profetizava: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”
* Felipe Morais é formado em publicidade e pós-graduado em planejamento estratégico, com especialização em planejamento da comunicação pela ESPM e de projetos web pelo Igroup. Atualmente trabalha com planejamento e mídia online.
27/04/2010
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Fábio Penedo
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